24 de out de 2018

História em Futebol de Botão: Sheffield F.C o time mais antigo do mundo

Apesar de tantas histórias sobre a origem do futebol, foi na cidade de Sheffield na Inglaterra que começou o futebol que conhecemos, e que se tornou um dos esportes mais populares e praticados do mundo.

Sheffield FC 1857
Nathaniel Creswick e William Prest são dois britânicos da cidade de Sheffield, amantes do críquete, esporte muito conhecido na Inglaterra, buscaram então uma forma de manter a forma física durante o inverno, já que o críquete é inviável sua prática neste período.
Assim em 24 de outubro de 1857 formaram o primeiro time de futebol do mundo, o Sheffield Football Club, que levou o nome da cidade conhecida como o berço do futebol. São eles também os pioneiros a inventar regras para o futebol, dando origem não só do primeiro time de futebol, mas também a “Regra de Sheffiel”, dada como as primeiras regras para o futebol que conhecemos hoje.
O Sheffield F.C. deu caminhos a um dos esportes mais conhecidos do mundo, o futebol. E deu os primeiros caminhos para a profissionalização e organização do esporte. Apesar disto, o Sheffield F.C. disputa a Northern Premier League Division One South, espécie de oitava divisão do campeonato inglês de futebol.
Mesmo o Sheffield F.C. sendo um time na atualidade semi-profissional, o clube não perde sua grandeza quando se trata do time mais antigo do mundo, reconhecido pela FIFA em 2004, sendo homenageado com o prêmio Ordem de Mérito da FIFA (a mais alta premiação dada pela Federação Internacional de Futebol), prêmio este que só o Real Madrid recebeu, isto se deve pela relevância do clube para o futebol.
Sheffield FC 2017
Apesar do clube não ter outro grande título, leva no peito com orgulho, logo abaixo do seu escudo como o time mais antigo do mundo, “The World’s Firts Football Club”. E em 2017, o clube comemorou o seus 160 anos de história, com um belo uniforme e comemoração a data.   

Segue abaixo os modelos para botão do jogo:

17 de out de 2018

História em Futebol de Botão: Cruzeiro, Hexacampeão da Copa do Brasil 2018

Cabuloso é uma gíria que significa algo ou alguém que causa medo. Um bom adjetivo para um time de futebol que conquista pela sexta vez a Copa do Brasil, se tornando o maior campeão, e tendo o feito inédito de conquistar a competição pelo segundo ano seguinte. Mas o adjetivo veio antes, e se afirmou pela ousadia de ter vencido todos os jogos na casa do adversário. O Cruzeiro Esporte Clube, é realmente Cabuloso. 

