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13 de mai. de 2022

Igrejinha de Nossa Senhora de Fátima.

A religiosidade e a identidade de Taiobeiras, Norte de Minas Gerais, passa pela arquitetura da Igrejinha de Nossa Senhora de Fátima.

Em meio às tensões em toda Europa durante a Primeira Guerra Mundial, no ano de 1917, foi na região da cidade de Fátima em Portugal que surgiu um conforto de paz. Três crianças pastorinhas, Lúcia, Francisco e Jacinta, vivenciaram no dia 13 de maio, a primeira aparição de Nossa Senhora do Rosário, que ficaria assim conhecida como Nossa Senhora do Rosário de Fátima, ou simplesmente Nossa Senhora de Fátima.

Ela trazia aquelas crianças falas de paz diante os conflitos da guerra, e durante seis meses, todo dia 13, em, exceção o dia 19 de agosto, ela apareceu as três crianças no local chamado Cova de Iria, nas proximidades de Fátima, promovendo orações pelo fim da guerra. Sendo a ultima aparição no dia 13 de outubro, reunindo na localidade uma multidão que foram a convite feio por Nossa Senhora através dos três pastorinhos, trazendo sua mensagem de paz e do fim da grande guerra.

Ao longo de mais de um século do milagre de Nossa Senhora de Fátima, sua mensagem de paz, foi levada por todos os cantos do mundo. Em 1957, na cidade de Taiobeiras – MG, que havia apenas quatro anos de emancipação, a imagem de Nossa Senhora de Fátima, vinda diretamente da cidade portuguesa onde o milagre havia ocorrido, chegou através do pedido do Frei Jucundiano, que em sua homenagem ergueu uma capela as margens da pequena cidade do norte do Estado de Minas Gerais.

Com uma arquitetura peculiar, em formato octaedro, a Igrejinha de Nossa Senhora de Fátima, que possui vários significados, se tornou símbolo religioso e cultural de Taiobeiras, sendo um dos principais patrimônios históricos culturais do município.

Ela não é única em seu formato, mas se torna especial na identidade local, e na representatividade arquitetônica das Minas e dos Gerais. Entre vários significados da arquitetura octogonal, destacam as oito bem aventuranças deixadas por Cristo segundo o Evangelho de São Mateus, e também o formato da Cruz em Cristo, dentro da formação do sinal da Cruz, e da letra X, que em grego refere-se a Jesus Cristo.

Mas na identidade taiobeirense, a Igrejinha e sua arquitetura diferenciada, marca a identidade do pertencimento, o lugar de memória, o afeto a origem e a história de Taiobeiras, no sertão mineiro, e das Gerais da microrregião do Alto Rio Pardo. E ao longo de mais de 70 anos, o município fica em festa durante o mês de Maio, em homenagem a Nossa Senhora de Fátima.

8 de mar. de 2022

O Matriarcado em: A Noiva do Cordeiro

Maria Senhoria de Lima é responsável pela origem da comunidade rural da Noiva do Cordeiro em Belo Vale – MG, que hoje tem em sua neta Dona Delina a representatividade do Matriarcado. 

No final do século XIX, inicio do século XX no interior de Minas Gerais, na área rural do município de Belo Vale, que uma das comunidades rurais mais singulares do Brasil surgiu. Uma história de filme de Hollywood, de uma noiva que no dia do casamento forçado, fugiu com o amante, mas como consequências, foram excomungados pela igreja, e excluídos pela sociedade local. Lembrando que era inicio do século passado, em uma sociedade rural tradicional.

O casal Maria Senhorinha de Lima e Francisco Fernandes se isolaram inclusive seus descendentes também sofreram com as consequências. E assim tiveram que construir suas vidas sem apoio de ninguém, formando uma nova comunidade.

