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8 de mar. de 2022

O Matriarcado em: A Noiva do Cordeiro

Maria Senhoria de Lima é responsável pela origem da comunidade rural da Noiva do Cordeiro em Belo Vale – MG, que hoje tem em sua neta Dona Delina a representatividade do Matriarcado. 

No final do século XIX, inicio do século XX no interior de Minas Gerais, na área rural do município de Belo Vale, que uma das comunidades rurais mais singulares do Brasil surgiu. Uma história de filme de Hollywood, de uma noiva que no dia do casamento forçado, fugiu com o amante, mas como consequências, foram excomungados pela igreja, e excluídos pela sociedade local. Lembrando que era inicio do século passado, em uma sociedade rural tradicional.

O casal Maria Senhorinha de Lima e Francisco Fernandes se isolaram inclusive seus descendentes também sofreram com as consequências. E assim tiveram que construir suas vidas sem apoio de ninguém, formando uma nova comunidade.

Na década de 1950, a comunidade passou por uma grande mudança. Delina de 16 anos, neta de Maria Senhorinha de Lima, casou com um pastor evangélico chamado Anísio Pereira de 43 anos, no qual tiveram 15 filhos. Mas o que marca neste período é que Anísio fundaria na comunidade uma igreja evangélica, que na época eram rejeitadas por uma sociedade majoritariamente católica, isolando ainda mais a comunidade. Esta igreja era bastante rígida e fundamentalista, estendendo até a década de 1990, quando em uma reunião da comunidade liderada por Delina pós fim com a igreja de Noiva do Cordeiro e seu fundamentalismo.

Iniciava naquele momento uma nova geração, principalmente por mulheres empoderadas descendentes da Maria Senhorinha de Lima, que não aceitariam que o patriarcalismo e suas raízes as inferiorizassem e colocasse como deveriam se comportar.

Noiva do Cordeiro - Belo Vale - MG

A comunidade rural Noiva do Cordeiro iniciava sua era Matriarcal, o que diferencia esta comunidade de tantas outras espalhadas no país. O Matriarcalismo é um conjunto de ações relacionados a organização e poder sobre um grupo e/ou sociedade, gerida pelo sexo feminino. É importante entender que o sistema matriarcal não se associa ao patriarcalismo, que está associado a uma visão do machismo e todas as formas de exclusão associados a este.

Assim este regime feminista, que busca ser justo e igualitário, no sentido de equidade, teve em Dona Delina, matriarca da comunidade Noiva do Cordeiro, um exemplo de luta e resistência, as opressões a todos os descendentes de Maria Senhorinha, que por conta do machismo presente na estrutura do sistema patriarcal brasileiro, sofreu por não aceitar um casamento forçado. Apesar de ver o caso se repetir com Delina, houve uma superação, e uma transformação na comunidade como um todo.

Ao longo de gerações, a comunidade foi excluída na região de Belo Vale o que forçava uma migração sazonal dos homens da comunidade para a capital de minas, Belo Horizonte, que fica a 100 km da região. Nisto as mulheres é que faziam tudo na comunidade, da produção do campo aos cuidados da família e da casa. Isto contribui até hoje para que na comunidade de mais de 300 habitantes, sendo em sua maioria, descendentes do casal fundador, tenha mulheres empoderadas e que lideram a comunidade.

Noiva do Cordeiro mostra a luta das mulheres, e como o matriarcal é mais justo e igualitário, sendo que mesmo com todo o processo de exclusão sofrido, hoje a comunidade é exemplo de organização, sustentabilidade econômica, social e ambiental. Que as liberdades de crença, sexuais e gênero se faz presente. Com uma cultura singular em meio a uma sociedade marcada pela cultura dominante, influenciada pela homogeneização cultural ocidental, regada de intolerância, racismo e machismo, e mesmo assim resistindo e transformando.

28 de fev. de 2022

Mamona

Do oriente ao Sertão Mineiro, a Mamona que tem sua origem nos continentes asiático e africano, chegou ao Brasil desde a colonização portuguesa e se identificou com o bioma da Caatinga, tendo o município de Mamonas, Minas Gerais, seu lugar de pertencimento. 

A mamona é uma planta da família das xerófilas e heliófilas, tendo sua origem no oriente, espalhada em várias partes da Ásia, e também na região do Chifre da África, mais específico na Etiópia. E chegou ao Brasil desde a época da colonização portuguesa, e a diáspora africana.