Cruzeiro Hexacampeão da Copa do Brasil 2018
“Existe um grande time na cidade”, é assim que o Cruzeiro Esporte Clube se impôs aos seus adversários na sua campanha do Hexacampeonato da Copa do Brasil de 2018. O time comandado pelo técnico tricampeão da Copa do Brasil, Mano Menezes, venceu todos os jogos fora de casa, mostrando que não é só “nos gramados de Minas Gerais”, que o Cruzeiro Cabuloso, assim apelidado pela torcida na competição, que o clube tem “páginas heroicas e imortais”.
Como atual campeão da edição 2017, o Cruzeiro estreou na busca de defender o título, contra o Atlético Paranaense, jogo válido já pelas oitavas de final no dia 16 de maio. Sendo o primeiro jogo na Arena da Baixada em Curitiba, com vitória de virada da Raposa, depois do gol de falta de Thiago Carleto, o cruzeiro virou com gols de Henrique de fora da área, e no último lance do garoto Raniel que tinha saído do banco, e recebeu ótimo lançamento do zagueiro Dedé. No jogo de volta em Minas, só depois da Copa do Mundo, no dia 16 de julho, o Cruzeiro cadenciou muito o jogo, e o uruguaio Arrascaeta, que tinha chegado a poucos dias do Mundial da Rússia, onde defendeu seu país, saiu do banco para abrir o placar faltando poucos minutos para o fim do jogo, que ainda teve um gol do Atlético Paranaense, no último lance com Bérgson, mas já tarde para uma reação.
Nas Quartas de Final o Cruzeiro começava uma jornada pelos estádios de futebol do Estado de São Paulo. A primeira parada na Vila Belmiro em Santos, no dia 1º de agosto, onde o Cruzeiro Cabuloso surpreendeu o time da casa, ao vencer por 1 a 0 com gol do atacante Raniel, que novamente saiu do banco, e deu a vitória ao time celeste. Já no segundo jogo no Mineirão em Belo Horizonte, no dia 15 de agosto, o Cruzeiro saiu na frente logo de cara com Thiago Neves, e perdeu chances de ampliar. Foi ai que o Time da Vila reagiu, e com gols do atacante Gabriel Barbosa, que acabou se tornando no final da competição o artilheiro da competição ao lado de Rómulo e Neilton, e do atacante Bruno Henrique, o Santos surpreendeu e virou o jogo, e com o resultado a partida foi para os pênaltis.
Comemoração "Vikings" do Cruzeiro Cabuloso
Nesta hora o ídolo imortal do time Celeste brilhou. Fábio defendeu três pênaltis, pediu música no Fantástico, e mais uma vez se consagrou diante a torcida azul e branca. E de forma dramática o Cruzeiro continuou vivo na competição e continuou sua jornada em São Paulo.
Na Semifinal o Cabuloso pegou um velho rival na competição, o seu chara, na época de Palestra, o Palmeiras. Pela quinta vez, Cruzeiro e Palmeiras se enfrentavam na Copa do Brasil, tendo em seus histórico duas finais, 1996 (Cruzeiro Campeão), 1998 (Palmeiras Campeão), duas vezes nas quartas, 2015 (onde o Palmeiras no final ficou com o título), e em 2017 (onde foi a vez do Cruzeiro no final vencer), e com este repertório de que passasse ali, praticamente era o campeão, Cruzeiro e Palmeiras fizeram mais um grande duelo.
No dia 12 de setembro, na Arena Palmeiras em São Paulo, o Cruzeiro novamente surpreendeu o seu adversário. Com 5 minutos de jogo, o atacante argentino Barcos, ex-Palmeiras, e que tinha várias partidas sem fazer um gol, depois de ótima jogada dos meias Thiago Neves e Robinho, recebeu a bola livre na entrada da área, e foi Cabuloso ao mandar no fundo da rede. Com vitória suada o Cruzeiro levou a vantagem para BH, e no dia 26 de setembro, um dia antes do aniversário de um ano da conquista da Copa do Brasil 2017, O Cruzeiro chegava a mais uma final. Segurou o Palmeiras, após um empate emocionante, com gols de Barcos para o Cruzeiro e do volante Felipe Melo para o Palmeiras.
