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13 de mai. de 2022

Igrejinha de Nossa Senhora de Fátima.

A religiosidade e a identidade de Taiobeiras, Norte de Minas Gerais, passa pela arquitetura da Igrejinha de Nossa Senhora de Fátima.

Em meio às tensões em toda Europa durante a Primeira Guerra Mundial, no ano de 1917, foi na região da cidade de Fátima em Portugal que surgiu um conforto de paz. Três crianças pastorinhas, Lúcia, Francisco e Jacinta, vivenciaram no dia 13 de maio, a primeira aparição de Nossa Senhora do Rosário, que ficaria assim conhecida como Nossa Senhora do Rosário de Fátima, ou simplesmente Nossa Senhora de Fátima.

Ela trazia aquelas crianças falas de paz diante os conflitos da guerra, e durante seis meses, todo dia 13, em, exceção o dia 19 de agosto, ela apareceu as três crianças no local chamado Cova de Iria, nas proximidades de Fátima, promovendo orações pelo fim da guerra. Sendo a ultima aparição no dia 13 de outubro, reunindo na localidade uma multidão que foram a convite feio por Nossa Senhora através dos três pastorinhos, trazendo sua mensagem de paz e do fim da grande guerra.

Ao longo de mais de um século do milagre de Nossa Senhora de Fátima, sua mensagem de paz, foi levada por todos os cantos do mundo. Em 1957, na cidade de Taiobeiras – MG, que havia apenas quatro anos de emancipação, a imagem de Nossa Senhora de Fátima, vinda diretamente da cidade portuguesa onde o milagre havia ocorrido, chegou através do pedido do Frei Jucundiano, que em sua homenagem ergueu uma capela as margens da pequena cidade do norte do Estado de Minas Gerais.

Com uma arquitetura peculiar, em formato octaedro, a Igrejinha de Nossa Senhora de Fátima, que possui vários significados, se tornou símbolo religioso e cultural de Taiobeiras, sendo um dos principais patrimônios históricos culturais do município.

Ela não é única em seu formato, mas se torna especial na identidade local, e na representatividade arquitetônica das Minas e dos Gerais. Entre vários significados da arquitetura octogonal, destacam as oito bem aventuranças deixadas por Cristo segundo o Evangelho de São Mateus, e também o formato da Cruz em Cristo, dentro da formação do sinal da Cruz, e da letra X, que em grego refere-se a Jesus Cristo.

Mas na identidade taiobeirense, a Igrejinha e sua arquitetura diferenciada, marca a identidade do pertencimento, o lugar de memória, o afeto a origem e a história de Taiobeiras, no sertão mineiro, e das Gerais da microrregião do Alto Rio Pardo. E ao longo de mais de 70 anos, o município fica em festa durante o mês de Maio, em homenagem a Nossa Senhora de Fátima.

8 de mar. de 2022

O Matriarcado em: A Noiva do Cordeiro

Maria Senhoria de Lima é responsável pela origem da comunidade rural da Noiva do Cordeiro em Belo Vale – MG, que hoje tem em sua neta Dona Delina a representatividade do Matriarcado. 

No final do século XIX, inicio do século XX no interior de Minas Gerais, na área rural do município de Belo Vale, que uma das comunidades rurais mais singulares do Brasil surgiu. Uma história de filme de Hollywood, de uma noiva que no dia do casamento forçado, fugiu com o amante, mas como consequências, foram excomungados pela igreja, e excluídos pela sociedade local. Lembrando que era inicio do século passado, em uma sociedade rural tradicional.

O casal Maria Senhorinha de Lima e Francisco Fernandes se isolaram inclusive seus descendentes também sofreram com as consequências. E assim tiveram que construir suas vidas sem apoio de ninguém, formando uma nova comunidade.

Na década de 1950, a comunidade passou por uma grande mudança. Delina de 16 anos, neta de Maria Senhorinha de Lima, casou com um pastor evangélico chamado Anísio Pereira de 43 anos, no qual tiveram 15 filhos. Mas o que marca neste período é que Anísio fundaria na comunidade uma igreja evangélica, que na época eram rejeitadas por uma sociedade majoritariamente católica, isolando ainda mais a comunidade. Esta igreja era bastante rígida e fundamentalista, estendendo até a década de 1990, quando em uma reunião da comunidade liderada por Delina pós fim com a igreja de Noiva do Cordeiro e seu fundamentalismo.

Iniciava naquele momento uma nova geração, principalmente por mulheres empoderadas descendentes da Maria Senhorinha de Lima, que não aceitariam que o patriarcalismo e suas raízes as inferiorizassem e colocasse como deveriam se comportar.