O fruto da mamoneira se popularizou por conta do seu óleo, ótimo para usar como combustível e lubrificante, era usado muito para acender lamparinas, e lubrificar carroças, e hoje é responsável pela produção de vários produtos feitos de biocombustíveis.

Na década de 1990, ficou ainda mais popular pela banda paulista Mamonas Assassinas, que tem este nome pelo fato do fruto da mamoneira ser usado para “brincadeiras de guerrinhas”.

A mamona também virou símbolo da economia na mesorregião do Norte de Minas Gerais, sendo no antigo povoado Santo Antônio das Mamonas, hoje apenas Mamonas, na Caatinga Mineira, se fazendo presente.

16 de jan. de 2022

Povos e Comunidades Tradicionais: Catrumanos

Os Catrumanos são povos tradicionais no Sertão Brasileiro, ligados a identidade da ruralidade. No Sertão Mineiro, em Montes Claros Norte de Minas Gerais a identidade catrumana se faz presente, surgindo assim em, 2005 o Movimento Catrumano.

O significado de Catrumano segundo Aurélio, procede de “quatro-mano e se refere ao caipira, forma como é identificado o habitante do campo ou da roça, particularmente o de pouca instrução e de convívio, de modos rústicos e canhestros.” Também associado ao matuto, “a vinculação do catrumano com o caipira deve-se ao fato deste ser um sertanejo, ou seja, um habitante do sertão.”

O viajante europeu Auguste de Saint-Hilaire (1975) denominou o conceito de catrumano, ao percorrer o sertão, no qual ele mencionava o deserto, “surpreendeu-se ao ver que os sertanejos sempre estavam a cavalo, independentemente de sua situação econômica.” E assim ele associa a imagem do povo sertanejo como àquele que vivi sempre sobre quatro patas, ou o humano de quatro patas.

“Porém, dada a força da ficcionalização construída por João Guimarães Rosa que tomou a realidade regional norte mineira para discutir o Brasil e, em Grande Sertão: Veredas, ele se referir a um grupo de catrumanos, como definido posteriormente por Aurélio, a partir do deslizamento de significado construído pelos mineiros, a palavra passou a conter apenas os significados vinculados aos habitantes do mais fundo do sertão, ou seja, a região Urucuiana que possuía homens, considerados de pouca instrução e de convívio e modos rústicos e canhestros. (ALMEIDA, 2021, p. 143)

Segundo o Movimento Catrumano, o significado da palavra representa aquele que emerge do interior do país, ligado às questões socioeconômicas pastoris. “Ao mesmo tempo, procurou desconstruir o significado pejorativo e discriminatório que a palavra contém, enquanto buscava resgatar o lugar dos Gerais na formação e consolidação da sociedade mineira, positivando o termo”.

Pintura de Almeida Júnior

Assim João Batista Almeida Costa (2021) menciona que “o Movimento Catrumano emergiu no cenário político estadual para construir poder simbólico para a região, a partir do reconhecimento que a “nação” Minas Gerais é dual.” É nesta lógica que a ideia de identidade catrumana do sertão de Minas Gerais, compreende que “há as Minas e há os Gerais e neste encontra-se o norte de Minas, que se inventa a si mesmo, constantemente, nas vivências das diversas populações que residem em seu amplo território sertanejo”.

15 de jan. de 2022

Coquinho Azedo

O Coquinho Azedo é um fruto típico do Cerrado mineiro, baiano e goiano, de sabor e aroma marcante. Sendo o território Catrumano seu lugar de pertencimento. 

O coquinho azedo é uma palmeira de porte médio típica do Cerrado Brasileiro, principalmente nos Estados de Minas Gerais, Bahia e Goiás. Também é conhecido como coquinho, coco-cabeçudo ou butiá. Sua copa é coberta por folhas verde-acinzentadas que, à luz do sol, lhe confere um brilho particular. A árvore pode alcançar quatro metros de altura e possui flores amarelas que brotam em cachos.

Os frutos são arredondados, medem cerca de 2 centímetros de comprimento e quando maduros tem coloração amarela, com polpa comestível de sabor azedo a adocicado, rica em fibras, vitaminas A e C.