A grande final então chegou, desta vez o primeiro jogo em casa, no dia 10 de outubro, contra um adversário cascudo, e cheio de rivalidades, o Corinthians, no qual o Cruzeiro tinha um incomodo após a derrota na final do Campeonato Brasileiro de 1998. Além da rivalidade, uma história forte de ligação com os dois clubes, onde além de vários ídolos em comum, tem o treinador Mano Menezes, que venceu sua primeira Copa do Brasil com a camisa alvinegra, e agora o enfrentaria na busca do seu tricampeonato.
Com uma partida de ataque e defesa, Cruzeiro teve várias chances, onde muitas foram paradas pelo goleiro corintiano Cássio, que também contou com a sorte. Mas no finalzinho do primeiro tempo, Thiago Neves, inverteu uma bola para o lateral celeste Egídio, que passou pelo adversário, e encontrou o próprio Thiago na área, que cabeceou, com direito a desvio no caminho, a bola no fundo do gol. Vitória suada, mas muito importante para o grande jogo da decisão em São Paulo.
Cruzeiro Hexacampeão da Copa do Brasil 2018
E o grande dia chegou, 17 de outubro, com um Itaquerão lotado, com o Corinthians com sua Fiel torcida, e o Cruzeiro com uma torcida fanática que mesmo em menor quantidade, não se intimou e cantou como loucos a partida toda. E como de esperar o jogo seria de emocionar qualquer um. O Corinthians que só defendeu em Minas, foi para cima, e pressionava a defesa celeste, que tinha Dedé, que mostrou porque o chamam de Mito. O Zagueiro tirou tudo, por cima, por baixo, até com a sombra se precisasse. Mas o Cruzeiro não recuou, e com a fama de Cabuloso, partiu para cima, e com a raça do meia Rafinha que tomou a bola do defensor, tocou para o atacante Barcos, que mandou uma bomba na trave, e no rebote, o meia celeste Robinho mandou para o fundo do gol aos 28 do primeiro tempo. Levando a torcida Celeste cantar mais alto que toda a Arena Corinthians.
Veio o segundo tempo, e o Timão mostrou reação e foi para cima. Aos 8 minutos Fábio espalmou uma bola para frente, Thiago Neves perdeu no domínio, e o volante Ralph aproveitou, mas usou da experiência e cavou um pênalti, que não foi assinalado no primeiro momento nem pelo árbitro da partida, nem para o auxiliar lateral. Foi então que entrou em ação o VAR (O árbitro de vídeo), uma novidade na competição, que começou a usar depois da Copa do Mundo de Futebol na Rússia de 2018. O árbitro Wagner do Nascimento, consultou o vídeo, e na pressão marcou o pênalti polêmico, e aos 10 minutos o meia Jádson empatou o jogo.
Aos 24 minutos mais uma vez o VAR. Depois de bola lançada na área, a bola sobrou dentro da área, o zagueiro Dedé, que tirou tudo na defesa celeste, afastou mais uma, só que após chutar a bola para frente, o meia Jádson deixou o braço no rosto do zagueiro, o lance continuou, e o meia Pedrinho, um garoto da base corintiana, que fez o gol da classificação na semifinal, mandou um chutaço no ângulo do goleiro Fábio, e depois de tanto comemorar, Wagner foi analisar a falta em Dedé, no qual originou o lance. E voltou atrás anulando o gol que daria a chance para o time alvinegro.
Com um balde de água fria, o Corinthians sentiu, e no erro da marcação o atacante Raniel recebeu ótimo passe, e com toda tranquilidade achou o meia Arrascaeta. Que depois de ter jogado um dia antes pela Seleção Uruguai em um amistoso no Japão, atravessou o mundo em 24h, chegando menos de 6h para a decisão, e receber uma bola cara a cara com o goleiro Cássio. E com um toque de cobertura, sagrou o time celeste com a vitória aos 37 minutos da etapa final. Ai foi só festa, o Cruzeiro Cabuloso, se consagrou Hexacampeão da Copa do Brasil, o maior campeão da competição, fazendo a festa no campo adversário.

