26 de ago de 2018

História em Futebol de Botão: Vasco da Gama, Campeão da Taça Libertadores da América de 1998.

Á 20 anos, em 26 de agosto de 1998, no ano e mês do Centenário do Club de Regatas Vasco da Gama, o time de futebol se consagrou Campeão da Taça Libertadores da América. Com muita garra, o time treinado por Antônio Lopes, dos artilheiros Luizão e Donizete Pantera, da experiência de Mauro Galvão e Carlos Germano, e das jovens promessas Felipe, Pedrinho e Juninho Pernambucano, superaram os três últimos campeões das edições de 1995, 1996 e 1997, e o Barcelona de Guayaquil do Equador na grande decisão. 

Vasco da Gama - Campeão da Libertadores 1998
Em 21 de agosto de 1898, na cidade do Rio de Janeiro, um grupo de jovens remadores fundava o Clube de Regatas Vasco da Gama. Tendo em sua maioria descendentes de portugueses, o nome do Clube foi uma escolha em homenagem a um dos grandes nomes das navegações portuguesas durante o período de expedições marítimas do império português.
Mas só em 1915, o Clube iria promover a modalidade esportiva que mais é associado nos tempos atuais, o futebol. E que teve o seu grande momento, no ano do centenário do clube, a conquista da Taça Libertadores da América de 1998. Em uma grande campanha de reviravolta, e superação a cada jogo. O Vasco se tornava um dos seletos times a entrar na galeria de campeão da América do Sul, e igualar a conquista do seu maior rival, no campo e no mar, o Flamengo.
A campanha do Vasco começou com a conquista do Campeonato Brasileiro de 1997, em uma época que só classificava os campeões da Copa e do Campeonato nacional, e o atual campeão da edição anterior da Libertadores. O detalhe é que o Vasco perdeu vários campeões do Brasileirão de 1997, como seus principais jogadores, Edmundo e Evair. Mas o treinador Antônio Lopes conseguiu repor as peças, e dar continuidade ao grande trabalho feito em 1997.
A temporada começou com a conquista da Taça Guanabara e Taça Rio, consagrando o Vasco como campeão carioca. E dando todo crédito ao time que era dado como um dos grandes nomes a conquista de grandes títulos naquele ano.
Em 04 de março de 1998, o Vasco iniciava sua jornada na Taça Libertadores, em um grupo que tinha Grêmio, Chivas e América do México. E logo de cara enfrentava um grande adversário que três anos antes tinha vencido a competição, o Grêmio de Porto Alegre. E o resultado não foi bom, derrota em no Rio Grande do Sul por 1 a 0, gol do atacante Guilherme que alguns meses depois estaria no Vasco.
Na segunda partida no dia 17 daquele mês, o Vasco iria viajar mais longe, para Guadalajara no México, e perderia para o Chivas novamente por 1 a 0, gol do meia Ramón Ramirez, que conquistaria a Copa das Confederações com o México no ano seguinte. E três dias depois, na Cidade do México, o Vasco jogava novamente contra o América, e conquistando o empate, em um jogo pesado que terminava em 1 a 1, gol do uruguaio Cedrés aos 2 minutos de jogo para os donos da casa, e empate 4 minutos depois, com gol do meia Ramón Menezes.
As três partidas seguintes seriam dramáticas para o Vasco, que teria que não podia mais perder, se quisesse dar continuidade a competição. Assim os Cruzmaltinos começaram a mostrar sua força. No dia 26, contra o Grêmio em casa venceu de sobra, 3 a 0, dois de Luizão e um de Donizete. Já no dia 03 de abril, novamente em São Januário, a vítima foi o Chivas, vencendo por 2 a 0, o que dava o time a vaga momentaneamente, com mais dois de Luizão. E na última partida, no dia 9, precisando de um empate para passar de fase, sofreu em um jogo cheio de expulsões, onde saiu perdendo para o América, com gol aos 10 minutos feito pelo meia Aspe, que também estaria na maior conquista da Seleção Mexicana, no ano seguinte, e só conseguiu o empate, aos 26 minutos gol do jovem Richardson.