E foi no território Catrumano, no Grande Sertão Veredas de Guimarães Rosa, que o coquinho azedo se tornou símbolo. De sabor marcante, se faz desde o suco, sorvete, licores e até cerveja artesanal, conquista o paladar de quem o conhece.

12 de dez. de 2021

Taioba

A Taioba planta típica da América do Sul, espalhada pelo mundo, têm em Taiobeiras – MG, seu lugar de encontro e partida, entre o Sudoeste e o Nordeste, entre o local e o global. 

A taioba é uma hortaliça da família Arácea e originária das regiões tropicais da América do Sul. Hoje em dia é cultivada e consumida em países da América Central, África e Ásia.

No Brasil, o maior consumo ocorre nos estados da Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, presentes nos biomas da Mata Atlântica e Cerrado. No Sudeste consome-se a folha, enquanto no Nordeste é comum o consumo do rizoma (a “batata”).

A taioba é uma excelente fonte de ferro, fósforo, cálcio, potássio e manganês, comparando-se às fontes tradicionais desses elementos. As folhas são mais nutritivas que os rizomas e são muito usadas na cozinha mineira em substituição à couve. Já a “batata”, que também tem seu valor nutricional, se faz de várias formas, principalmente cortadinha e cozinhada junto à carne moída.

No encontro do Sudeste com o Nordeste, na mesorregião do Norte de Minas Gerais, a Taioba se faz presente, seja a da “brava” (que não pode ser consumida) e da “mansa” (a que pode ser consumida), e em uma região com grande concentração delas, surgiu o sítio Bom Jardim das Taiobeiras, hoje Taiobeiras – MG, lugar de encontros e partidas, no entroncamento que liga Minas e Bahia.

8 de dez. de 2021

Povos e Comunidades Tradicionais: Geraizeiros

Os Gerais correspondem o território do Sertão Mineiro, o Norte de Minas o Noroeste Mineiro e os Vales do Jequitinhonha e Mucuri, atingindo até o Sertão Baiano, região do Sudoeste da Bahia. Mas não se limita aqui apenas a um território, falar dos Gerais é compreender a identidade para além do território. Entre vários povos e comunidades tradicionais que habitam este território, destaca os Povos Geraizeiros.

Os Geraizeiros são povos tradicionais dos Gerais, ou seja, do Cerrado Brasileiro, e que caracteriza o grande território mineiro da mesorregião do Norte de Minas Gerais, entre as bacias do São Francisco, Rio Pardo e Jequitinhonha, ou seja, o Sertão Mineiro. Lugar de resistência e identidade.

Identidade esta que se conecta com a ruralidade, o pertencimento ao território e a relação com o trabalho rural. Assim os povos Geraizeiros, que a partir do Decreto nº. 6.040/2007 foi reconhecido enquanto povos e comunidades tradicionais simboliza uma das várias culturas e identidades da diversidade do Povo Brasileiro. Sendo bastante expressiva na diversidade dos povos do território mineiro, inclusive falar de Minas Gerais, é compreender para além dos territórios das minas de ouro, as Gerais, nas suas relações sociais, culturais, políticas e econômicas.

Foto Elisa Cotta
Nesta proposta compreender os povos Geraizeiros, é compreender os Gerais, que tem a agricultura familiar como símbolo de sua economia. O catolicismo popular, dentro de um processo sincrético, na característica da religiosidade do seu povo, exemplo disto e as festividades das Folias de Reis e as festas de São João. Podemos citar também o linguajar, que mistura o baianês com o mineres, criando o dialeto baianeiro como identidade do Geraizeiro.

Mas esta população, de identidade marcante, com seu pertencimento intenso ao território que habita, sofre a gerações grandes ameaças. Isto parte muito da desvalorização do seu território e de sua cultura, associando os povos do Sertão Mineiro, como atrasados e miseráveis. E assim o forasteiro apropria do seu território, e o explora na relação do trabalho, exemplo disto é a monocultura do eucalipto na região.

Foto: Peter Caton
Por isto falar dos povos e comunidades tradicionais, aqui em especial dos Geraizeiros, é falar de resistência e luta, diante a hegemonização da cultura de massa, da exploração do sistema capitalista, que não reconhece as minorias sociais, e desrespeita os seres humanos e a natureza em prol do seu “desenvolvimento”. 

