Mostrando postagens com marcador Ciências Humanas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ciências Humanas. Mostrar todas as postagens

20 de nov. de 2020

Interpretes do Brasil: Silvio Almeida.

Baseando no portal Interpretes do Brasil, pretendo aqui além dos grandes nomes considerados pelo portal, como grandes intelectuais brasileiros, trazer outras personalidades que representaram e representam estes interpretes da realidade social, política, econômica e cultural do Brasil. Como interprete da realidade brasileira de hoje, Silvio Almeida, o paulista, ativista dos movimentos negros, presidente do Instituto Luiz Gama, advogado e professor de filosofia. 

Silvio Almeida

No dia 17 de agosto de 1976, em São Paulo capital, nascia Silvio Luiz de Almeida, filho de Verônica e Lourival, conhecido como Barbosinha, ex-jogador de futebol. Mas diferente de seu pai, e de tantos outros jovens negros, oriundos da periferia, Silvio ganham reconhecimento nacional como advogado e filósofo, voltado a causas do movimento negro.

Formou-se em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie em 1999, e em Filosofia pela Universidade de São Paulo em 2011, ingressando em seguida no mestrado em Direito Político e Econômico pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e o doutorado em Direito pela USP.  

O que é racismo estrutural? (2018)
Silvio Almeida

            Silvio Almeida começou a ganhar destaque, com os estudos sobre o racismo estrutural no Brasil. Este fenômeno social que promove à exclusão e a violência à população de origem africana no Brasil e no mundo, que está presente na estrutura social e se ramifica em toda a sociedade, perpetuando o racismo por gerações.

Uma das suas principais obras, O que é racismo estrutural? (2018), nos faz refletir como e porque a sociedade, em pleno século XXI, com todos os avanços da ciência e da política, todas as conquistas de direito da população negra no mundo, ainda persiste o racismo. Almeida conceitua o racismo em três concepções: individualista, institucional e estrutural.

Nos debates sobre a questão racial podemos encontrar as mais variadas definições de racismo. A fim de apresentar os contornos fundamentais do debate de modo didático, classificamos em três as concepções de racismo: individualista, institucional e estrutural. A classificação aqui apresenta parte dos seguintes critérios: a) relação estabelecida entre racismo e subjetividade; b) a relação estabelecida entre racismo e Estado; c) a relação estabelecida entre racismo e economia. (ALMEIDA, 2019, p.27).

A obra do professor Silvio Almeida, é uma ótima reflexão para compreendermos a nossa realidade brasileira, e provocar como o racismo estrutural atinge toda a sociedade, desde fatores econômicos a fatores sociais e políticos. Silvio marca as novas lutas do movimento negro, pautada no campo da intelectualidade, do estudo cientifico e da ação de reflexões da política contra o racismo na sociedade brasileira.

8 de jul. de 2019

Espaço Musical: Ciências e Arte

Em 08 de julho de 1948 foi criado a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, que se torna fundamental para os avanços da pesquisa cientifica no Brasil. Assim em 2001, foi sancionada a Lei nº 10.221, que define a data da fundação da SBPC como Dia Nacional da Ciência.  Uma data para valorizar a produção científica e incentiva a iniciação científica. A canção Ciência e Arte do músico e compositor Cartola em parceria ao compositor Carlos Cachaça faz uma grande homenagem a grandes cientistas brasileiros como Pedro Américo e Cesar Lattes. 

