25 de jun. de 2021

Caboclo D’água: lenda das águas do Velho Chico.

O Rio São Francisco sem dúvida é um símbolo da identidade e da cultura brasileira, suas histórias e lendas reforçam o pertencimento que ele proporciona. Uma destas lendas é de um ser sobrenatural, que vive nas profundezas do Velho Chico, e vem assombrando ribeirinhos, pescadores, canoeiros, lavandeiras, marinheiros e banhistas de ponta a ponta do Opará, antes mesmo da vinda dos colonizadores europeus no Brasil. O ser monstruoso é conhecido como Caboclo D’água

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O Rio São Francisco ou Velho Chico, chamado também de Opará pelas etnias indígenas, ou o rio/mar, por sua grande dimensão. Nascendo no município de São Roque em Minas Gerais, na região do Parque Nacional da Serra da Canastra, tendo seus afluentes passando por mais de quinhentos municípios, de sete estados diferentes. E depois de percorrer quase três mil quilômetros, deságua no oceano Atlântico.

Benjamim Guimarães - Rio São Francisco

Em toda sua extensão, o rio foi palco de muitas histórias e lendas. Entre estas lendas conta de uma monstruosa criatura que vive nas profundezas do Chico. Ela teria uma forma humanoide, com uma cabeça grande, mas apenas com um olho, no centro do rosto, e um corpo deformado, meio peixe, meio gente. E mesmo de estrutura baixa, teria uma força e velocidade gigantesca, deslocando rapidamente de um lugar para outro.

Segundo a lenda, ele vive dentro de uma gruta de ouro, onde ele seria uma espécie de guardião. Alguns mencionam que existe vários dele espalhado no São Francisco, mas a lenda afirma que existe apenas um, que assombra todo o rio.

O Caboclo D’água vem assombrando o Velho Chico antes mesmo da disputa entre colonizadores portugueses e franceses sobre o rio. E tem em suas principais vítimas lavandeiras, canoeiros e pescadores. Sempre atacando de forma violenta aqueles que se encontram distraídos nas margens e no meio do rio.

Carrancas do Velho Chico

Mas este ser, que para muitos é um espírito ruim e traiçoeiro, teria um grande pavor de dois símbolos místico. Um seria a pintura de uma estrela, que pescadores e canoeiros, pintam no casco das suas embarcações. E a outra, que ele teria mais medo ainda, seria uma carranca esculpida e colocada na proa das embarcações, um símbolo milenar que expulsa os espíritos malignos.

O Caboclo D’água sem dúvida é um ser místico e que provoca o imaginário de ribeirinhos do São Francisco e a todos que conhece a lenda, e sem dúvida ele tem sua representatividade na cultura e folclore sertaneja brasileira. Podemos achar que é apenas uma lenda para assustar crianças teimosas que querem entrar no rio, mas á conselho de qualquer canoeiro e pescador, é sempre bom pintar sua estrela e/ou colocar sua carranca, e fique atento, pois ele é traiçoeiro e violento, e pode te levar para o fundo do Chico.  

11 de jun. de 2021

Festas Juninas: da origem a representatividade da identidade no Sertão.

As festividades juninas sem dúvidas faz parte da identidade brasileira, especificando aqui a identidade sertaneja, principalmente do Norte e Vale do Jequitinhonha em Minas Gerais, a todo interior do Nordeste Brasileiro. Mas engana quem acha que esta festividade é apenas ligada a crença cristã católica, ela tem suas origens antes mesmo de Cristo, e dos santos católicos que popularizaram com ela. 

São João, São Pedro e Santo Antônio, sem dúvida popularizaram as Festas Juninas em todo o Brasil, principalmente na cultura caipira e sertaneja, mas esta festividade tem origens muito antes dos santos da Igreja Católica, e antes mesmo do próprio cristianismo.

Santo Antônio

As festas juninas são milenares, de origem pagã, com o solstício de verão no hemisfério norte, no dia 24 de junho, os povos hindus comemoram esta data em agradecimento ao Sol, pela contribuição a fertilidade da terra, e a fartura da colheita.

Esta festividade foi adotada pelo cristianismo, tendo na figura de São João Batista, o anunciador de Jesus Cristo, comemorado neste dia. Onde segundo as passagens sagradas cristãs, São João, nasceu exatamente em 24 de junho, representando o dia de solstício de verão, e Cristo, seis meses depois, em 25 de dezembro, no solstício de inverno, no hemisfério norte, o que corresponde o oposto no hemisfério sul.

São João

No Brasil a festa veio desde o processo de colonização europeia, que impôs a crença cristã, sendo os jesuítas portugueses responsáveis por popularizarem as comemorações de Santo Antônio (13 de Junho), São João (24 de Junho) e São Pedro (29 de Junho), e dentro do processo de sincretismo religioso e cultural, as celebrações religiosas, começaram a ganhar uma nova identidade. As danças de roda, em destaque a quadrilha, e a musicalidade, também têm características dos povos europeus, principalmente dos portugueses e franceses.


Os fogos têm origens principalmente dos povos orientais, como a origem das fogueiras, que já adotada no cristianismo, tem na cultura do hinduísmo em comemoração ao Deus Agni, e as festas de solstício do hemisfério norte. Já os fogos de artifício têm em sua origem os povos chineses.

 Os povos indígenas, e os povos africanos, também contribuíram na identidade da Festa Junina. Muito da culinária, que simboliza a festividade, tendo o milho como um dos alimentos mais simbólicos vem das culturas indígenas. Assim como o tempero das culturas africanas.

São Pedro

A festividade ganhou traços e identidade em todo o território nacional. Sendo mais forte no interior do país, carregando tradição, mas ao mesmo tempo se modernizando. A fogueira, as danças, a comida, bandeirolas, bandeiras, fogos, fazem parte de tradições, que foram se modernizam ao longo do tempo.

Uma festa com várias origens em um processo de sincretismo é comum estas transformações, que carrega tradições, mas é traduzida de acordo o lugar e época que se passa. Sempre carregando a identidade de pertencimento, principalmente no Sertão, onde se torna o lugar das memórias e dos encontros. E assim demonstra porque faz da nossa identidade, e representa o povo e a cultura sertaneja, geraizeira, caatingueira, nortemineira, catrumana, entre outras.

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