Os Geraizeiros são símbolos da nossa riqueza social, cultural e econômica. Que representa: a luta da sustentabilidade na relação seres humanos e natureza; o pertencimento ao território e os valores culturais da sua identidade; e aos diversos povos e comunidades tradicionais espalhados pelo território mineiro e brasileiro.

 

19 de jul. de 2019

Canto Poético: Eu Não Me Calo


A poesia do chileno Pablo Neruda ela marca a história de lutas e de combate a opressão na América Latina. O poeta Nobel de Literatura em 1971, recebido dois anos antes de sua morte, após o golpe militar imposto pelo ditador Pinochet. Neste mês em que Neruda comemoraria 95 anos (12 de julho), é o mês que se reflete no Brasil o Dia dos Povos Oprimidos, uma data para rever as desigualdades, descriminações e exclusões sofridas por parte da população não só brasileira, mas de toda América Latina. É também um dia de fortalecer as lutas destes povos, que como na poesia de Neruda Eu Não Me Calo.  

Pablo Neruda.
Em 19 de julho o Brasil reflete com o Dia dos Povos Oprimidos. Um dia para debater como em pleno século XIX os resultados da opressão de diversos povos no século XVI, no inicio da colonização europeia no Brasil e em todas as Américas, ainda surte efeito, como a discriminação étnico-racial, as exclusões e as desigualdades sociais, gerando violência física e simbólica, além da pobreza extrema nos países subdesenvolvidos destes continentes. Esta realidade no Brasil é vista nos números coletados pelo Mapa da Violência, além dos dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, além dos diversos trabalhos científicos das instituições de ensino superior.
Por mais que a luta destes povos nestes cinco séculos se deram, e muitas conquistas obtiveram, é observado ameaças constantes a estes direitos, além da existência destes povos que historicamente foram oprimidos por uma sociedade racista e elitista no Brasil e em toda América Latina. Por isto o dia 19 de julho se torna uma data emblemática na reflexão da nossa sociedade contemporânea, dentro dos reflexos históricos da desigualdade e exclusão ao longo do tempo.
Um dos grandes nomes da América Latina que trouxe seus protestos em versos poéticos foi o chileno Ricardo Eliécer Neftali Reyes, ou simplesmente Pablo Neruda, nascido em 12 de julho de 1904, o poeta político comunista, se tornou uma voz ativa em seu país deste sua juventude. Ainda na primeira metade do século XX, Neruda se colocou em defesa da classe operária, o que gerou até mesmo exílio de seu país. Mas seu retorno foi fundamental para a luta política do povo chileno, e para o reconhecimento de sua rica obra, que em 1971 o rendeu com o prêmio Nobel de Literatura. Porém em 23 de setembro de 1973, doze dias após o golpe de estado provocado pelos militares sob comando pelo ditador Augusto Pinochet. Mais de quarenta anos depois, a morte de Neruda foi associada não por questões de um câncer como foi posto no período ditatorial chileno, mas sim por questões políticas, sendo assim comprovado seu assassinado pela ditadura militar chilena.
Neruda foi morto, mas nunca calado, sua obra é sempre viva, lida e admirada não só pela técnica da escrita, mas por trazer a voz do Povo, a voz daquele que luta contra a opressão, as desigualdades, injustiças e exclusões. O seu poema Eu Não me Calo publicado em sua autobiografia, lançado depois de sua morte em 1974, com o título Confesso que Vivi. Uma poesia que retrata a luta de Neruda, que não se calou após sua morte, e todos os anos de ditadura não só no Chile e no Brasil, mas em toda a América Latina.

EU NÃO ME CALO
Por: Pablo Neruda.


Confesso que Vivi - Pablo Neruda - 1974
Eu preconizo um amor inexorável.

E não me importa pessoa nem cão:
Só o povo me é considerável,
Só a pátria é minha condição.

Povo e pátria manejam meu cuidado,
Pátria e povo destinam meus deveres

E se logram matar o revoltado

Pelo povo, é minha Pátria quem morre.
É esse meu temor e minha agonia.
Por isso no combate ninguém espere
Que se quede sem voz minha poesia.