Cartola
As Ciências, seja ela as Humanas, as Naturas e as Exatas, surgem dentro da Arte e da Filosofia, e nos promove um conhecimento que tem como base um tripé: o objeto de estudo, o método e a teoria. Que se desenvolveu com o tempo, e provocou grandes mudanças na humanidade. As Ciências que se conflitou com as doutrinas religiosas, mas a partir da era moderna, da sociedade capitalista instaurada principalmente no século XIX, ganhou maior notoriedade.
No Brasil, os estudos científicos ganharam maior expressão a partir do século XX, principalmente após a fundação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência em 08 de julho de 1948, data esta que em 2001 foi estabelecida como o Dia Nacional da Ciência com a Lei nº 10.221, tendo em 2008, com a Lei nº 11.807 a segunda lei que promove o dia 08 de julho como uma data para comemorar e promover os avanços da produção cientifica no Brasil. Que mesmo com grandes avanços e resposta a importância dos estudos desenvolvidos, a produção cientifica vem sofrendo grandes ameaças a ignorância de uma ideologia radical e extremista no cenário político.
Álbum Cartola 70 anos - 1979
Em 1979, no álbum Cartola 70 anos do grande sambista, músico e compositor Angenor de Oliveira, ou simplesmente Cartola, a canção Ciência e Arte, foi uma grande homenagem a comunidade cientifica do Brasil, em especial ao filósofo, teórico de artes, escritor e cientista do século XIX, Pedro Américo, e renomado físico Cesar Lattes, indicado ao Nobel de 1950. Uma canção que traz o ritmo do samba, para expressar a relevância da Ciência e das produções cientificas produzidas no Brasil.

Confira abaixo a canção:
Ciência e Arte
Cantor/Compositores: Cartola e Carlos Cachaça

Tu és meu Brasil em toda parte
Quer na ciência ou na arte
Portentoso e altaneiro
Os homens que escreveram tua história
Conquistaram tuas glórias
Epopéias triunfais
Quero neste pobre enredo
Reviver glorificando os homens teus
Levá-los ao panteon dos grandes imortais
Pois merecem muito mais

Não querendo levá-los ao cume da altura
Cientistas tu tens e tens cultura
E neste rude poema destes pobres vates
Há sábios como Pedro Américo e Cesar Lattes

20 de jun. de 2019

Espaço Musical: Diáspora

Em 20 de junho é homenageado no mundo todos os Retirantes Refugiados do seu lugar de origem diante conflitos étnico-raciais, políticos, religiosos entre outros que provocam a migração forçada destas pessoas, que se estima serem aproximadamente 45 milhões em todo o planeta. O Dia Mundial do Refugiado é uma data criada pela ONU com intuito de promover reflexões e políticas de amparo e combate aos problemas enfrentados pelos refugiados. Em 2017 o trio musical Tribalistas lançaram seu segundo álbum, trazendo a canção Diáspora, como uma reflexão dos casos e história dos refugiados. 

Tribalistas
A Organização das Nações Unidas, a ONU, estabeleceu em 2000 o Dia Mundial do Refugiado, marcado no calendário para o dia 20 de junho. O intuito desta data é refletir em todo o planeta os problemas sociais, econômicos, culturais, religiosos e de território enfrentados por milhares de pessoas refugiadas de seu lugar de origem e espalhadas pelo mundo. Um problema histórico, que tem origem desde os primeiros fenômenos diásporos registrados séculos antes de cristo, e que em pleno século XXI, continuam sendo uma grande problemática.
Nas últimas décadas o caso dos refugiados começou a ganhar um olhar mais crítico e delicado. Promovendo dentro de estudos científicos, políticas internacionais, e a luta de movimentos sociais, uma grande reflexão dos impactos destas migrações forçadas, principalmente por afetar a base dos direitos humanos.
Repressão política e violações maciças dos direitos humanos ainda são elementos significativos em deslocamentos atualmente. Mas para a maioria dos refugiados de hoje, conflitos armados – que frequentemente envolvem perseguição e outros abusos dos direitos humanos contra civis – são a principal fonte de ameaça. Muitos dos conflitos armados do período pós-Guerra Fria provaram ser particularmente perigosos para os civis, evidenciados pela escala de deslocamento e pela alta proporção de mortes de civis em relação aos militares. [...]. O custo humano devastador de guerras recentes levou muita discussão sobre a natureza mutável dos conflitos armados no período pós-Guerra Fria. [...]. O que distinguiu a década de 1990 a partir de décadas anteriores foi o enfraquecimento dos governos centrais em países que tinham sido amparados pelo apoio de superpotências, e a consequente proliferação de conflitos baseados em identidade, muitos dos quais envolveram sociedades inteiras em violência (UNHCR apud Silva, 2000, p. 277, tradução de Silva).