Segue abaixo os modelos para botão do jogo:
CRUZEIRO: 1. Fábio, 12. Rafael, 39. Vitor Eudes e 38. Gabriel Brazão; 22. Edilson, 29. Lucas Romero e 2. Ezequiel; 26. Dedé, 3. Léo, 4. Murilo, 27. Manoel e 14. Cacá; 6. Egídio, 25. Marcelo Hermes, 15. Patrick Brey e 36. Rafael Santos; 8. Henrique, 16. Lucas Silva, 5. Cabral, 20. Bruno Silva, e 40. Éderson; 19. Robinho, 30. Thiago Neves, 10. Arrascaeta, 18. Rafinha, 21. Mancuello e 37. Michel; 28. Barcos, 17. Raniel, 99. Sasá, 7. Rafael Sóbis, 11. David, 31. Marcelo e 9. Fred.

13 de out de 2018

Espaço Musical: Bicho Homem

Raimundo Fagner é um dos grandes nomes da música brasileira, principalmente ao trazer em suas canções uma musicalidade poética. Fagner traz em suas referências vários nomes da poesia, como Francisco Carvalho. Seu conterrâneo, que fez parte da Academia Cearense de Letras, e traz em seus poemas reflexões diante o ser humano e a sociedade em sua volta. O poema Bicho Homem de Carvalho, musicado por Fagner no seu álbum Donos do Brasil, 2004, é uma mistura da música e poesia onde mostra toda a intelectualidade e arte do povo nordestino. 

Fagner 
O poeta e escritor Francisco Carvalho natural de Russas, Ceará, é um grande escrito e poeta, como vários outros nordestinos, que teve sua consagração ao entrar na Academia Cearense de Letras. Carvalho também foi reconhecido pelo seu conterrâneo Raimundo Fagner, que tem na referência do poeta, a inspiração para suas composições.
Fagner nascido em Orós, Ceará, em 13 de outubro de 1949, se tornou uma das maiores vozes da música popular brasileira, misturando vários ritmos e com letras poéticas. Teve vários inspiradores na poesia, que contribuíram para suas composições, ou sua musicalidade no qual musicou vários poemas. No seu álbum Donos do Brasil, 2004, o músico lançou a canção Bicho Homem, no qual musicou o poema de Francisco Carvalho, com mesmo título.  
Álbum: Donos do Brasil - 2004 - Raimundo Fagner
Um poema que nos leva a refletir o ser humano e suas ações no mundo. Podendo observar as consequências que o homem causou com todas suas transformações no mundo, desde questões como ganância, destruição e violência. Bicho Homem, é uma provocativa de questionamentos muito bem elaborada por Carvalho, e que Fagner nos traz como canção.



Confira abaixo a Canção:
Bicho Homem
Compositor/Cantor: Francisco Carvalho/ Raimundo Fagner

Que bicho é o homem que ama e desama, que afaga e magoa
E que às vezes lembra um anjo em pessoa?
O homem que vai para a eternidade num saco de lixo
Que bicho é o homem de salário fixo?
Que bicho é o homem que trapaceia, que às vezes pensa
Que é mais brilhante do que a papa ceia?
Que bicho é esse que escreve as vogais das cinzas do pai?
De onde ele veio e para onde vai?
Que bicho é o homem que se interroga léguas de volúpia
Sonhos e utopias tudo se evapora
Que bicho é o homem de argila e colosso que lavra e semeia?
Mas só colhe insônias em lavoura alheia?
Os rastros do homem no vento ou na água são rastros de fera
Mas que bicho é esse que se dilacera?
O homem suplica, os deuses concedem, que bicho é o homem
Que sempre regressa às praias do Éden?
Que bicho é o homem que escreve poemas na aurora agônica
E depois acende a fogueira atômica?

Que bicho te oferta um ramo de rimas
E à sombra dos mortos semeia gemidos por sete Hiroximas?
Que bicho te espreita aos olhos dos becos
Onde os cães insones mastigam as sombras dos antigos donos?
Que bicho é o homem que rasteja e voa, que se ergue e cai?
De onde ele veio e para onde vai?
Que bicho é o homem, de onde ele veio e para onde vai?
Onde é que entra de onde é que sai?

12 de out de 2018

Espaço Musical: Ser Criança

O Dia da Criança é comemorado no dia 12 de outubro no Brasil, desde o ano de 1924. O músico e compositor Rubinho do Vale, é um dos cantores brasileiros que mais voltou suas canções para a criançada. Em 1991, o álbum Ser Criança, foi um dos seus trabalhos mais elogiados, e que trouxe como proposta preservar as cantigas de roda, e trazer na musicalidade regional do Vale do Jequitinhonha, canções para o público infantil. 