8 de jul. de 2019

Espaço Musical: Ciências e Arte

Em 08 de julho de 1948 foi criado a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, que se torna fundamental para os avanços da pesquisa cientifica no Brasil. Assim em 2001, foi sancionada a Lei nº 10.221, que define a data da fundação da SBPC como Dia Nacional da Ciência.  Uma data para valorizar a produção científica e incentiva a iniciação científica. A canção Ciência e Arte do músico e compositor Cartola em parceria ao compositor Carlos Cachaça faz uma grande homenagem a grandes cientistas brasileiros como Pedro Américo e Cesar Lattes. 

Cartola
As Ciências, seja ela as Humanas, as Naturas e as Exatas, surgem dentro da Arte e da Filosofia, e nos promove um conhecimento que tem como base um tripé: o objeto de estudo, o método e a teoria. Que se desenvolveu com o tempo, e provocou grandes mudanças na humanidade. As Ciências que se conflitou com as doutrinas religiosas, mas a partir da era moderna, da sociedade capitalista instaurada principalmente no século XIX, ganhou maior notoriedade.
No Brasil, os estudos científicos ganharam maior expressão a partir do século XX, principalmente após a fundação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência em 08 de julho de 1948, data esta que em 2001 foi estabelecida como o Dia Nacional da Ciência com a Lei nº 10.221, tendo em 2008, com a Lei nº 11.807 a segunda lei que promove o dia 08 de julho como uma data para comemorar e promover os avanços da produção cientifica no Brasil. Que mesmo com grandes avanços e resposta a importância dos estudos desenvolvidos, a produção cientifica vem sofrendo grandes ameaças a ignorância de uma ideologia radical e extremista no cenário político.
Álbum Cartola 70 anos - 1979
Em 1979, no álbum Cartola 70 anos do grande sambista, músico e compositor Angenor de Oliveira, ou simplesmente Cartola, a canção Ciência e Arte, foi uma grande homenagem a comunidade cientifica do Brasil, em especial ao filósofo, teórico de artes, escritor e cientista do século XIX, Pedro Américo, e renomado físico Cesar Lattes, indicado ao Nobel de 1950. Uma canção que traz o ritmo do samba, para expressar a relevância da Ciência e das produções cientificas produzidas no Brasil.

Confira abaixo a canção:
Ciência e Arte
Cantor/Compositores: Cartola e Carlos Cachaça

Tu és meu Brasil em toda parte
Quer na ciência ou na arte
Portentoso e altaneiro
Os homens que escreveram tua história
Conquistaram tuas glórias
Epopéias triunfais
Quero neste pobre enredo
Reviver glorificando os homens teus
Levá-los ao panteon dos grandes imortais
Pois merecem muito mais

Não querendo levá-los ao cume da altura
Cientistas tu tens e tens cultura
E neste rude poema destes pobres vates
Há sábios como Pedro Américo e Cesar Lattes

3 de jul. de 2019

Espaço Musical: Montesclareou

Em 03 de julho o município de Montes Claros do Norte de Minas Gerais comemora a denominação de cidade, assim sendo a data do aniversário da “Princesinha do Norte”. A maior cidade norte mineira é a referência na mesorregião, e onde surgiram grandes nomes de intelectuais e artistas que destacaram nacionalmente, como os compositores da canção Montesclareou, o jornalista, artista plástico e compositor Georgino Júnior e o músico e ator Tino Gomes.