Dos conflitos étnico-raciais a liberdade de expressão política ou religiosa, as perseguições aos retirantes refugiados é uma marca que vem sendo dado como uma grande “crise migratória” no mundo todo. Casos como dos sírios, povos africanos de diversas etnias, haitianos, venezuelanos, entre outros que por conflitos sociais presentes em seu território são forçados a migrarem, são refletidos neste dia 20 de junho. Com objetivo de provocar nos lideres de Estado maiores atitudes nos casos dos refugiados no mundo.
Álbum Tribalistas 2017
Em 2017, o trio musical formado por Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Carlinhos Brown, os Tribalistas lançaram seu segundo álbum, e entre as novas canções do trio, a canção Diáspora destaca pela qualidade musical e por uma letra que nos provoca a refletir dentro do contexto diásporo o caso dos retirantes refugiados. Uma canção que contextualiza desde a antiguidade aos tempos atuais, refletindo a diáspora judaica e africana, e todos os casos de retirantes forçados em refúgios de seus lugares de origem.  



Confira abaixo a canção:


Diáspora
Cantor/Compositores: Tribalistas: Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte.

Acalmou a tormenta
Pereceram
Os que a estes mares ontem se arriscaram
E vivem os que por um amor tremeram
E dos céus os destinos esperaram

Atravessamos o mar Egeu
O barco cheio de fariseus
Com os cubanos, sírios, ciganos
Como romanos sem Coliseu

Atravessamos pro outro lado
No rio vermelho do mar sagrado
Os center shoppings
Superlotados
De retirantes refugiados

You, where are you?
Where are you?
Where are you?

Onde está
Meu irmão
Sem irmã
O meu filho sem pai

Minha mãe
Sem avó
Dando a mão pra ninguém

Sem lugar
Pra ficar
Os meninos sem paz

Onde estás
Meu senhor
Onde estás?
Onde estás?

Deus Ó Deus onde estás
Que não respondes
Em que mundo em qu'estrela tu t'escondes
Embuçado nos céus

Há dois mil anos te mandei meu grito
Que embalde desde então corre o infinito
Onde estás senhor Deus

Atravessamos o mar Egeu
O barco cheio de fariseus
Com os cubanos, sírios, ciganos
Como romanos sem Coliseu

Atravessamos pro outro lado
No rio vermelho do mar sagrado
Os center shoppings
Superlotados
De retirantes refugiados

You, where are you?
Where are you?
Where are you?
Where are you?

Onde está
Meu irmão
Sem irmã
O meu filho sem pai

Minha mãe
Sem avó
Dando a mão pra ninguém

Sem lugar
Pra ficar
Os meninos sem paz

Onde estás
Meu senhor
Onde estás?
Onde estás?

Where are you?
Where are you?
Where are you?
Where are you?
Where are you?
Where are you?

5 de jun. de 2019

Canto Poético: O Meio.


Em 05 de junho se comemora o Dia do Meio Ambiente, estabelecido em 1972, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano, realizado em Estocolmo, na Suécia. O Objetivo desta data e refletir sobre os problemas ambientais, no qual o ser humano é um dos grandes responsáveis. O poeta e cordelista cearense Tião Simpatia nos promove no seu poema O Meio (2009), uma reflexão crítica das nossas ações diante o Meio Ambiente, e assim as consequências dos nossos atos.