Na década de 1950, a comunidade passou por uma grande mudança. Delina de 16 anos, neta de Maria Senhorinha de Lima, casou com um pastor evangélico chamado Anísio Pereira de 43 anos, no qual tiveram 15 filhos. Mas o que marca neste período é que Anísio fundaria na comunidade uma igreja evangélica, que na época eram rejeitadas por uma sociedade majoritariamente católica, isolando ainda mais a comunidade. Esta igreja era bastante rígida e fundamentalista, estendendo até a década de 1990, quando em uma reunião da comunidade liderada por Delina pós fim com a igreja de Noiva do Cordeiro e seu fundamentalismo.

Iniciava naquele momento uma nova geração, principalmente por mulheres empoderadas descendentes da Maria Senhorinha de Lima, que não aceitariam que o patriarcalismo e suas raízes as inferiorizassem e colocasse como deveriam se comportar.

Noiva do Cordeiro - Belo Vale - MG

A comunidade rural Noiva do Cordeiro iniciava sua era Matriarcal, o que diferencia esta comunidade de tantas outras espalhadas no país. O Matriarcalismo é um conjunto de ações relacionados a organização e poder sobre um grupo e/ou sociedade, gerida pelo sexo feminino. É importante entender que o sistema matriarcal não se associa ao patriarcalismo, que está associado a uma visão do machismo e todas as formas de exclusão associados a este.

Assim este regime feminista, que busca ser justo e igualitário, no sentido de equidade, teve em Dona Delina, matriarca da comunidade Noiva do Cordeiro, um exemplo de luta e resistência, as opressões a todos os descendentes de Maria Senhorinha, que por conta do machismo presente na estrutura do sistema patriarcal brasileiro, sofreu por não aceitar um casamento forçado. Apesar de ver o caso se repetir com Delina, houve uma superação, e uma transformação na comunidade como um todo.

Ao longo de gerações, a comunidade foi excluída na região de Belo Vale o que forçava uma migração sazonal dos homens da comunidade para a capital de minas, Belo Horizonte, que fica a 100 km da região. Nisto as mulheres é que faziam tudo na comunidade, da produção do campo aos cuidados da família e da casa. Isto contribui até hoje para que na comunidade de mais de 300 habitantes, sendo em sua maioria, descendentes do casal fundador, tenha mulheres empoderadas e que lideram a comunidade.

Noiva do Cordeiro mostra a luta das mulheres, e como o matriarcal é mais justo e igualitário, sendo que mesmo com todo o processo de exclusão sofrido, hoje a comunidade é exemplo de organização, sustentabilidade econômica, social e ambiental. Que as liberdades de crença, sexuais e gênero se faz presente. Com uma cultura singular em meio a uma sociedade marcada pela cultura dominante, influenciada pela homogeneização cultural ocidental, regada de intolerância, racismo e machismo, e mesmo assim resistindo e transformando.

28 de fev. de 2022

Mamona

Do oriente ao Sertão Mineiro, a Mamona que tem sua origem nos continentes asiático e africano, chegou ao Brasil desde a colonização portuguesa e se identificou com o bioma da Caatinga, tendo o município de Mamonas, Minas Gerais, seu lugar de pertencimento. 

A mamona é uma planta da família das xerófilas e heliófilas, tendo sua origem no oriente, espalhada em várias partes da Ásia, e também na região do Chifre da África, mais específico na Etiópia. E chegou ao Brasil desde a época da colonização portuguesa, e a diáspora africana.

O fruto da mamoneira se popularizou por conta do seu óleo, ótimo para usar como combustível e lubrificante, era usado muito para acender lamparinas, e lubrificar carroças, e hoje é responsável pela produção de vários produtos feitos de biocombustíveis.

Na década de 1990, ficou ainda mais popular pela banda paulista Mamonas Assassinas, que tem este nome pelo fato do fruto da mamoneira ser usado para “brincadeiras de guerrinhas”.

A mamona também virou símbolo da economia na mesorregião do Norte de Minas Gerais, sendo no antigo povoado Santo Antônio das Mamonas, hoje apenas Mamonas, na Caatinga Mineira, se fazendo presente.