Gergino Júnior e Tino Gomes
A história de Montes Claros inicia a partir de expedições de bandeirantes vindo da Capitania de São Paulo, conhecida como expedição Espinosa – Navarro, com 12 bandeirantes que tinha como objetivo de encontrar pedras preciosas na região norte mineira. Antônio Gonçalves Figueira, que pertencia à bandeira de Fernão Dias, chegou na região junto ao outro bandeirante, Matias Cardoso, e começaram a fundar vilas e fazendas, em territórios indígenas. Antônio Gonçalves fundou três grandes fazendas, explorando as margens do Rio Verde, sendo elas, Jaiba, Olhos D’água e Montes Claros.
A região do território montes-clarense era habitada por índios da etnia Anais e Tapulas. Através do alvará de abril de 1707, Gonçalves Figueira obteve a sesmaria que constituiu a Fazenda de Montes Claros, onde surgiu o povoado de Formigas, concentrando o mercado pecuário na venda de gado. E assim a região logo se tornou o centro do comércio do gado na região, expandindo o pequeno povoado. Assim o Arraia das Formigas houve grandes mudanças junto aos outros povoados que deram origem a cidade de Montes Claros, como o Arraia de Nossa Senhora da Conceição e São José de Formigas, surgindo a 13 de outubro de 1831 de Vila Montes Claros de Formigas, até enfim o título de cidade de Montes Claros, no dia 03 de junho de 1857.
Neste mais de 160 anos, Montes Claros foi se firmando como um grande centro
Corredor Cultural - Montes Claros - MG
comercial, além de polo de saúde e educacional no Norte de Minas. Apelidada como Princesinha do Norte, ou a Capital do Norte de Minas Gerais, no qual surgiram grandes figuras que destacaram no campo intelectual, artístico e cultural no Brasil. Um dos mais renomados é sem dúvida o antropólogo e historiador, o ex-ministro da educação Darcy Ribeiro, que da o nome ao campus Universidade Estadual de Montes Claros, principal centro de ensino superior da região.
Entre tantos nomes destacamos o jornalista, artista plástico, professor e compositor Georgino Jorge de Souza Júnior, e o músico e ator Tino Gomes, que juntos compuseram a canção Montesclareou, uma canção que retrata a identidade do montes-clarense, da história e da cultura local, desta cidade de clima quente, e de pertencimento geraizeiro, catrumano  e sertanejo de ser. A terra dos Catopês de Agosto, que simboliza as culturas nortes mineiras.

Confira abaixo a canção:
Montesclareou
Cantor/Compositores: Georgino Júnior e Tino Gomes

Montes Claros, montesclareou,
Meus olhos cegos de poeira e dor.
Tudo é previsto pelos livros santos,
Que só não falam que o sonho acabou.
A marujada vem subindo a rua,
Suores brilham nos rosto molhados.
Agosto chega com a ventania,
Cálice bento e abençoado.
A dor do povo de São Benedito,
No mastro existe para ser louvado.
Louvado seja o Santo Rosário,
Louvado seja poeira e dor.
Louvado seja o sonho infinito,
E mestre Zanza que é cantador

21 de jun. de 2019

Espaço Musical: A Volta do Boêmio

Em 21 de junho de 1919, nascia em Santana do Livramento, Rio Grande do Sul, Antônio Gonçalves Sobral, que se tornaria Nelson Gonçalves o “Rei da Boemia”. Nos 100 anos de um dos maiores cantores da Música Popular Brasileira, que teve seus grandes sucessos na era do rádio, “que virou saudade” em abril de 1998, mas sempre será um símbolo da musicalidade brasileira, e sempre será lembrado pela Boemia, com a grande canção lançada no álbum de mesmo nome em 1967, A Volta do Boêmio.

Nelson Gonçalves 
No dia 21 de junho de 1919, na cidade do interior Gaúcho de Santana do Livramento, nascia Antônio Gonçalves Sobral, filho de um pai músico, na qual homenageou com a canção Naquela Mesa, ainda aos 07 anos mudou-se para a capital paulista no bairro do Brás. E assim a influência pela música cresceu, e depois de trabalhar de quase um tudo na infância e juventude, inclusive sendo boxeador, vencendo aos 16 anos o título de peso-médio o Campeonato Paulista, teve ainda na juventude as primeiras oportunidades na música, apesar da “gagueira” que tinha, no qual levou o apelido de “Metralha”.
Assim Antônio Gonçalves Sobral, começou a usar o nome artístico de Nelson Gonçalves, se juntando ao músico Joaquim Silva Torres. Não teve vida fácil ao ingressar nas rádios, foi reprovado nas suas primeiras tentativas, antes de ingressar na rádio PRA – 5, mas foi logo dispensador. Era um período no qual tinha acabado de se casar com Elvira Molla, no qual teve dois filhos.
Em 1939, na busca de oportunidade na música mudou-se para o Rio de Janeiro, e lá começou a destacar nos programas de calouros das rádios cariocas. Em 1941 conseguiu gravar seu primeiro disco, e logo foi aclamado pelo público, tendo nas décadas de 1940 a 1950 o inicio de sua fama do Rei do Rádio e o Rei da Boemia, chegou casar neste período mais duas vezes após se separar da primeira esposa, em 1952 com a cantora do Trio de Ouro, Lourdinha Bittencourt, e em 1965 com Maria Luiza da Silva Ramos, no qual teve dois filhos e foi fundamental para sua recuperação após dependência com o vício no uso de cocaína, que levou o cantor a vários problemas pessoas e profissionais.
Nelson Gonçalves - Álbum: A Volt do Boêmio (1967) 
E com apoio de Maria Luiza, após período de tratamento ao vício no qual chegou ser preso, Nelson Gonçalves voltaria aos sucessos com um dos seus principais álbuns produzidos, e com a canção mais famosa em sua interpretação, composta por Adelino Moreira, A Volta do Boêmio. Assim sucesso estourado em 1967, o Rei da Boemia voltou as paradas de sucesso, estendendo do final dos anos de 1960 a década de 1990, quando em 1998, por conta de um infarto, aos 78 anos, faleceu na cidade do Rio de Janeiro.
Nelson Gonçalves ainda é lembrado como um dos músicos mais importantes da Música Popular Brasileira, por uma voz marcante, e por ter mantido uma carreira de sucesso, e mesmo com os problemas ao vício das drogas, soube retornar ao sucesso, no que manteve até mesmo após a sua morte. Com 38 discos de ouro, e 20 de platina, com mais de 78 milhões de vendas de discos, um dos recordistas no Brasil, com mais de 180 canções gravadas, O Rei da Boemia, que completaria 100 anos, deixou um grande legado a MPB.