Noiva do Cordeiro - Belo Vale - MG

A comunidade rural Noiva do Cordeiro iniciava sua era Matriarcal, o que diferencia esta comunidade de tantas outras espalhadas no país. O Matriarcalismo é um conjunto de ações relacionados a organização e poder sobre um grupo e/ou sociedade, gerida pelo sexo feminino. É importante entender que o sistema matriarcal não se associa ao patriarcalismo, que está associado a uma visão do machismo e todas as formas de exclusão associados a este.

Assim este regime feminista, que busca ser justo e igualitário, no sentido de equidade, teve em Dona Delina, matriarca da comunidade Noiva do Cordeiro, um exemplo de luta e resistência, as opressões a todos os descendentes de Maria Senhorinha, que por conta do machismo presente na estrutura do sistema patriarcal brasileiro, sofreu por não aceitar um casamento forçado. Apesar de ver o caso se repetir com Delina, houve uma superação, e uma transformação na comunidade como um todo.

Ao longo de gerações, a comunidade foi excluída na região de Belo Vale o que forçava uma migração sazonal dos homens da comunidade para a capital de minas, Belo Horizonte, que fica a 100 km da região. Nisto as mulheres é que faziam tudo na comunidade, da produção do campo aos cuidados da família e da casa. Isto contribui até hoje para que na comunidade de mais de 300 habitantes, sendo em sua maioria, descendentes do casal fundador, tenha mulheres empoderadas e que lideram a comunidade.

Noiva do Cordeiro mostra a luta das mulheres, e como o matriarcal é mais justo e igualitário, sendo que mesmo com todo o processo de exclusão sofrido, hoje a comunidade é exemplo de organização, sustentabilidade econômica, social e ambiental. Que as liberdades de crença, sexuais e gênero se faz presente. Com uma cultura singular em meio a uma sociedade marcada pela cultura dominante, influenciada pela homogeneização cultural ocidental, regada de intolerância, racismo e machismo, e mesmo assim resistindo e transformando.

16 de jan. de 2022

Povos e Comunidades Tradicionais: Catrumanos

Os Catrumanos são povos tradicionais no Sertão Brasileiro, ligados a identidade da ruralidade. No Sertão Mineiro, em Montes Claros Norte de Minas Gerais a identidade catrumana se faz presente, surgindo assim em, 2005 o Movimento Catrumano.

O significado de Catrumano segundo Aurélio, procede de “quatro-mano e se refere ao caipira, forma como é identificado o habitante do campo ou da roça, particularmente o de pouca instrução e de convívio, de modos rústicos e canhestros.” Também associado ao matuto, “a vinculação do catrumano com o caipira deve-se ao fato deste ser um sertanejo, ou seja, um habitante do sertão.”

O viajante europeu Auguste de Saint-Hilaire (1975) denominou o conceito de catrumano, ao percorrer o sertão, no qual ele mencionava o deserto, “surpreendeu-se ao ver que os sertanejos sempre estavam a cavalo, independentemente de sua situação econômica.” E assim ele associa a imagem do povo sertanejo como àquele que vivi sempre sobre quatro patas, ou o humano de quatro patas.

“Porém, dada a força da ficcionalização construída por João Guimarães Rosa que tomou a realidade regional norte mineira para discutir o Brasil e, em Grande Sertão: Veredas, ele se referir a um grupo de catrumanos, como definido posteriormente por Aurélio, a partir do deslizamento de significado construído pelos mineiros, a palavra passou a conter apenas os significados vinculados aos habitantes do mais fundo do sertão, ou seja, a região Urucuiana que possuía homens, considerados de pouca instrução e de convívio e modos rústicos e canhestros. (ALMEIDA, 2021, p. 143)

Segundo o Movimento Catrumano, o significado da palavra representa aquele que emerge do interior do país, ligado às questões socioeconômicas pastoris. “Ao mesmo tempo, procurou desconstruir o significado pejorativo e discriminatório que a palavra contém, enquanto buscava resgatar o lugar dos Gerais na formação e consolidação da sociedade mineira, positivando o termo”.

Pintura de Almeida Júnior

Assim João Batista Almeida Costa (2021) menciona que “o Movimento Catrumano emergiu no cenário político estadual para construir poder simbólico para a região, a partir do reconhecimento que a “nação” Minas Gerais é dual.” É nesta lógica que a ideia de identidade catrumana do sertão de Minas Gerais, compreende que “há as Minas e há os Gerais e neste encontra-se o norte de Minas, que se inventa a si mesmo, constantemente, nas vivências das diversas populações que residem em seu amplo território sertanejo”.