Tião Simpatia.
O impacto ambiental causado nos últimos séculos foram mais prejudicais ao Meio Ambiente, do que nos milhares de anos dos seres humanos habitando o planeta. Com os avanços do desenvolvimento capitalista, estes impactos se intensificaram, desde o consumismo a poluição e contaminação dos recursos naturais. Neste contexto a partido do século XX grandes intelectuais e grupos sociais começaram a alertar dos impactos negativos que destruía os recursos naturais.
Na década de 1970 vários movimentos ligados a causa ecológica ambiental surgiram, com intuito de criar políticas públicas para combater esta destruição do ecossistema. Assim sob forte pressão, a Organização das Nações Unidas realizou a primeira Conferência do Meio Ambiente Humano, realizada em Estocolmo na Suécia, no dia 05 de junho de 1972, com objetivo de reunir vários lideres políticos, dos movimentos sociais, além de empresários e outros representantes da sociedade, para refletir os impactos humanos diante a natureza.
A partir deste momento, foi instituído o dia 05 de junho como um dia de discutir os problemas ambientais no mundo, sendo assim comemorado o Dia Internacional do Meio Ambiente.  Um dia para promover debates sobre as políticas ambientais, e os crimes ocorrentes pelo ser humano. Em 2019, o Brasil se tornou um dos países mais questionados diante a garantia de suas leis ambientais, e aos crimes ocorrentes, como o caso de Brumadinho e Mariana, ambos no Estado de Minas Gerais.
O poeta e cordelista cearense Tião Simpatia, conhecido por uma obra cheia de reflexão crítica e valorização de políticas públicas voltadas ao combate a desigualdade, descriminação e violência, nos promove no poema O Meioi de 2009, uma reflexão simples mais bastante provocativa dos nossos atos diante ao Meio Ambiente, e o mau uso dos recursos naturais. Um poema leve, mas com conteúdo que nos remete ao descaso com o planeta e a natureza.  


O MEIO
Por: Tião Simpatia.

 Meio Ambiente;
Meio cançado;
Meio ferido;
Meio preservado;
Tião Simpatia.
Meio destruído;
Meio lembrado;
Meio esquecido.

E o homem?
O homem, é o "Meio".
Meio culpado;
Meio constrangido;
Meio informado;
Meio desentendido;
Meio sábio;
Meio sabido.

Proteja o Meio Ambiente
Ou você será extinto do "Meio.

REFERÊNCIAS:

PORTAL LUIS NASSIF. Poema “O MEIO”. Disponível em: http://blogln.ning.com/profiles/blog/list?user=3i11bzyy1mmih. Acessado em: 05/06/2019.

SANTOS, Vanessa Sardinha dos. 05 de Junho — Dia Mundial do Meio Ambiente. IN.: Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/datas-comemorativas/dia-mundial-do-meio-ambiente-ecologia.htm. Acesso em 05/06/2019.

17 de mai. de 2019

Espaço Musical: Bem entendido.

O Dia Internacional Contra a Homofobia, Bifobia e Transfobia se dá no em 17 de maio, como um momento de luta as causas LGTB+ e de um mundo em que o respeito às diversidades e diferenças de gêneros exista por parte de todxs. A data surgiu em 1990, quando o termo “homossexualismo” foi desconsiderado, e a homossexualidade deixou de ser considerada uma doença pela Organização Mundial da Saúde. Em 1974 vários músicos brasileiros promoveram canções em homenagem ao cantor e interprete Edy Star, entre estas canções a música Bem Entendido composta pelos músicos Renato Piauí e Sérgio Natureza.  