Confira abaixo a canção:
A Volta do Boêmio
Cantor/Compositores: Nelson Gonçalves/ Adelino Moreira.

Boemia, aqui me tens de regresso
E suplicante te peço a minha nova inscrição.
Voltei pra rever os amigos que um dia
Eu deixei a chorar de alegria; me acompanha o meu violão.
Boemia, sabendo que andei distante,
Sei que essa gente falante vai agora ironizar:
"Ele voltou! O boêmio voltou novamente.
Partiu daqui tão contente. Por que razão quer voltar?"
Acontece que a mulher que floriu meu caminho
De ternura, meiguice e carinho, sendo a vida do meu coração,
Compreendeu e abraçou-me dizendo a sorrir:
"Meu amor, você pode partir, não esqueça o seu violão.
Vá rever os seus rios, seus montes, cascatas.
Vá sonhar em novas serenatas e abraçar seus amigos leais.
Vá embora, pois me resta o consolo e alegria
De saber que depois da boemia
É de mim que você gosta mais".

17 de mai. de 2019

Espaço Musical: Bem entendido.

O Dia Internacional Contra a Homofobia, Bifobia e Transfobia se dá no em 17 de maio, como um momento de luta as causas LGTB+ e de um mundo em que o respeito às diversidades e diferenças de gêneros exista por parte de todxs. A data surgiu em 1990, quando o termo “homossexualismo” foi desconsiderado, e a homossexualidade deixou de ser considerada uma doença pela Organização Mundial da Saúde. Em 1974 vários músicos brasileiros promoveram canções em homenagem ao cantor e interprete Edy Star, entre estas canções a música Bem Entendido composta pelos músicos Renato Piauí e Sérgio Natureza.  

Álbum Sweet Edy - Edy Star - 1974
Em 17 de maio de 1990 as comunidades ligadas a causa LGBT+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros, Transexuais, Travestis e outras definições do gênero), conquistaram uma das suas grandes lutas, a de tirar da Classificação Estatística Internacional de Doença e Problemas Relacionados com Saúde (CID) da Organização Mundial de Saúde (OMS) o homossexualismo como uma doença, e retirar o conceito de “homossexualismo”, como se a questão da homossexualidade fosse uma doutrinação ou ideologia, e não uma questão genética e psicológica do indivíduo.
A conquista foi significativa a causa LGBT+, que desde a década de 1960 vem se organizando e lutando por seus direitos em todo o mundo. Apesar da importância da data, a luta no combate a homofobia, bifobia e transfobia, é diária, e em pleno século XXI, os altos índices de violência a comunidade LGBT+ são constantes, no Brasil e no mundo. Por isto existe a grande importância de lembrar as lutas e os direitos conquistados, para derrubar preconceitos e intolerâncias sobre as questões de gênero, destacando as causas LGBT+.
Nos anos de 1970 a luta pelos direitos a comunidade LGBT+ ganharam força, e em
Álbum Sweet Edy - Edy Star - 1974
1974 músicos renomados da música brasileira como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Moraes Moreira, Roberto Carlos e Erasmo Carlos, compuseram várias canções para o álbum Sweet Edy, uma homenagem ao músico e interprete o baiano Edy Star, um dos primeiros músicos brasileiros assumido gay. O álbum se tornou uma referência das causas LGBT+ daquela época, e entre tantas canções destacamos Bem entendido composta pelos músicos Renato Piauí e Sérgio Natureza, um dos grandes sucessos interpretados per Edy, que na gíria da época era uma definição do homossexual, que com o nome bem sugestivo, mostrava a liberdade e a firmeza de assumir a sexualidade.