16 de jan. de 2022

Povos e Comunidades Tradicionais: Catrumanos

Os Catrumanos são povos tradicionais no Sertão Brasileiro, ligados a identidade da ruralidade. No Sertão Mineiro, em Montes Claros Norte de Minas Gerais a identidade catrumana se faz presente, surgindo assim em, 2005 o Movimento Catrumano.

O significado de Catrumano segundo Aurélio, procede de “quatro-mano e se refere ao caipira, forma como é identificado o habitante do campo ou da roça, particularmente o de pouca instrução e de convívio, de modos rústicos e canhestros.” Também associado ao matuto, “a vinculação do catrumano com o caipira deve-se ao fato deste ser um sertanejo, ou seja, um habitante do sertão.”

O viajante europeu Auguste de Saint-Hilaire (1975) denominou o conceito de catrumano, ao percorrer o sertão, no qual ele mencionava o deserto, “surpreendeu-se ao ver que os sertanejos sempre estavam a cavalo, independentemente de sua situação econômica.” E assim ele associa a imagem do povo sertanejo como àquele que vivi sempre sobre quatro patas, ou o humano de quatro patas.

“Porém, dada a força da ficcionalização construída por João Guimarães Rosa que tomou a realidade regional norte mineira para discutir o Brasil e, em Grande Sertão: Veredas, ele se referir a um grupo de catrumanos, como definido posteriormente por Aurélio, a partir do deslizamento de significado construído pelos mineiros, a palavra passou a conter apenas os significados vinculados aos habitantes do mais fundo do sertão, ou seja, a região Urucuiana que possuía homens, considerados de pouca instrução e de convívio e modos rústicos e canhestros. (ALMEIDA, 2021, p. 143)

Segundo o Movimento Catrumano, o significado da palavra representa aquele que emerge do interior do país, ligado às questões socioeconômicas pastoris. “Ao mesmo tempo, procurou desconstruir o significado pejorativo e discriminatório que a palavra contém, enquanto buscava resgatar o lugar dos Gerais na formação e consolidação da sociedade mineira, positivando o termo”.

Pintura de Almeida Júnior

Assim João Batista Almeida Costa (2021) menciona que “o Movimento Catrumano emergiu no cenário político estadual para construir poder simbólico para a região, a partir do reconhecimento que a “nação” Minas Gerais é dual.” É nesta lógica que a ideia de identidade catrumana do sertão de Minas Gerais, compreende que “há as Minas e há os Gerais e neste encontra-se o norte de Minas, que se inventa a si mesmo, constantemente, nas vivências das diversas populações que residem em seu amplo território sertanejo”.

15 de jan. de 2022

Coquinho Azedo

O Coquinho Azedo é um fruto típico do Cerrado mineiro, baiano e goiano, de sabor e aroma marcante. Sendo o território Catrumano seu lugar de pertencimento. 

O coquinho azedo é uma palmeira de porte médio típica do Cerrado Brasileiro, principalmente nos Estados de Minas Gerais, Bahia e Goiás. Também é conhecido como coquinho, coco-cabeçudo ou butiá. Sua copa é coberta por folhas verde-acinzentadas que, à luz do sol, lhe confere um brilho particular. A árvore pode alcançar quatro metros de altura e possui flores amarelas que brotam em cachos.

Os frutos são arredondados, medem cerca de 2 centímetros de comprimento e quando maduros tem coloração amarela, com polpa comestível de sabor azedo a adocicado, rica em fibras, vitaminas A e C.

E foi no território Catrumano, no Grande Sertão Veredas de Guimarães Rosa, que o coquinho azedo se tornou símbolo. De sabor marcante, se faz desde o suco, sorvete, licores e até cerveja artesanal, conquista o paladar de quem o conhece.