15 de jan. de 2022

Coquinho Azedo

O Coquinho Azedo é um fruto típico do Cerrado mineiro, baiano e goiano, de sabor e aroma marcante. Sendo o território Catrumano seu lugar de pertencimento. 

O coquinho azedo é uma palmeira de porte médio típica do Cerrado Brasileiro, principalmente nos Estados de Minas Gerais, Bahia e Goiás. Também é conhecido como coquinho, coco-cabeçudo ou butiá. Sua copa é coberta por folhas verde-acinzentadas que, à luz do sol, lhe confere um brilho particular. A árvore pode alcançar quatro metros de altura e possui flores amarelas que brotam em cachos.

Os frutos são arredondados, medem cerca de 2 centímetros de comprimento e quando maduros tem coloração amarela, com polpa comestível de sabor azedo a adocicado, rica em fibras, vitaminas A e C.

E foi no território Catrumano, no Grande Sertão Veredas de Guimarães Rosa, que o coquinho azedo se tornou símbolo. De sabor marcante, se faz desde o suco, sorvete, licores e até cerveja artesanal, conquista o paladar de quem o conhece.

25 de dez. de 2021

Presépio Mão de Deus

Em Grão Mogol, Norte de Minas Gerais, a arte e a religiosidade se encontram no Maior Presépio Natural do Mundo.

Em 1223, com a pregação de São Francisco, que de forma teatral e ilustrativa mostrava as pessoas como foi o nascimento de Jesus Cristo, surgiu os primeiros presépios natalinos. Inspirando esta arte secular em todo o mundo, inclusive presente na diversidade cultural brasileira. Sendo adaptada a cada realidade, mas trazendo a mesma mensagem, a representação do nascimento de Jesus, e com isto dando origem ao cristianismo.

Feito de barro, madeira, louça, entre outros materiais, e se modernizando ao longo do tempo, o presépio faz parte de um dos símbolos mais fortes do Natal cristão, inclusive sendo importante na origem de outra festividade do catolicismo, as Folias de Reis.

A figura de Mara, José e o Menino Jesus, representando a Sagrada Família, dentro de um estábulo, com vários animais representados, e com a chegada dos Três Reis Magos, e o anjo Gabriel, que anunciou o nascimento de Cristo, o presépio é uma arte que vai além do conto da história cristã. Ele também representa questões socioculturais, pois dependendo de onde ele foi feito, traz características e representações locais.

Presépio Mão de Deus - Grão Mogol - MG

No Norte do Estado de Minas Gerais, na cidade de Grão Mogol, feito sobre um incrível paraíso pedregoso, foi criado o maio presépio natural a céu aberto do mundo, o Presépio Mão de Deus. Inaugurado em 09 de dezembro de 2011, o grande presépio de Grão Mogol, traz suas características e representações locais, levando de forma única à história do nascimento de Cristo, aos turistas de várias partes do país, e até de outros lugares do mundo.

8 de dez. de 2021

Povos e Comunidades Tradicionais: Geraizeiros

Os Gerais correspondem o território do Sertão Mineiro, o Norte de Minas o Noroeste Mineiro e os Vales do Jequitinhonha e Mucuri, atingindo até o Sertão Baiano, região do Sudoeste da Bahia. Mas não se limita aqui apenas a um território, falar dos Gerais é compreender a identidade para além do território. Entre vários povos e comunidades tradicionais que habitam este território, destaca os Povos Geraizeiros.

Os Geraizeiros são povos tradicionais dos Gerais, ou seja, do Cerrado Brasileiro, e que caracteriza o grande território mineiro da mesorregião do Norte de Minas Gerais, entre as bacias do São Francisco, Rio Pardo e Jequitinhonha, ou seja, o Sertão Mineiro. Lugar de resistência e identidade.

Identidade esta que se conecta com a ruralidade, o pertencimento ao território e a relação com o trabalho rural. Assim os povos Geraizeiros, que a partir do Decreto nº. 6.040/2007 foi reconhecido enquanto povos e comunidades tradicionais simboliza uma das várias culturas e identidades da diversidade do Povo Brasileiro. Sendo bastante expressiva na diversidade dos povos do território mineiro, inclusive falar de Minas Gerais, é compreender para além dos territórios das minas de ouro, as Gerais, nas suas relações sociais, culturais, políticas e econômicas.

Foto Elisa Cotta
Nesta proposta compreender os povos Geraizeiros, é compreender os Gerais, que tem a agricultura familiar como símbolo de sua economia. O catolicismo popular, dentro de um processo sincrético, na característica da religiosidade do seu povo, exemplo disto e as festividades das Folias de Reis e as festas de São João. Podemos citar também o linguajar, que mistura o baianês com o mineres, criando o dialeto baianeiro como identidade do Geraizeiro.