Com a classificação em segundo, o Vasco pegou de cara nas oitavas, o atual campeão da competição, que vinha do seu Bicampeonato, o Cruzeiro de Belo Horizonte, nos dias 15 e 29 de abril. Em casa o Vasco saiu perdendo, aos 20 minutos, gol do atacante Marcelo Ramos, mas logo em seguida, sempre ele, Luizão, empatou a partida de pênalti. E aos 11 do segundo tempo, Donizete Pantera, que tinha decepcionado com a camisa celeste na temporada anterior, marcou o gol da virada. No jogo no Mineirão, o Vasco segurou a pressão e se classificou após um empate sem gols.
Após a classificação sobre os campeões anteriores, veio o Grêmio de novo no caminho, enfrentando nos dias 3 e 6 de junho. Com a primeira partida no antigo estádio Olímpico, em Porto Alegre, os Cruzmaltinos saíram na frente gol de Pedrinho no 1 minuto do segundo tempo, mais 6 minutos depois, Guilherme empatou para o tricolor gaúcho. No jogo da volta em São Januário, o jovem meia Pedrinho, foi decisivo, marcou o gol da classificação aos 39 da primeira etapa. Classificado vinha a semifinal e mais um campeão na rota do Vasco, o poderoso River Plate da Argentina.
Campeões de 1996, o time de Buenos Aires era favorito, mas no primeiro jogo no Rio de Janeiro no dia 16 de julho, o Vasco conseguiu superar, e venceu por 1 a 0, gol de Donizete Pantera, aos 10 minutos de jogo. Já no lendário estádio Monumental de Nuñez, no dia 22 de julho, os argentinos saíram na frente, com gol do grande lateral-esquerdo, Sorín, aos 25 da primeira etapa. E só aos 36 minutos do segundo tempo, o jovem meia vascaíno, Juninho Pernambucano, igualou o placar, com um gol memorável de falta, da intermediária, ele mandou no ângulo, e ficando para a história.
Chega o grande momento esperado, o adversário seria um menos tradicional, mas não menos complicado com o qual o Vasco enfrentou em toda competição. O Barcelona de Guayaquil, do Equador, vinha com grande moral, depois de ter terminado em seu grupo liderado pelo América de Cali, derrubou o poderoso Colo-Colo do Chile, superou o Bolívar do artilheiro da competição com 10 gols, o brasileiro naturalizado boliviano, Sérgio João, e passando por Cerro Porteño do Paraguai.
Vasco da Gama - Campeão da Libertadores 1998
A primeira partida no dia 12 de agosto, foi em São Januário, e o Vasco da Gama já matou o jogo no primeiro tempo, 2 a 0, gols dos seus principais artilheiros, Donizete aos 7 minutos e Luizão aos 33 do primeiro tempo. Com a vantagem o Vasco foi a Guayaquil com o resultado, mas sabendo que enfrentaria um adversário difícil, além da altitude da região. Mas a dupla incansável de marca gols foi decisiva novamente, Luizão aos 24 minutos abriu o placar, e aos 45 o Pantera ampliava. O Barcelona ainda tentou, e só diminuiu aos 34 do segundo tempo, gol do artilheiro da Libertadores de 1996, De Ávila.
Assim o Vasco se consagrava Campeão da Taça Libertadores da América, com destaque ao ataque incansável, Luizão e Donizete, e aos jovens que se tornariam grandes ídolos do time, Pedrinho e Juninho Pernambucano, que foram decisivos na competição. O Vasco garantia assim um grande título em um ano que marcava o centenário do Clube de Regatas.