7 de out. de 2021

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19 de jul. de 2019

Canto Poético: Eu Não Me Calo


A poesia do chileno Pablo Neruda ela marca a história de lutas e de combate a opressão na América Latina. O poeta Nobel de Literatura em 1971, recebido dois anos antes de sua morte, após o golpe militar imposto pelo ditador Pinochet. Neste mês em que Neruda comemoraria 95 anos (12 de julho), é o mês que se reflete no Brasil o Dia dos Povos Oprimidos, uma data para rever as desigualdades, descriminações e exclusões sofridas por parte da população não só brasileira, mas de toda América Latina. É também um dia de fortalecer as lutas destes povos, que como na poesia de Neruda Eu Não Me Calo.  

Pablo Neruda.
Em 19 de julho o Brasil reflete com o Dia dos Povos Oprimidos. Um dia para debater como em pleno século XIX os resultados da opressão de diversos povos no século XVI, no inicio da colonização europeia no Brasil e em todas as Américas, ainda surte efeito, como a discriminação étnico-racial, as exclusões e as desigualdades sociais, gerando violência física e simbólica, além da pobreza extrema nos países subdesenvolvidos destes continentes. Esta realidade no Brasil é vista nos números coletados pelo Mapa da Violência, além dos dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, além dos diversos trabalhos científicos das instituições de ensino superior.
Por mais que a luta destes povos nestes cinco séculos se deram, e muitas conquistas obtiveram, é observado ameaças constantes a estes direitos, além da existência destes povos que historicamente foram oprimidos por uma sociedade racista e elitista no Brasil e em toda América Latina. Por isto o dia 19 de julho se torna uma data emblemática na reflexão da nossa sociedade contemporânea, dentro dos reflexos históricos da desigualdade e exclusão ao longo do tempo.
Um dos grandes nomes da América Latina que trouxe seus protestos em versos poéticos foi o chileno Ricardo Eliécer Neftali Reyes, ou simplesmente Pablo Neruda, nascido em 12 de julho de 1904, o poeta político comunista, se tornou uma voz ativa em seu país deste sua juventude. Ainda na primeira metade do século XX, Neruda se colocou em defesa da classe operária, o que gerou até mesmo exílio de seu país. Mas seu retorno foi fundamental para a luta política do povo chileno, e para o reconhecimento de sua rica obra, que em 1971 o rendeu com o prêmio Nobel de Literatura. Porém em 23 de setembro de 1973, doze dias após o golpe de estado provocado pelos militares sob comando pelo ditador Augusto Pinochet. Mais de quarenta anos depois, a morte de Neruda foi associada não por questões de um câncer como foi posto no período ditatorial chileno, mas sim por questões políticas, sendo assim comprovado seu assassinado pela ditadura militar chilena.
Neruda foi morto, mas nunca calado, sua obra é sempre viva, lida e admirada não só pela técnica da escrita, mas por trazer a voz do Povo, a voz daquele que luta contra a opressão, as desigualdades, injustiças e exclusões. O seu poema Eu Não me Calo publicado em sua autobiografia, lançado depois de sua morte em 1974, com o título Confesso que Vivi. Uma poesia que retrata a luta de Neruda, que não se calou após sua morte, e todos os anos de ditadura não só no Chile e no Brasil, mas em toda a América Latina.

EU NÃO ME CALO
Por: Pablo Neruda.


Confesso que Vivi - Pablo Neruda - 1974
Eu preconizo um amor inexorável.

E não me importa pessoa nem cão:
Só o povo me é considerável,
Só a pátria é minha condição.

Povo e pátria manejam meu cuidado,
Pátria e povo destinam meus deveres

E se logram matar o revoltado

Pelo povo, é minha Pátria quem morre.
É esse meu temor e minha agonia.
Por isso no combate ninguém espere
Que se quede sem voz minha poesia.

8 de jul. de 2019

Espaço Musical: Ciências e Arte

Em 08 de julho de 1948 foi criado a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, que se torna fundamental para os avanços da pesquisa cientifica no Brasil. Assim em 2001, foi sancionada a Lei nº 10.221, que define a data da fundação da SBPC como Dia Nacional da Ciência.  Uma data para valorizar a produção científica e incentiva a iniciação científica. A canção Ciência e Arte do músico e compositor Cartola em parceria ao compositor Carlos Cachaça faz uma grande homenagem a grandes cientistas brasileiros como Pedro Américo e Cesar Lattes. 