Rubinho do Vale
Em 05 de novembro de 1924 com o decreto de lei nº 4867, da proposta do deputado federal fluminense, Galdino do Valle Filho, oficializou o Dia da Criança no Brasil no dia 12 de outubro. A data teve uma mudança no ano de 1940 no governo Vargas, para o dia 25 de março. Mas nos anos de 1960 a data retornou para o dia 12 de outubro, após campanha publicitária das empresas Estrela e Johnson & Johnson.
Em outros lugares a comemoração muda de data, alguns inclusive seguem o calendário da Organização das Nações Unidas, comemorado no dia 20 de novembro, após a Declaração Universal dos Direitos da Criança em 1959. Outros seguem a data de 1º de junho como o Dia Internacional da Criança, após a Conferência Mundial para o Bem-Estar da Criança em Genebra, Suíça, em 1925.
Aqui no Brasil é um dia para celebrar o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que tem como objetivo combater a vulnerabilidade, a violência e a desigualdade social deste público. Além de uma data para reviver a infância e dar maior atenção àqueles que a sociedade aposta serem a diferença para o futuro.
Álbum Ser Criança - 1991 - Rubinho do Vale
O músico e compositor Rubinho do Vale, do município de Rubim – MG, no Vale do Jequitinhonha, é reconhecido por trazer em sua musicalidade a regionalidade do Vale, além de voltar várias canções ao público infantil. Em 1991, Rubinho lançou o álbum Ser Criança, que promove várias canções para a criançada, preservando as cantigas de roda. A canção de mesmo nome do álbum, traz todo encantamento deste período tão marcante da vida, fazendo reflexões da importância de viver a infância.

Confira abaixo a Canção:
Ser Criança
Compositor/Cantor: Rubinho do Vale

Ser criança é bom demais
despreocupar com tudo que se faz
dar um pulo, um grito e uma risada
levar a vida bem vivida e bem amada

ter uma rua e um parque prá brincar
o dia inteiro sem ter hora de parar
depois dormir, sonhar com a fantasia
e acordar num mundo cheio de alegria

ter uma escola e uma casa prá morar
boa saúde prá brincar e prá correr
ter amor e carinho todo dia
e um mundo lindo e limpo prá poder viver

11 de out de 2018

Espaço Musical: Índios

Em 11 de outubro de 1996, o Brasil perdia um dos grandes nomes da música, Renato Russo. Renato junto aos jovens Renato Rocha, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, formaram na década de 1980 a Legião Urbana, uma das maiores bandas musicais brasileira de todos os tempos. A canção Índios lançada no álbum Dois em 1986, é uma das mais famosas canções da banda, onde retrata a cultura indígena, e ao mesmo tempo uma reflexão da ganância humana, e das intolerâncias na sociedade. 

Legião Urbana
Em 1982 surgia a banda de punk rock Legião Urbana na cidade de Brasília, Distrito Federal. Entre diversos nomes que passaram pelo grupo musical, o baixista Renato Rocha, o baterista Marcelo Bonfá, o guitarrista Dado Villa-Lobos e o cantor e compositor Renato Russo, foram fundamentais para o sucesso da banda.
Renato Russo, nascido na capital do Rio de Janeiro, ainda criança mudou-se para Brasília, é um dos fundadores da banda, e um dos maiores nomes da música brasileira. Reconhecido pelas suas composições, Renato morreu aos 36 anos, no dia 11 de outubro de 1996, deixando um legado a juventude brasileira.
Álbum Dois - 1986 - Legião Urbana
Entre tantas canções, Índios, lançada no álbum Dois, em 1986, com um estilo pós-punk, promove uma demonstração da musicalidade brasileira, e de uma reflexão da cultura indígena, a colonização portuguesa no Brasil, e a ganância humana. A canção reconhecida entre uma das mais importantes da banda Legião Urbana, é um exemplo do quando Renato Russo e a Legião, se tornaram um símbolo da música crítica e jovem no Brasil.
Trazer Índios nos tempos atuais, não é só refletir um contexto histórico brasileiro, mas é observar a mensagem em que o compositor deixa diante a ganância e a intolerância da sociedade. Podemos observar a questão dos impactos socioambientais, a questão da violência simbólica, e até mesmo da intolerância religiosa, e o uso da religiosidade para os interesses e ganância do sistema de produção capitalista.