Álbum Sweet Edy - Edy Star - 1974
Em 17 de maio de 1990 as comunidades ligadas a causa LGBT+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros, Transexuais, Travestis e outras definições do gênero), conquistaram uma das suas grandes lutas, a de tirar da Classificação Estatística Internacional de Doença e Problemas Relacionados com Saúde (CID) da Organização Mundial de Saúde (OMS) o homossexualismo como uma doença, e retirar o conceito de “homossexualismo”, como se a questão da homossexualidade fosse uma doutrinação ou ideologia, e não uma questão genética e psicológica do indivíduo.
A conquista foi significativa a causa LGBT+, que desde a década de 1960 vem se organizando e lutando por seus direitos em todo o mundo. Apesar da importância da data, a luta no combate a homofobia, bifobia e transfobia, é diária, e em pleno século XXI, os altos índices de violência a comunidade LGBT+ são constantes, no Brasil e no mundo. Por isto existe a grande importância de lembrar as lutas e os direitos conquistados, para derrubar preconceitos e intolerâncias sobre as questões de gênero, destacando as causas LGBT+.
Nos anos de 1970 a luta pelos direitos a comunidade LGBT+ ganharam força, e em
Álbum Sweet Edy - Edy Star - 1974
1974 músicos renomados da música brasileira como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Moraes Moreira, Roberto Carlos e Erasmo Carlos, compuseram várias canções para o álbum Sweet Edy, uma homenagem ao músico e interprete o baiano Edy Star, um dos primeiros músicos brasileiros assumido gay. O álbum se tornou uma referência das causas LGBT+ daquela época, e entre tantas canções destacamos Bem entendido composta pelos músicos Renato Piauí e Sérgio Natureza, um dos grandes sucessos interpretados per Edy, que na gíria da época era uma definição do homossexual, que com o nome bem sugestivo, mostrava a liberdade e a firmeza de assumir a sexualidade.

Confira abaixo a canção:
Bem Entendido
Cantor: Edy Star.
Compositores: Roberto Piauí e Sérgio Natureza.

11 de mai. de 2019

Espaço Musical: Nine out of ten.

Em 11 de maio se comemorara no Brasil o Dia Nacional do Reggae, em homenagem ao eterno Bob Marley. O músico jamaicano um ano antes da sua morte, veio ao Brasil onde já era reverenciado por um grande número de amantes das suas canções. Bob é um grande influente da música brasileira. A canção Nine out of tem, de 1972 do álbum Transa do músico e compositor baiano Caetano Veloso, é considerado a primeira canção de Reggae no Brasil. Tendo como grande inspiração do reggae nacional Bob Marley, entre outros grandes nomes deste ritmo jamaicano, que a cultura brasileira se identificou. 

Caetano Veloso
Em 1968, ano que marcou os movimentos contracura, marcou a história da música, nascia dos estilos musicais do Ska e do Rocksteady em terras jamaicanas um ritmo musical que marcou gerações, o Reggae. Lee “Scratch” Perry, Joe Gibbs e King Tubby foram os grandes nomes da origem deste gênero musical, que foi levado para fora da Jamaica pelo produtor Chris Blackwel, que final da década de 1960 apresentou o Reggae na Inglaterra.
Mas foi na década de 1970 que o Reggae estourou no mundo, após o filme jamaicano Balada Sangrenta (1972) estrelado por Jimmy Cliff, levando na sua trilha sonora o gênero musical, que no mesmo ano chegou no Brasil. No qual Jimmy Cliff veio ao país no Festival Internacional da Canção. Mas o Reggae acabou sendo adorado no mundo todo, a partir o músico, compositor jamaicano Robert Nesta Marley, ou simplesmente Bob Marley, para muitos o maior nome do ritmo musical, e dado como o Deus do Reggae.
Álbum Transa - 1972 - Caetano Veloso
Bob Marley começa sua carreira em 1963, com a banda The Wailers, mas em 1977 com o álbum Exodus, o músico jamaicano se tornou um dos maiores nomes da música do planeta. Influenciando e inspirando músicos em todos os lugares, Marley e o Reggae ganharam aderes no Brasil. A canção Nine out of ten, do músico e compositor baiano Caetano Veloso do álbum Transa de 1972, foi a primeira canção do gênero no país.
A partir de Caetano, do seu eterno companheiro Gilberto Gil, o Reggae começou a fazer parte da música brasileira. Na década de 1980 com a formação da banda Tribos de Jah no Maranhão, o Reggae estourou de vez, fazendo do Estado maranhense a referencia do Reggae no país, e criando uma legião vestidos de verde, amarelo e vermelho, nas cores do Reggae. Em 2012 foi titulado o dia 11 de maio, data que marcou a morte de Bob Marley vitima de câncer, como o Dia Nacional do Reggae, uma bela homenagem ao ídolo e deste ritmo que e reverenciada por gerações.