Segue abaixo os modelos para botão do jogo:
Vasco da Gama: 1.Carlos Germano; 10.Vágner, 3.Odvan, 4.Mauro Galvão, e 6.Felipe; 5.Luizinho, 8.Nasa, 19.Juninho e 16.Pedrinho; 9.Luizão e 7.Donizete. Técnico: Antônio Carlos.

18 de ago de 2018

Canto Poético: Parangolivro.

A arte da poesia pode provocar vários sentidos e sentimentos, e ao mesmo tempo não ter sentido algum, mas o sentimento ainda persiste. O poeta Aroldo Pereira é um dos grandes nomes da poesia norte-mineira, e em sua obra Parangolivro, o poeta se inspira em Hélio Oiticica, com o conceito da arte parangolé, dentro de uma desintelectualização nas obras artísticas. E com esta visão o poema Parangolivro, em homenageia a cantora e compositora Adriana Calcanhoto a partir da canção Parangolé Pamplona.

Aroldo Pereira
O poeta, ator, compositor, agitador cultural e performer João Aroldo Pereira, nasceu em Coração de Jesus, mas foi em Montes Claros, que ficou reconhecido como um dos grandes nomes da poesia norte-mineira. Autor de diversas obras, o poeta traz desde uma linguagem acadêmica a simplicidade com a cultura popular, uma rica obra de poesias que provoca vários sentimentos. De posição política e identitária, a um simples fato cotidiano.
Integrante fundador do Grupo de Literatura e Teatro Transa Poética, e criador do Salão Nacional de Poesia Psiu Poético. O poeta Aroldo Pereira, é uma das grandes referências da identidade cultural catrumana, norte-mineira. Em sua obra Parangolivro de 2007, Aroldo promove uma reflexão ao artista plástico Hélio Oiticica, que conceituou o termo parangolé, que traz o sentido de uma “anti-arte”, ou o sentido de uma desintelectualização da arte, dando a ela uma maior liberdade de se movimentar, sem se prender a técnica e método. “Tais  características  apontam para  um  sentido  de  uma  poética fora do senso comum e a contrapelo da previsibilidade, o que nos remete quase que espontaneamente ao termo “marginal”.”(RABELLO, p.305, 2014)
Outra grande inspiração a sua obra, Aroldo tem a referência com a canção Parangolé Pamplona da cantora e compositora Adriana Calcanhoto, na qual foi a grande dedicação do poema-título, Parangolivro.
Segundo  o Novo Dicionário de Língua Portuguesa,  marginal  é  aquilo  relativo  à margem,  pertencente  a  lugares  marginais.  Nota marginal, por exemplo, é o que se escreve na margem da folha de um livro ou de qualquer documento escrito, não integralizando o corpo do texto propriamente dito. O indivíduo que se põe fora das leis, é o que vive à margem da sociedade; considerado também indigente, vadio, delinquente ou simplesmente pertencente a uma minoria social (Ferreira 2001: 189). Se considerarmos tais significados, Aroldo Pereira apresenta-se, desde o início de seu livro, como um poeta marginal, como se lê no poema-título, “Parangolivro”, dedicado a Adriana Calcanhoto. (RABELLO, p.306, 2014).
Parangolivro traz assim a liberdade da poesia, e abre a outros olhares, dentro desta “marginalidade” que a poesia pode ocupar. Aroldo como um poeta de grande variedade e movimento, traz este perfil de poeta marginal que a Ivana Rabello retrata em suas reflexões da obra do poeta.

PARANGOLIVRO
Por: Aroldo Pereira

 Negro pobre poeta
(...)
ler e descobrir
escrever bater com a cabeça
Aroldo Pereira
uma arma em nossa mira
viver longo
cada instante
olhar os filhos sem fim
caminhar sob o sol
fugir do inferno de si
o azul não suporta o cavalo
mentir é arma de domínio
negro
pobre
poeta
uma chuva rala
uma
procissão
de indiferentes
o corpo permanece
no asfalto Parangolivre.

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