Confira abaixo a Canção:
Índios
Compositor/Cantor: Legião Urbana – Renato Russo.

Quem me dera ao menos uma vez
Ter de volta todo o ouro que entreguei a quem
Conseguiu me convencer que era prova de amizade
Se alguém levasse embora até o que eu não tinha

Quem me dera ao menos uma vez
Esquecer que acreditei que era por brincadeira
Que se cortava sempre um pano de chão
De linho nobre e pura seda

Quem me dera ao menos uma vez
Explicar o que ninguém consegue entender
Que o que aconteceu ainda está por vir
E o futuro não é mais como era antigamente

Quem me dera ao menos uma vez
Provar que quem tem mais do que precisa ter
Quase sempre se convence que não tem o bastante
Fala demais por não ter nada a dizer

Quem me dera ao menos uma vez
Que o mais simples fosse visto como o mais importante
Mas nos deram espelhos
E vimos um mundo doente

Quem me dera ao menos uma vez
Entender como um só Deus ao mesmo tempo é três
E esse mesmo Deus foi morto por vocês
Sua maldade, então, deixaram Deus tão triste

Eu quis o perigo e até sangrei sozinho, entenda
Assim pude trazer você de volta pra mim
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do início ao fim

E é só você que tem a
Cura pro meu vício de insistir
Nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi

Quem me dera ao menos uma vez
Acreditar por um instante em tudo que existe
E acreditar que o mundo é perfeito
E que todas as pessoas são felizes

Quem me dera ao menos uma vez
Fazer com que o mundo saiba que seu nome
Está em tudo e mesmo assim
Ninguém lhe diz ao menos obrigado

Quem me dera ao menos uma vez
Como a mais bela tribo
Dos mais belos índios
Não ser atacado por ser inocente

Eu quis o perigo e até sangrei sozinho, entenda
Assim pude trazer você de volta pra mim
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do início ao fim

E é só você que tem a
Cura pro meu vício de insistir
Nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi

Nos deram espelhos e vimos um mundo doente
Tentei chorar e não consegui

2 de out de 2018

Espaço Musical: Apenas um Rapaz Latino-Americano

Em 1976 era lançado o álbum Alucinações do cantor e compositor Belchior, que trazia seus grandes sucessos. Entre várias canções destaca a música Apenas um Rapaz Latino-Americano, que nos provoca a partir da história vivida pelo cantor, refletir a história de um jovem migrante cearense para o Rio de Janeiro em plena ditadura militar, entendendo as censuras e a opressão diante a liberdade que este período ficou marcado na história do Brasil. 