Confira abaixo a canção:
Nine out of ten
Cantor/Compositores: Caetano Veloso.

I walk down Portobello road to the sound of reggae
I'm alive
The age of gold, yes the age of old
The age of gold
The age of music is past
I hear them talk as I walk yes I hear them talk

I hear they say
"Expect the final blast"
I walk down Portobello road to the sound of reggae
I'm alive

I'm alive, vivo muito vivo feel the sound of music
Banging in my belly
Know that one day I must die
I'm alive
And I know that one day I must die
I'm alive
Yes I know that one day I must die

I'm alive vivo muito vivo
In the electric cinema or on the telly
Nine out of ten movie stars make me cry

I'm alive
And nine out of ten movie stars make me cry
I'm alive

19 de abr. de 2019

Interpretes do Brasil: Daniel Munduruku.

Baseando no portal Interpretes do Brasil, pretendo aqui além dos grandes nomes considerados pelo portal, como grandes intelectuais brasileiros, trazer outras personalidades que representaram e representam estes interpretes da realidade social, política, econômica e cultural do Brasil. Em referência ao Dia do Índio, comemorado nos continentes Americanos, o interprete de hoje é o professor e filósofo Daniel Munduruku, da etnia indígena Munduruku na região de Belém – PA. 

Daniel Munduruku
Em 19 de abril se comemora nos continentes das Américas, Sul, Central e Norte, o Dia do Índio, nome dado aos povos existentes nas Américas antes da colonização europeias nos continentes relacionados. A data veio a partir do 1º Congresso Indigenista Interamericano, realizado em 19 de abril de 1940, que teve como objetivo refletir e trazer a preservação e valorização da cultura dos povos indígenas nas Américas.
A data foi oficializada no Brasil em 1943, através do Decreto-Lei nº 5.540, durante o governo Vargas. A data tem como maior objetivo refletir os problemas enfrentados pelos povos indígenas. Questões como a violência e genocídio dos povos indígenas ao longo da história das colonizações europeias, aos problemas das desigualdades sociais e exclusões contemporâneas.
Ao longo da história os povos indígenas no Brasil e em toda América foram ocupando seu espaço e reconhecimento. Apesar da real valorização das diversas etnias indígenas presentes no Brasil, esta longe do ideal. Mas ao longo da história muitos indígenas foram se destacaram e conquistando os direitos e valorizações de seus povos.
O professor e filósofo Daniel Munduruku é um dos exemplos de oriundos de etnias indígenas que se destaca na interpretação do Brasil, principalmente dentro da leitura da realidade dos povos indígenas. O paraense de Belém nasceu na etnia Munduruku, graduado em Filosofia, História e Psicologia, mestre em Antropologia Social e doutor em Educação, pela Universidade de São Paulo. Daniel se destaca pela literatura infantil e pela literatura escrita pelos povos indígenas.
Memórias de Índio - Daniel Munduruku
Em sua obra promove a valorização dos povos indígenas, e traz da história contata apenas da forma oral, para a literatura escrita e registrada, como forma de preservar os contos e a história dos povos indígenas. Premiado pela UNESCO pela sua obra Meu Avô Apolinário, Daniel Munduruku destaca por outras obras como História de Índio e Coisa, Coisa de Índio e As Serpeantes que Roubaram a Noite. As obras de Daniel se tornam grandes referencias para compreensão dos povos indígenas no Brasil, e o faz uma das grandes referências da literatura indígena no mundo. A obra Memórias de índio se torna uma autobiografia de Daniel, e suas vivências na aldeia Maracanã onde nasceu e foi criado.