Mas esta população, de identidade marcante, com seu pertencimento intenso ao território que habita, sofre a gerações grandes ameaças. Isto parte muito da desvalorização do seu território e de sua cultura, associando os povos do Sertão Mineiro, como atrasados e miseráveis. E assim o forasteiro apropria do seu território, e o explora na relação do trabalho, exemplo disto é a monocultura do eucalipto na região.

Foto: Peter Caton
Por isto falar dos povos e comunidades tradicionais, aqui em especial dos Geraizeiros, é falar de resistência e luta, diante a hegemonização da cultura de massa, da exploração do sistema capitalista, que não reconhece as minorias sociais, e desrespeita os seres humanos e a natureza em prol do seu “desenvolvimento”. 

Os Geraizeiros são símbolos da nossa riqueza social, cultural e econômica. Que representa: a luta da sustentabilidade na relação seres humanos e natureza; o pertencimento ao território e os valores culturais da sua identidade; e aos diversos povos e comunidades tradicionais espalhados pelo território mineiro e brasileiro.

 

6 de jan. de 2021

A Folia de Reis de Juca Grosso

No dia 25 de dezembro, enquanto em vários lugares do mundo os cristãos celebram o Natal, nos Gerais mineiro, e em vários lugares do Brasil, iniciam as Folias de Reis, representando a busca ao “Rei dos Judeus”, Jesus Cristo, encerrando no dia 06 de janeiro, Dia dos Três Reis Magos, Baltazar, Belchior e Gaspar.  E em Taiobeiras, referenciar a Folia de Reis é mencionar o mestre Juca Grosso e seu Terno que faz parte da cultura do município. 

Juca Grosso (1908/1989)

As tradições do Natal vêm se homogeneizando ao longo das últimas décadas, principalmente diante a influência das mídias (televisão e internet), trazendo uma padronização dos rituais e simbolismos para esta data emblemática do catolicismo. Mas algumas tradições locais/regionais, ainda resistem diante estas influências globais, uma delas são as Folias de Reis.

O Natal que ficou datado apenas em 335, pelo Papa Júlio I, no dia 25 de dezembro, começou a ganhar características e simbolismos ao longo do tempo. Como o presépio, um arranjo de imagens simbolizando o nascimento de Cristo, tendo além da figura do “Menino Jesus”, a imagem de seus pais, Maria e José, dos animais presentes no estábulo, no qual Cristo nasceu, e os Três Reis Magos, que foram ao encontro daquele que a Estrela de Belém, indicava ser o Rei dos Judeus.

E com esta simbolização deste ícone natalino, o presépio se tornou uma influência de uma grande festividade, iniciada na Europa, não tendo uma informação concreta de quando, e que chegou ao Brasil, e foi difundida e adaptada em várias regiões, como o Norte de Minas Gerais. Estamos falando da Folia de Reis, um festa de origem religiosa, mas que transcende para além do cristianismo, comemorado entre o dia 25 de dezembro, quando é simbolizado o nascimento de Cristo, ao dia 06 de janeiro, dia no qual os Três Reis Magos chegaram ao encontro com o Menino Jesus, sendo também o dia de desmontar os presépios.

Em Taiobeiras – MG, as Folias de Reis tiveram sua força e tradição durante o século XX, período no qual o município começava a desenvolver, deixando de ser um pequeno povoado, e se emancipando. E a festividade é sem duvida uma forte tradição na formação da identidade e da cultura taiobeirenses, mesmo nas últimas décadas havendo uma decadência da continuidade dos Ternos e/ou Folias, assim conhecidos os grupos de reiseiros quem vão de casa em casa, visitando os presépios para ir ao encontro do Menino Jesus, assim como os Reis Magos.

Falar de Folias de Reis em Taiobeiras é falar de Juca Grosso e sua família que juntos formavam um dos ternos mais famosos da região, que levava seu nome. Claro que temos que sempre nos lembrarmos de outros tão importantes quanto, como a Folia de Zé de Vina, Chiquinho Cocá e Zé Cocá, entre ouras, inclusive destacando os grupos que formaram no final do século XX e ainda preservam esta tradição.

O Senhor José Diniz de Amorim, conhecido simplesmente por Juca Grosso, nasceu em 08 de outubro de 1908, que recebeu os ensinamentos de seu pai, José Clemente de Amorim, conhecido por José Grosso. Formou assim uma das folias mais tradicionais da região de Taiobeiras. Visitando os presépios de cada casa, entre o primeiro dia do ano, ao dia 06 de janeiro, para festeja o nascimento de Cristo, lembrando que naquela época as tradições do Natal eram outras.