Cartola
As Ciências, seja ela as Humanas, as Naturas e as Exatas, surgem dentro da Arte e da Filosofia, e nos promove um conhecimento que tem como base um tripé: o objeto de estudo, o método e a teoria. Que se desenvolveu com o tempo, e provocou grandes mudanças na humanidade. As Ciências que se conflitou com as doutrinas religiosas, mas a partir da era moderna, da sociedade capitalista instaurada principalmente no século XIX, ganhou maior notoriedade.
No Brasil, os estudos científicos ganharam maior expressão a partir do século XX, principalmente após a fundação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência em 08 de julho de 1948, data esta que em 2001 foi estabelecida como o Dia Nacional da Ciência com a Lei nº 10.221, tendo em 2008, com a Lei nº 11.807 a segunda lei que promove o dia 08 de julho como uma data para comemorar e promover os avanços da produção cientifica no Brasil. Que mesmo com grandes avanços e resposta a importância dos estudos desenvolvidos, a produção cientifica vem sofrendo grandes ameaças a ignorância de uma ideologia radical e extremista no cenário político.
Álbum Cartola 70 anos - 1979
Em 1979, no álbum Cartola 70 anos do grande sambista, músico e compositor Angenor de Oliveira, ou simplesmente Cartola, a canção Ciência e Arte, foi uma grande homenagem a comunidade cientifica do Brasil, em especial ao filósofo, teórico de artes, escritor e cientista do século XIX, Pedro Américo, e renomado físico Cesar Lattes, indicado ao Nobel de 1950. Uma canção que traz o ritmo do samba, para expressar a relevância da Ciência e das produções cientificas produzidas no Brasil.

Confira abaixo a canção:
Ciência e Arte
Cantor/Compositores: Cartola e Carlos Cachaça

Tu és meu Brasil em toda parte
Quer na ciência ou na arte
Portentoso e altaneiro
Os homens que escreveram tua história
Conquistaram tuas glórias
Epopéias triunfais
Quero neste pobre enredo
Reviver glorificando os homens teus
Levá-los ao panteon dos grandes imortais
Pois merecem muito mais

Não querendo levá-los ao cume da altura
Cientistas tu tens e tens cultura
E neste rude poema destes pobres vates
Há sábios como Pedro Américo e Cesar Lattes

3 de jul. de 2019

Espaço Musical: Montesclareou

Em 03 de julho o município de Montes Claros do Norte de Minas Gerais comemora a denominação de cidade, assim sendo a data do aniversário da “Princesinha do Norte”. A maior cidade norte mineira é a referência na mesorregião, e onde surgiram grandes nomes de intelectuais e artistas que destacaram nacionalmente, como os compositores da canção Montesclareou, o jornalista, artista plástico e compositor Georgino Júnior e o músico e ator Tino Gomes.