31 de mar. de 2019

Canto Poético: Brasil é Democracia (Ditadura? Nunca mais!).

O nosso Canto Poético de hoje é para refletir uma data que NUNCA deve ser comemorada, pois um povo que respeita o espaço democrático, o direito do outro e a dignidade humana, não pode exaltar em sua história um período marcado por autoritarismo, tortura e morte. 31 de março de 1964 foi um GOLPE de Estado, e da Democracia no Brasil. O cordelista Paulo Borja nos provoca a reflexão no seu cordel Brasil é Democracia (Ditadura? Nunca mais!).

Paulo Borja
Em 31 de março de 1964, o Brasil iniciava um dos períodos mais sombrios e violentos da sua história contemporânea. Começava neste dia um golpe de Estado realizado pelos militares diante o governo de João Goulart, período que durou 21 anos, marcados pela censura, opressão, tortura e morte de quem se opusesse contra o regime autoritário militar.
O inicio deste período macabro da história brasileira, se deu em 1961, com a renúncia de Jânio Quadros, diante pressões que sofreu no seu curto mandato. E seu vice, João Goulart assumiria em seu lugar, mas desde o início ele já sofria a pressão dos militares, que via em Jango, uma ameaça aos interesses das políticas estadunidenses capitalistas no país. Já que o presidente que assumia naquele momento, vinha de relações com países socialistas como a União Soviética, que naquele momento vivia em tenções de guerra com o Estados Unidos por conta da divisão bipolar entre capitalismo e socialismo, no período marcado da Guerra Fria (1947 - 1991).
Estes contextos foram ganhando tensões de 1961 a 1964, onde Jango ficou limitado em suas atribuições como presidente, pelo fato do Congresso Nacional ter aprovado a emenda Constitucional nº4, tornando o regime presidencial em parlamentar, assim Jango ficava com poderes como presidente restrito, e o parlamento ficavam com Tancredo Neves, primeiro-ministro, com mais força. Em 1963, a partir de um referendo, o período parlamentarista republicano no Brasil chegou ao fim, e João Goulart volta a ter maiores poderes enquanto presidente.
E neste período Jango começa colocar em plano várias de suas políticas, marcadas com grandes reformas de base no país, incomodando os detentores  dos poderes econômicos e políticos, e os Estados Unidos, que via uma grande ameaça de viés socialista nos seus interesses na América Latina. Assim com apoio dos estadunidenses os militares no Brasil, com a justificativa de uma ameaça comunista, com as políticas de esquerda de Jango, se opuseram ao presidente, e todas as bases do governo, que tinha apoio principalmente dos estudantes universitários.
E em 31 de março de 1964, foi declarado o Golpe de Estado impondo o exílio do presidente, e dando inicio ao regime militar no Brasil, com uma posição ditatorial. Assim o primeiro período da democrático no Brasil teve o fim, com a volta de um governo autoritário, sem diálogo e com vários atos de violência. E em 09 de abril de 1964, com o Ato Institucional nº1, foi dado o poder ao Congresso Nacional escolher o novo presidente, o general Humberto de Alencar Castelo Branco, dando inicio a este período autoritário, violento e sombrio na história do Brasil.
Ao longo destes 21 anos de ditadura no Brasil, muita gente foi torturada e assassinada, simplesmente por se opor ao regime militar. Vários historiadores, pesquisadores, músicos, poetas, artistas, políticos que viveram esta história, relataram tempos macabros na história contemporânea no Brasil. Por isto, 31 de março, não é dia de comemorar, mas sim refletir as ameaças a democracia, e o quanto o autoritarismo eleva as desigualdades e a violência dos direitos humanos, sociais, políticos e civis.
O professor, físico, músico, poeta cordelista paulista Paulo Roxo Borja, publicou pela Cordéis Joseenses da LABCOM/ UNIVAP, em 2014, o cordel Brasil é Democrático (Ditadura? Nuca mais!), que reflete os impactos que a ditadura militar no Brasil entre 1964 a 1985 causou. Uma ótima leitura de reflexão para compreender que dia 31 de março não tem nada para comemorar, e sim refletir que um governo extremista ditatorial não representa de forma nenhuma a democracia e os direitos de um povo.