Assim Juca Grosso se tornou o grande reiseiro da região, levando alegria e muita festa com sua Folia, fazendo parte da memória e da identidade da população de Taiobeiras. Mesmo após seu falecimento em 12 de junho de 1989, e da perca da força das Folias de Reis, a partir também de outras tradições inseridas nas festividades natalinas, o pertencimento, e a formação da cultura local que a Folia de Reis, e Juca Grosso e todos os reiseiros deixaram, sempre estarão na identidade de Taiobeiras.  

2 de dez. de 2020

300 anos de Minas Gerais

Das Minas as Geais, o Estado das diversidades, no dia 02 de dezembro de 1720, foi desmembrado do Estado de São Paulo, e se tornou esta grande referência cultural e econômica do Brasil. Da pecuária e agricultura  de Matias Cardoso as margens do São Francisco, a mineração de Mariana as margens do Rio Doce, uma história construída por seu povo.

Minas Gerais
Bandeira do Estado de Minas Gerais

O território mineiro é conhecido por abranger uma biodiversidade tanto da fauna quanto da flora, além de ter em suas características uma enorme diversidade social e cultural. Falar deste Estado brasileiro, de grande potencial econômico, desde a agropecuária, mineração, industria, comércio, turismo e artesanato, como pilares, é destacar a suas maiores riqueza, seu povo e suas histórias.

Minas Gerais completa 300 anos de desmembramento do território de São Paulo, e neste dia 02 de dezembro, se comemora algo construído antes mesmo do ano de 1720, a mineiridade. Construída pelas várias Minas Gerais, desde a cultura caipira oriunda da cultura paulista, nas regiões Sul, Triangulo e Central, a carioquidade vinda do litoral carioca, presente nas regiões do Vale do Aço e Zona da Mata, e a cultura sertaneja baiana, na construção dos geraizeiros, do Norte, Noroeste e Vales do Jequitinhonha e Mucuri.

Matias Cardoso - MG
Matias Cardoso - MG

As Minas e as Gerais se completam em uma identidade plural, do mineiro que fala “Uai”, “Trem”, mas misturada com os diversos sotaques, costumes, tradições da brasilidade. Talvez seja Minas um recorte da diversidade Brasileira. Assim como o nome dado a nós brasileiros, nós mineiros temos nossa identidade ligado a uma profissão. Mas que passou a ter muitos outros significados ao longo da história.

Claro que temos que refletir os momentos tristes da nossa história. Que explorou da terra recursos, nossa riqueza e origem de nossa identidade, mas que trouxe vários impactos ambientais, desde o Brasil colonial, a tragédia de Mariana e Brumadinho. Explorou da sua gente, dos povos africanos e seus descendentes na escravização para a produção do café, na pecuária e na extração das minas de ouro e diamante. Não podemos esquecer-nos do genocídio indígena desde os bandeirantes paulistas que exploraram esta terra, como Matias Cardoso, ao agronegócio, que além dos índios, matou e expulsou muitos ribeirinhos, vazanteiros, geraizeiros, quilombolas, e outros povos e comunidades tradicionais.

Precisamos lembrar-nos de nossas riquezas, mas também de nosso passado e presente marcado pela exclusão, exploração e violência. Reconhecer toda esta gente que nos faz orgulho de quem somos, enquanto mineiros, e todos estes povos quem fazem presente em nossa identidade.  

Sim, Minas Gerais é terra do encontro, do pão de queijo, ou só do queijo, do pequi, da cachaça, frango com quiabo, feijoada, carne de sol com mandioca, do doce de leite e tantas outras delicias desta terra.

As Minas Gerais das montanhas, da Canastra, da Piedade, do Cipó, de Serra Nova e tantas outras. Do Rio Doce, Pardo, Jequitinhonha, e o Velho Chico, que pode ser Opará, e para os nãos íntimos São Francisco mesmo, que se ramificam entre tantos outros.

Mariana - MG
Mariana - MG

A terra das festividades, das religiosidades e da cultura. Dos reisados, dos batuques, de Nossa Senhora da Piedade e Nossa Senhora da Imaculada Conceição, com as padroeiras das Minas as Gerais. São João, Santo Antonio e São Pedro e as festas juninas. Os Doze Profetas de Aleijadinho, aos mártires de Cristo simbolizadas em cada Cruzeiro erguido ao lado de um cemitério e uma igreja, na origem de cada povoado e município mineiro, até a morte de Tiradentes, pintada como a de Cristo, após lutar pela Inconfidência Mineira.  