Gergino Júnior e Tino Gomes
A história de Montes Claros inicia a partir de expedições de bandeirantes vindo da Capitania de São Paulo, conhecida como expedição Espinosa – Navarro, com 12 bandeirantes que tinha como objetivo de encontrar pedras preciosas na região norte mineira. Antônio Gonçalves Figueira, que pertencia à bandeira de Fernão Dias, chegou na região junto ao outro bandeirante, Matias Cardoso, e começaram a fundar vilas e fazendas, em territórios indígenas. Antônio Gonçalves fundou três grandes fazendas, explorando as margens do Rio Verde, sendo elas, Jaiba, Olhos D’água e Montes Claros.
A região do território montes-clarense era habitada por índios da etnia Anais e Tapulas. Através do alvará de abril de 1707, Gonçalves Figueira obteve a sesmaria que constituiu a Fazenda de Montes Claros, onde surgiu o povoado de Formigas, concentrando o mercado pecuário na venda de gado. E assim a região logo se tornou o centro do comércio do gado na região, expandindo o pequeno povoado. Assim o Arraia das Formigas houve grandes mudanças junto aos outros povoados que deram origem a cidade de Montes Claros, como o Arraia de Nossa Senhora da Conceição e São José de Formigas, surgindo a 13 de outubro de 1831 de Vila Montes Claros de Formigas, até enfim o título de cidade de Montes Claros, no dia 03 de junho de 1857.
Neste mais de 160 anos, Montes Claros foi se firmando como um grande centro
Corredor Cultural - Montes Claros - MG
comercial, além de polo de saúde e educacional no Norte de Minas. Apelidada como Princesinha do Norte, ou a Capital do Norte de Minas Gerais, no qual surgiram grandes figuras que destacaram no campo intelectual, artístico e cultural no Brasil. Um dos mais renomados é sem dúvida o antropólogo e historiador, o ex-ministro da educação Darcy Ribeiro, que da o nome ao campus Universidade Estadual de Montes Claros, principal centro de ensino superior da região.
Entre tantos nomes destacamos o jornalista, artista plástico, professor e compositor Georgino Jorge de Souza Júnior, e o músico e ator Tino Gomes, que juntos compuseram a canção Montesclareou, uma canção que retrata a identidade do montes-clarense, da história e da cultura local, desta cidade de clima quente, e de pertencimento geraizeiro, catrumano  e sertanejo de ser. A terra dos Catopês de Agosto, que simboliza as culturas nortes mineiras.

Confira abaixo a canção:
Montesclareou
Cantor/Compositores: Georgino Júnior e Tino Gomes

Montes Claros, montesclareou,
Meus olhos cegos de poeira e dor.
Tudo é previsto pelos livros santos,
Que só não falam que o sonho acabou.
A marujada vem subindo a rua,
Suores brilham nos rosto molhados.
Agosto chega com a ventania,
Cálice bento e abençoado.
A dor do povo de São Benedito,
No mastro existe para ser louvado.
Louvado seja o Santo Rosário,
Louvado seja poeira e dor.
Louvado seja o sonho infinito,
E mestre Zanza que é cantador

21 de jun. de 2019

Espaço Musical: A Volta do Boêmio

Em 21 de junho de 1919, nascia em Santana do Livramento, Rio Grande do Sul, Antônio Gonçalves Sobral, que se tornaria Nelson Gonçalves o “Rei da Boemia”. Nos 100 anos de um dos maiores cantores da Música Popular Brasileira, que teve seus grandes sucessos na era do rádio, “que virou saudade” em abril de 1998, mas sempre será um símbolo da musicalidade brasileira, e sempre será lembrado pela Boemia, com a grande canção lançada no álbum de mesmo nome em 1967, A Volta do Boêmio.