BRASIL É DEMOCRACIA (DITADURA? NUNCA MAIS!)
Por: Paulo Borges
Quando me pego pensando
no Brasil que havia antes,
quando muitos não podiam
nem sequer ser estudantes,
percebo, ao longo da História,
mudanças interessantes.

O Brasil, por muito tempo,
reprimiu a liberdade
de cidadãos que buscavam
melhorar a sociedade;
alguns partiram pro exílio
ou pra clandestinidade.

Na noite de duas décadas,
muita gente sucumbiu
por querer democracia
aqui mesmo, no Brasil.
Página triste da História:
só não teme quem não viu.

A verdade é uma só:
foi cruel a ditadura!
Tanto o povo quanto artistas
foram alvo de censura.
Pior: muito brasileiro
foi vítima de tortura.

Havia tensão constante.
Figueiredo foi falar
de abertura democrática:
"vou prender e arrebentar"
- era assim que se expressava
Cordel: Brasil é Democracia (Ditadura? Nunca Mais!) - Paulo Borja
presidente militar...

Veio então democracia:
a vida já melhorava,
mas a velha corrupção
ainda continuava...
Investigações mais sérias
o governo engavetava.

Dezenas de gravações:
compra de votos provada.
Na onda da reeleição,
privatização errada:
a Vale valia muito
e se foi, de mão beijada...

Para agradar estrangeiros,
quiseram colocar “X”
no nome da Petrobras,
desrespeitando o país,
mas o povo protestou
e dessa vez foi feliz.

No século XXI,
novidade surpreendente:
o Brasil passou a ter
o operário presidente
que fez acordo com muitos
e encarou outros de frente.

Mudou o nosso comércio:
estreitou, enfim, contato
com los hermanos e a África.
Sem fazer espalhafato,
o nosso salário mínimo
com ele cresceu de fato.

Depois de ser reeleito
com imensa votação,
o seu governo enfrentou
denúncias da oposição
e a Justiça, até sem provas (!?)
emitiu condenação.

Nós seguimos sempre em frente;
não há controvérsia nisso.
Nos problemas que encontramos
não queremos "dar sumiço":
encarar pra resolver
é melhor que ser omisso.

Quando enfim uma mulher
assumiu a presidência,
a Polícia Federal
mostrou grande independência:
muitas investigações,
transparência, eficiência.

As Comissões da Verdade
têm trazido informação
sobre os desaparecidos
nos tempos da escuridão
que manchou a nossa História
causando consternação.

Cada passo é novo estágio
para o amadurecimento.
Os problemas do passado
não se encerram num momento,
mas a nossa consciência
já tem encontrado alento.

Quanto à inclusão social,
não é mais "alegoria":
temos hoje mais emprego,
mais lazer e moradia.
Falta, porém, muito ainda
pra clarear nosso dia.

Temos universidades
muito boas, afinal;
falta, porém, melhorar
o ensino fundamental
para assim desenvolver
consciência nacional.

Um problema grave ainda:
o poder da grande imprensa
nas mãos de poucas famílias
- a distorção é imensa.
Regulamentar a mídia
será uma batalha intensa!

Falta reforma política,
uma importante demanda;
lutar contra a corrupção
(senão o país não anda);
combater o preconceito
- luta que nunca foi branda.

Uma coisa é evidente
pra mim, até por demais:
ruas praças e avenidas
nas casas e nos quintais,
BRASIL É DEMOCRACIA;
DITADURA NUNCA MAIS!

Destaque