Terra do Clube da Esquina, do Skank, do Grupo Raízes, dos Cantores, Compositores e Poetas do Jequitinhonha, e tantos outros que construíram nossa musicalidade. De Andrade, Carolina, Guimarães Rosa e Darcy, que escreveram nossa história. E não podemos esquecer-nos de Carlos Chagas um marco de nossa ciência.

Viva Minas Gerias! Viva o Povo Mineiro!

10 de mar. de 2019

Espaço Musical: Pelo Telefone

Em 10 de março de 1876, na Exposição Centenária nos Estados Unidos, o escocês Alexander Graham Bell proporcionou ao mundo uma invenção que possibilitou a transmissão elétrica de voz, criando assim o primeiro telefone. Entre as primeiras pessoas a testa a invenção revolucionária, estava o imperador do Brasil da época, Dom Pedro II. Mas não fica ai a relação da invenção do telefone com o Brasil, pois em 1916, a canção Pelo Telefone, de autoria de Donga e Mauro de Almeida, deu origem a um dos grandes gêneros musicais brasileiros, o Samba. 

Donga
A invenção do telefone é sem duvida uma das maiores criações da humanidade. Um aparelho que através dos conhecimentos da física, com a transmissão de eletricidade, consegue transmitir um som a longas distâncias. Desde os primeiros telefones, aos modernos smartphones, esta invenção e suas inovações se tornaram símbolo das transformações e desenvolvimento na forma de comunicar da humanidade.
E foi em 10 de março de 1876, na Pensilvânia, Filadélfia nos Estados Unidos, durante a Exposição Centenária da Independência dos Estados Unidos d América, que o cientista, inventor e empresário escocês Alexander Graham Bell, trazia para o mundo sua grande invenção, o telefone.
O telefone se tornou um marco do evento político estadunidense, que contava com várias personalidades políticas de todo o mundo. Entre tais personalidades estava o segundo imperador do Brasil, Dom Pedro II, que foi convidado de honra de Graham Bell, para testar a nova invenção. Assim em uma distância de 150 metros um do outro, Bell mencionou pelo telefone uma famosa frase shakespeariana, “to be or not to be?” (ser ou não ser?), e Dom Pedro II ao ouvir do outro lado da linha, respondeu admirado, ‘meu Deus, isto fala!”.
Mas não fica só aqui esta relação do Brasil com a invenção de Graham Bell. 40 anos
Canção Pelo Telefone - 1916 - Donga e Mauro de Almeida
depois, em novembro de 1916, o compositor Ernesto dos Santos, o Donga e o jornalista Mauro de Almeida, na casa de Tia Ciata, um terreiro de candomblé, no Rio de Janeiro, dava o surgimento da canção Pelo Telefone. Apesar de não haver nenhuma ligação direta com Graham Bell, a canção que levava no nome a invenção do escocês, era também uma das maiores invenções da música mundial, surgia ali a criação do gênero musical do Samba.
A canção que foi lançada, segundo registros da Biblioteca Nacional, em 20 de janeiro de 1917, pela gravadora Casa Edson, pelo selo Odeon Records. E logo se tornou sucesso em uma época que o carnaval carioca era apenas de bloquinhos de rua, e estava começando a ter seu grande percussor, o Samba.

Confira abaixo a canção:
Pelo Telefone
Cantor/Compositores: Donga e Mauro de Almeida

Por deus fosse castigado
O mundo estava vazio
E o inferno habitado

Queres ou não, sinhô, sinhô
Vir pro cordão, sinhô, sinhô
É ser folião, sinhô, sinhô
De coração, sinhô, sinhô
Porque este samba, sinhô, sinhô
De arrepiar, sinhô, sinhô
Põe perna bamba, sinhô, sinhô
Mas faz gozar, sinhô, sinhô

Quem for bom de gosto
Mostre-se disposto
Não procure encosto
Tenha o riso posto
Faça alegre o rosto
Nada de desgosto

Ai, ai, ai
Dança o samba
Com calor, meu amor
Ai, ai, ai
Pois quem dança
Não tem dor nem calor

5 de mar. de 2019

Espaço Musical: Exaltação a Mangueira

Em 20 de abril de 1928 surgia uma das maiores escolas de samba do carnaval brasileiro, a Estação Primeira de Mangueira. Mas bem que esta data podia ser 25 anos, quando nasceu José Bispo Clementino dos Santos, o Jamelão, um dos maiores interpretes de samba-enredo da história do Carnaval e da Mangueira. E em 1956, Enéas Brites e Aloísio da Costa compuseram uma das mais belas canções para a Mangueira, a canção Exaltação a Mangueira, um hino da escola de sambam, que foi imortalizada na voz do maior interprete de samba-enredo da Verde e Rosa, Jamelão.  