Nelson Gonçalves 
No dia 21 de junho de 1919, na cidade do interior Gaúcho de Santana do Livramento, nascia Antônio Gonçalves Sobral, filho de um pai músico, na qual homenageou com a canção Naquela Mesa, ainda aos 07 anos mudou-se para a capital paulista no bairro do Brás. E assim a influência pela música cresceu, e depois de trabalhar de quase um tudo na infância e juventude, inclusive sendo boxeador, vencendo aos 16 anos o título de peso-médio o Campeonato Paulista, teve ainda na juventude as primeiras oportunidades na música, apesar da “gagueira” que tinha, no qual levou o apelido de “Metralha”.
Assim Antônio Gonçalves Sobral, começou a usar o nome artístico de Nelson Gonçalves, se juntando ao músico Joaquim Silva Torres. Não teve vida fácil ao ingressar nas rádios, foi reprovado nas suas primeiras tentativas, antes de ingressar na rádio PRA – 5, mas foi logo dispensador. Era um período no qual tinha acabado de se casar com Elvira Molla, no qual teve dois filhos.
Em 1939, na busca de oportunidade na música mudou-se para o Rio de Janeiro, e lá começou a destacar nos programas de calouros das rádios cariocas. Em 1941 conseguiu gravar seu primeiro disco, e logo foi aclamado pelo público, tendo nas décadas de 1940 a 1950 o inicio de sua fama do Rei do Rádio e o Rei da Boemia, chegou casar neste período mais duas vezes após se separar da primeira esposa, em 1952 com a cantora do Trio de Ouro, Lourdinha Bittencourt, e em 1965 com Maria Luiza da Silva Ramos, no qual teve dois filhos e foi fundamental para sua recuperação após dependência com o vício no uso de cocaína, que levou o cantor a vários problemas pessoas e profissionais.
Nelson Gonçalves - Álbum: A Volt do Boêmio (1967) 
E com apoio de Maria Luiza, após período de tratamento ao vício no qual chegou ser preso, Nelson Gonçalves voltaria aos sucessos com um dos seus principais álbuns produzidos, e com a canção mais famosa em sua interpretação, composta por Adelino Moreira, A Volta do Boêmio. Assim sucesso estourado em 1967, o Rei da Boemia voltou as paradas de sucesso, estendendo do final dos anos de 1960 a década de 1990, quando em 1998, por conta de um infarto, aos 78 anos, faleceu na cidade do Rio de Janeiro.
Nelson Gonçalves ainda é lembrado como um dos músicos mais importantes da Música Popular Brasileira, por uma voz marcante, e por ter mantido uma carreira de sucesso, e mesmo com os problemas ao vício das drogas, soube retornar ao sucesso, no que manteve até mesmo após a sua morte. Com 38 discos de ouro, e 20 de platina, com mais de 78 milhões de vendas de discos, um dos recordistas no Brasil, com mais de 180 canções gravadas, O Rei da Boemia, que completaria 100 anos, deixou um grande legado a MPB.


Confira abaixo a canção:
A Volta do Boêmio
Cantor/Compositores: Nelson Gonçalves/ Adelino Moreira.

Boemia, aqui me tens de regresso
E suplicante te peço a minha nova inscrição.
Voltei pra rever os amigos que um dia
Eu deixei a chorar de alegria; me acompanha o meu violão.
Boemia, sabendo que andei distante,
Sei que essa gente falante vai agora ironizar:
"Ele voltou! O boêmio voltou novamente.
Partiu daqui tão contente. Por que razão quer voltar?"
Acontece que a mulher que floriu meu caminho
De ternura, meiguice e carinho, sendo a vida do meu coração,
Compreendeu e abraçou-me dizendo a sorrir:
"Meu amor, você pode partir, não esqueça o seu violão.
Vá rever os seus rios, seus montes, cascatas.
Vá sonhar em novas serenatas e abraçar seus amigos leais.
Vá embora, pois me resta o consolo e alegria
De saber que depois da boemia
É de mim que você gosta mais".

20 de jun. de 2019

Espaço Musical: Diáspora

Em 20 de junho é homenageado no mundo todos os Retirantes Refugiados do seu lugar de origem diante conflitos étnico-raciais, políticos, religiosos entre outros que provocam a migração forçada destas pessoas, que se estima serem aproximadamente 45 milhões em todo o planeta. O Dia Mundial do Refugiado é uma data criada pela ONU com intuito de promover reflexões e políticas de amparo e combate aos problemas enfrentados pelos refugiados. Em 2017 o trio musical Tribalistas lançaram seu segundo álbum, trazendo a canção Diáspora, como uma reflexão dos casos e história dos refugiados. 