Belchior
Em 26 de outubro de 1946, nascia na cidade de Sobral - CE, Antônio Carlos Belchior, ou simplesmente Bel, que ainda criança já mostrava seus dons musicais e poéticos. Aos 16 ano mudou-se para a capital cearense, Fortaleza, e começou a estudar filosofia e humanidades, e logo em seguida ingressou na Faculdade Federal do Ceará, no curso de medicina, no qual abandonou. Foi quando se juntou a Fagner, Ednardo, Rodger Rogério, Teti, Cirino entre outros jovens músicos cearenses, formando o grupo O Pessoal do Ceará.
A partir daí o Rapaz Latino-Americano, engajou de vez no mundo da música. Apresentando em vários festivais em todo Nordeste, decidiu mudar-se para o Rio de Janeiro no ano de 1971. “Sem dinheiro no bolso, sem amigos importantes e vindo do interior”, Bel chega na capital carioca, diante um fervor do governo militar na época.
No ano de 1976, Belchior lança seu grande disco, o álbum Alucinações, que traz
Álbum Alucinações - 1976 - Belchior
diversas canções que nos promove refletir o Brasil daquela época, de uma forma poética e filosófica. Entre tantos sucessos, a faixa 1 do lado A do disco, foi o maior sucesso do cantor poeta, Apenas um Rapaz Latino-Americano, que trouxe sua história e as críticas a ditadura militar.
 A canção que traz versos fortes, reflete a vinda do autor do interior do Ceará, para o Rio de Janeiro, colocando sua motivação a partir das canções de Caetano e Gil, com o movimento Tropicalismo. Ao longo da canção, o jovem cantor latino-americano, vai descrevendo suas vivências, e mostrando como a censura e a falta da liberdade faziam parte daquela época. É onde o cantor provoca o regime, e promove a compreensão de como as pessoas viam este período.
A canção é uma boa reflexão para compreender a realidade social de uma época marcada pela falta de liberdade. Além de provocar como a juventude observava um governo autoritário, e se colocava diante ele. Apenas um Rapaz Latino-Americano é uma história de vários jovens, assim como Belchior, que saíram na busca de algo melhor.

Confira abaixo a Canção:
Apenas um Rapaz Latino-Americano
Compositor/Cantor: Belchior.

Eu sou apenas um rapaz
Latino-Americano
Sem dinheiro no banco
Sem parentes importantes
E vindo do interior

Mas trago de cabeça
Uma canção do rádio
Em que um antigo
Compositor baiano
Me dizia
Tudo é divino
Tudo é maravilhoso

Mas trago de cabeça
Uma canção do rádio
Em que um antigo
Compositor baiano
Me dizia
Tudo é divino
Tudo é maravilhoso

Tenho ouvido muitos discos
Conversado com pessoas
Caminhado meu caminho
Papo, som, dentro da noite
E não tenho um amigo sequer
Que ainda acredite nisso não
Tudo muda!
E com toda razão

Eu sou apenas um rapaz
Latino-Americano
Sem dinheiro no banco
Sem parentes importantes
E vindo do interior

Mas sei
Que tudo é proibido
Aliás, eu queria dizer
Que tudo é permitido
Até beijar você
No escuro do cinema
Quando ninguém nos vê

Mas sei
Que tudo é proibido
Aliás, eu queria dizer
Que tudo é permitido
Até beijar você
No escuro do cinema
Quando ninguém nos vê

Não me peça que eu lhe faça
Uma canção como se deve
Correta, branca, suave
Muito limpa, muito leve
Sons, palavras, são navalhas
E eu não posso cantar como convém
Sem querer ferir ninguém

Mas não se preocupe meu amigo
Com os horrores que eu lhe digo
Isso é somente uma canção
A vida realmente é diferente
Quer dizer
Ao vivo é muito pior

E eu sou apenas um rapaz
Latino-Americano
Sem dinheiro no banco
Por favor
Não saque a arma no Saloon
Eu sou apenas o cantor

Mas se depois de cantar
Você ainda quiser me atirar
Mate-me logo!
À tarde, às três
Que à noite
Tenho um compromisso
E não posso faltar
Por causa de vocês

Mas se depois de cantar
Você ainda quiser me atirar
Mate-me logo!
À tarde, às três
Que à noite
Tenho um compromisso
E não posso faltar
Por causa de vocês

Eu sou apenas um rapaz
Latino-Americano
Sem dinheiro no banco
Sem parentes importantes
E vindo do interior
Mas sei que nada é divino
Nada, nada é maravilhoso
Nada, nada é secreto
Nada, nada é misterioso, não

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