Jamelão
Em 1913, nascia na cidade de São Cristóvão–RJ uma das maiores vozes do Samba, o cantor e compositor José Bispo Clementino dos Santos, o Jamelão. Que no início da década de 1930 começava uma grande história dentro da escola de samba Estação Primeira de Mangueira. Uma história que se completa, pois não teria como separar Jamelão da Mangueira, nem a Mangueira de Jamelão.
O cantor de samba-enredo se tornou uma lenda ao levar a Mangueira a ser várias vez campeã do Carnaval do Rio de Janeiro, a maior festividade do mundo. Mas Jamelão teve sucesso também no rádio, vencendo vários concursos e sempre se apresentando em programas das rádios cariocas. E de menino engraxate e vendedor de jornal no Rio de Janeiro, foi se tornando uma das maiores vozes da música brasileira.
Em 1949, Jamelão assumiu o lugar de Xangô da Mangueira, se tornando o interprete oficial do samba-enredo da Verde e Rosa. E de cara já ganhando um bicampeonato. E nos 57 anos como interpretes foi treze vezes campeão do Carnaval Carioca, encerrando aos 93 anos sua história como interprete. Sendo seu último título em 2002, com o samba-enredo Brazil com Z é para Cabra da Peste, Brasil com S é a Nação do Nordeste. Em 2008, o grande sambista e vascaíno faleceu, sendo cortejado como um dos grandes nomes da Mangueira no Palácio do Samba, com as bandeiras da sua escola e do seu time de coração.
Uma das grandes canções eternizada na voz de Jamelão foi composta por dois
Estação Primeira de Mangueira.
moradores do morro da Mangueira, Enéas Brites e Aloísio da Costa. A canção Exaltação a Mangueira, de 1956, foi cantada pela primeira vez na avenida Rio Branco (local onde acontecia os desfiles antes da construção do Sambódromo da Marquês da Sapucaí) pelo grande sambista carioca. Assim a canção que se torna um dos hinos da Verde e Rosa, trazendo em sua letra os sentimentos de carinho e amor a escola de samba, tragos dos membros e dos simpatizantes da Estação Primeira de Mangueira. Fazendo da escola de samba um dos grandes símbolos da maior festividade do planeta, o Carnaval Carioca.

Confira abaixo a canção:
Exaltação a Mangueira
Compositores: Enéas Brites e Aloísio da Costa.
Cantor: Jamelão.

Mangueira teu cenário é uma beleza
que a natureza criou
O morro com seus barracões de zinco
quando amanhece que esplendor

Todo mundo te conhece ao longe
pelo som de teus tamborins
e o rufar do teu tambor
chegou ô, ô, ô.
A mangueira chegou, ô, ô.

Mangueira teu passado de glória
está gravado na história
é verde e rosa a cor da tua bandeira
prá mostrar a esta gente
que o samba é lá em Mangueira

6 de jan. de 2019

Espaço Musical: A Festa de Santo Reis

A Folia de Reis assim conhecida no sertão brasileiro é uma das maiores festividades do cristianismo no mundo. Comemorado o Dia dos Santos Reis Magos em 06 de janeiro, tradição vinda com os portugueses e modificada pela diversidade dos povos no Brasil. Em 1971 a festividade foi lembrada no segundo álbum de Tim Maia, com a canção A Festa do Santo Reis, do compositor paulista Márcio Leonardo.

Tim Maia - Álbum de 1971
A história nos relata que no dia 25 de dezembro a mas de dois mil anos atrás, a estrela guia cruzou os céus do oriente para anunciar de uma criança que pelo cristianismo seria o filho de Deus que vinha com a missão de salvação de seu povo. Esta criança era Jesus, o maior símbolo da crença cristã. Então do momento em que a estrela apareceu, até o dia 06 de janeiro, três Magos que avistaram a estrela, saíram de seus reinos para ir ao encontro daquela criança, no qual sabiam, seria a salvação, como relata no Evangelho de São Mateus.
Os três Reis Magos, assim reconhecido aqueles que eram de origem nobre e tinham grande compreensão da ciência de sua época, foram em uma longa caminhada levarem seus presentes ao Salvador. Baltazar, Melquior e Gaspar, assim reconhecidos pelo cristianismo como os três Reis Magos, foram ao encontro do menino Jesus, levando o Ouro, com o significado da realeza daquele que seria o Salvador, o Incenso, como símbolo da essência divina e a Mirra, como a essência humana daquela criança.
No século XVII, começou  tradição da comemoração do Dia dos Santos Reis na
Folia de Reis em Taiobeiras - MG/ Fonte: Tudo Super - 2008.
Europa. Em Portugal esta data eram um dia de diversão e festejos, que no século XVIII chegou no Brasil, com um caráter mais religioso, porem com muitos festejos, surgindo assim a Folia de Reis.
A tradicional festa reúne os ternos de foliões, que são formados principalmente por membros de uma família ou de uma comunidade, com vários instrumentos musicais, principalmente a viola caipira, a sanfona e o pandeiro, dando o ritmo das canções de folia, passando por casa em casa, festejando a chegada do menino Jesus.
A festividade foi lembrada e refletida pelo compositor Márcio Leonardo, que aos 15 anos compôs a canção A Festa do Santo Reis, que em parceria com o cantor e compositor Tim Maia, no ano de 1971, foi gravada pela primeira vez no segundo álbum Tim Maia, sendo a primeira faixa do disco. A canção com uma pegada soul, na mistura brasileira de Tim, fez grande sucesso, e trazia uma reflexão da perca da tradição da Folia de Reis, e todos os seus aspectos culturais e religiosos, promovendo assim uma valorização desta festividade secular, que faz parte da história do Brasil.