Tribalistas
A Organização das Nações Unidas, a ONU, estabeleceu em 2000 o Dia Mundial do Refugiado, marcado no calendário para o dia 20 de junho. O intuito desta data é refletir em todo o planeta os problemas sociais, econômicos, culturais, religiosos e de território enfrentados por milhares de pessoas refugiadas de seu lugar de origem e espalhadas pelo mundo. Um problema histórico, que tem origem desde os primeiros fenômenos diásporos registrados séculos antes de cristo, e que em pleno século XXI, continuam sendo uma grande problemática.
Nas últimas décadas o caso dos refugiados começou a ganhar um olhar mais crítico e delicado. Promovendo dentro de estudos científicos, políticas internacionais, e a luta de movimentos sociais, uma grande reflexão dos impactos destas migrações forçadas, principalmente por afetar a base dos direitos humanos.
Repressão política e violações maciças dos direitos humanos ainda são elementos significativos em deslocamentos atualmente. Mas para a maioria dos refugiados de hoje, conflitos armados – que frequentemente envolvem perseguição e outros abusos dos direitos humanos contra civis – são a principal fonte de ameaça. Muitos dos conflitos armados do período pós-Guerra Fria provaram ser particularmente perigosos para os civis, evidenciados pela escala de deslocamento e pela alta proporção de mortes de civis em relação aos militares. [...]. O custo humano devastador de guerras recentes levou muita discussão sobre a natureza mutável dos conflitos armados no período pós-Guerra Fria. [...]. O que distinguiu a década de 1990 a partir de décadas anteriores foi o enfraquecimento dos governos centrais em países que tinham sido amparados pelo apoio de superpotências, e a consequente proliferação de conflitos baseados em identidade, muitos dos quais envolveram sociedades inteiras em violência (UNHCR apud Silva, 2000, p. 277, tradução de Silva).

Dos conflitos étnico-raciais a liberdade de expressão política ou religiosa, as perseguições aos retirantes refugiados é uma marca que vem sendo dado como uma grande “crise migratória” no mundo todo. Casos como dos sírios, povos africanos de diversas etnias, haitianos, venezuelanos, entre outros que por conflitos sociais presentes em seu território são forçados a migrarem, são refletidos neste dia 20 de junho. Com objetivo de provocar nos lideres de Estado maiores atitudes nos casos dos refugiados no mundo.
Álbum Tribalistas 2017
Em 2017, o trio musical formado por Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Carlinhos Brown, os Tribalistas lançaram seu segundo álbum, e entre as novas canções do trio, a canção Diáspora destaca pela qualidade musical e por uma letra que nos provoca a refletir dentro do contexto diásporo o caso dos retirantes refugiados. Uma canção que contextualiza desde a antiguidade aos tempos atuais, refletindo a diáspora judaica e africana, e todos os casos de retirantes forçados em refúgios de seus lugares de origem.  



Confira abaixo a canção:


Diáspora
Cantor/Compositores: Tribalistas: Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte.

Acalmou a tormenta
Pereceram
Os que a estes mares ontem se arriscaram
E vivem os que por um amor tremeram
E dos céus os destinos esperaram

Atravessamos o mar Egeu
O barco cheio de fariseus
Com os cubanos, sírios, ciganos
Como romanos sem Coliseu

Atravessamos pro outro lado
No rio vermelho do mar sagrado
Os center shoppings
Superlotados
De retirantes refugiados

You, where are you?
Where are you?
Where are you?

Onde está
Meu irmão
Sem irmã
O meu filho sem pai

Minha mãe
Sem avó
Dando a mão pra ninguém

Sem lugar
Pra ficar
Os meninos sem paz

Onde estás
Meu senhor
Onde estás?
Onde estás?

Deus Ó Deus onde estás
Que não respondes
Em que mundo em qu'estrela tu t'escondes
Embuçado nos céus

Há dois mil anos te mandei meu grito
Que embalde desde então corre o infinito
Onde estás senhor Deus

Atravessamos o mar Egeu
O barco cheio de fariseus
Com os cubanos, sírios, ciganos
Como romanos sem Coliseu

Atravessamos pro outro lado
No rio vermelho do mar sagrado
Os center shoppings
Superlotados
De retirantes refugiados

You, where are you?
Where are you?
Where are you?
Where are you?

Onde está
Meu irmão
Sem irmã
O meu filho sem pai

Minha mãe
Sem avó
Dando a mão pra ninguém

Sem lugar
Pra ficar
Os meninos sem paz

Onde estás
Meu senhor
Onde estás?
Onde estás?

Where are you?
Where are you?
Where are you?
Where are you?
Where are you?
Where are you?

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