Confira abaixo a canção:
Bem Entendido
Cantor: Edy Star.
Compositores: Roberto Piauí e Sérgio Natureza.

11 de mai. de 2019

Espaço Musical: Nine out of ten.

Em 11 de maio se comemorara no Brasil o Dia Nacional do Reggae, em homenagem ao eterno Bob Marley. O músico jamaicano um ano antes da sua morte, veio ao Brasil onde já era reverenciado por um grande número de amantes das suas canções. Bob é um grande influente da música brasileira. A canção Nine out of tem, de 1972 do álbum Transa do músico e compositor baiano Caetano Veloso, é considerado a primeira canção de Reggae no Brasil. Tendo como grande inspiração do reggae nacional Bob Marley, entre outros grandes nomes deste ritmo jamaicano, que a cultura brasileira se identificou. 

Caetano Veloso
Em 1968, ano que marcou os movimentos contracura, marcou a história da música, nascia dos estilos musicais do Ska e do Rocksteady em terras jamaicanas um ritmo musical que marcou gerações, o Reggae. Lee “Scratch” Perry, Joe Gibbs e King Tubby foram os grandes nomes da origem deste gênero musical, que foi levado para fora da Jamaica pelo produtor Chris Blackwel, que final da década de 1960 apresentou o Reggae na Inglaterra.
Mas foi na década de 1970 que o Reggae estourou no mundo, após o filme jamaicano Balada Sangrenta (1972) estrelado por Jimmy Cliff, levando na sua trilha sonora o gênero musical, que no mesmo ano chegou no Brasil. No qual Jimmy Cliff veio ao país no Festival Internacional da Canção. Mas o Reggae acabou sendo adorado no mundo todo, a partir o músico, compositor jamaicano Robert Nesta Marley, ou simplesmente Bob Marley, para muitos o maior nome do ritmo musical, e dado como o Deus do Reggae.
Álbum Transa - 1972 - Caetano Veloso
Bob Marley começa sua carreira em 1963, com a banda The Wailers, mas em 1977 com o álbum Exodus, o músico jamaicano se tornou um dos maiores nomes da música do planeta. Influenciando e inspirando músicos em todos os lugares, Marley e o Reggae ganharam aderes no Brasil. A canção Nine out of ten, do músico e compositor baiano Caetano Veloso do álbum Transa de 1972, foi a primeira canção do gênero no país.
A partir de Caetano, do seu eterno companheiro Gilberto Gil, o Reggae começou a fazer parte da música brasileira. Na década de 1980 com a formação da banda Tribos de Jah no Maranhão, o Reggae estourou de vez, fazendo do Estado maranhense a referencia do Reggae no país, e criando uma legião vestidos de verde, amarelo e vermelho, nas cores do Reggae. Em 2012 foi titulado o dia 11 de maio, data que marcou a morte de Bob Marley vitima de câncer, como o Dia Nacional do Reggae, uma bela homenagem ao ídolo e deste ritmo que e reverenciada por gerações.

Confira abaixo a canção:
Nine out of ten
Cantor/Compositores: Caetano Veloso.

I walk down Portobello road to the sound of reggae
I'm alive
The age of gold, yes the age of old
The age of gold
The age of music is past
I hear them talk as I walk yes I hear them talk

I hear they say
"Expect the final blast"
I walk down Portobello road to the sound of reggae
I'm alive

I'm alive, vivo muito vivo feel the sound of music
Banging in my belly
Know that one day I must die
I'm alive
And I know that one day I must die
I'm alive
Yes I know that one day I must die

I'm alive vivo muito vivo
In the electric cinema or on the telly
Nine out of ten movie stars make me cry

I'm alive
And nine out of ten movie stars make me cry
I'm alive

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