Confira abaixo a Canção:
A Festa do Santo Rei
Compositor/Cantor: Raul Seixas

Hoje é o dia de Santo Reis
Anda meio esquecido
Mas é o dia da festa
De Santo Reis
Hoje é o dia de Santo Reis
Anda meio esquisito
Mas é o dia da festa
De Santo Reis

Eles chegam tocando
Sanfona e violão
Os pandeiros de fita
Carregam sempre na mão
Eles vão levando
Levando o que pode
Se deixar com eles
Eles levam até os bodes

É os bodes da gente
É os bodes, mééé
É os bodes da gente
É os bodes, mééé

Hoje é o dia de Santo Reis
Hoje é o dia de Santo Reis
Hoje é o dia, hié! hié!
De Santo Reis
Hoje é o dia de Santo Reis
É o dia da festa, hié! hié!

12 de out. de 2018

Espaço Musical: Ser Criança

O Dia da Criança é comemorado no dia 12 de outubro no Brasil, desde o ano de 1924. O músico e compositor Rubinho do Vale, é um dos cantores brasileiros que mais voltou suas canções para a criançada. Em 1991, o álbum Ser Criança, foi um dos seus trabalhos mais elogiados, e que trouxe como proposta preservar as cantigas de roda, e trazer na musicalidade regional do Vale do Jequitinhonha, canções para o público infantil. 

Rubinho do Vale
Em 05 de novembro de 1924 com o decreto de lei nº 4867, da proposta do deputado federal fluminense, Galdino do Valle Filho, oficializou o Dia da Criança no Brasil no dia 12 de outubro. A data teve uma mudança no ano de 1940 no governo Vargas, para o dia 25 de março. Mas nos anos de 1960 a data retornou para o dia 12 de outubro, após campanha publicitária das empresas Estrela e Johnson & Johnson.
Em outros lugares a comemoração muda de data, alguns inclusive seguem o calendário da Organização das Nações Unidas, comemorado no dia 20 de novembro, após a Declaração Universal dos Direitos da Criança em 1959. Outros seguem a data de 1º de junho como o Dia Internacional da Criança, após a Conferência Mundial para o Bem-Estar da Criança em Genebra, Suíça, em 1925.
Aqui no Brasil é um dia para celebrar o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que tem como objetivo combater a vulnerabilidade, a violência e a desigualdade social deste público. Além de uma data para reviver a infância e dar maior atenção àqueles que a sociedade aposta serem a diferença para o futuro.
Álbum Ser Criança - 1991 - Rubinho do Vale
O músico e compositor Rubinho do Vale, do município de Rubim – MG, no Vale do Jequitinhonha, é reconhecido por trazer em sua musicalidade a regionalidade do Vale, além de voltar várias canções ao público infantil. Em 1991, Rubinho lançou o álbum Ser Criança, que promove várias canções para a criançada, preservando as cantigas de roda. A canção de mesmo nome do álbum, traz todo encantamento deste período tão marcante da vida, fazendo reflexões da importância de viver a infância.

Confira abaixo a Canção:
Ser Criança
Compositor/Cantor: Rubinho do Vale

Ser criança é bom demais
despreocupar com tudo que se faz
dar um pulo, um grito e uma risada
levar a vida bem vivida e bem amada

ter uma rua e um parque prá brincar
o dia inteiro sem ter hora de parar
depois dormir, sonhar com a fantasia
e acordar num mundo cheio de alegria

ter uma escola e uma casa prá morar
boa saúde prá brincar e prá correr
ter amor e carinho todo dia
e um mundo lindo e limpo prá poder viver

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