20 de jan de 2018

Espaço Musical: Baião de São Sebastião

A musicalidade de Luiz Gonzaga é reconhecida não só no Brasil, mas em todo mundo, o Baião se tornou um patrimônio da música brasileira, e até no berço do samba o Baião foi reverenciado.

A imagem definitiva do sertanejo - Sertão Gonzaga
Em 1939, Luiz Gonzaga chegou a cidade do Rio de Janeiro, após servir o Exercito, pegaria um navio para Recife, e em seguida retornaria para Exu, sua cidade natal. Mas um amigo militar, sugeriu a Gonzaga que enquanto esperava o seu navio, ganhasse um dinheiro com a Sanfona que carregava, a famosa de 120 baixos.
Neste momento não só começava a história de músico famoso de Gonzaga, mas mostrava a diversidade da musicalidade brasileira. Como relata o Diário de Pernambuco, na homenagem aos 100 anos de Luiz Gonzaga:
Na década de 1940 os programas de calouros nas rádios estavam no auge. O nacionalismo de Getulio Vargas incentivava a descoberta de uma música genuinamente brasileira. Carismático e inovador, trazendo um ar de Sertão para os migrantes no Sudeste, Luiz Gonzaga se transformou em um fenômeno musical. No Rio de Janeiro, morou grande parte da vida no morro de São Carlos, no bairro do Cachambi e na Ilha do Governador. Tinha pela cidade um carinho e uma gratidão que foram expressos do jeito que ele sabia: em forma de música. (SERTÃO GONZAGA, DIÁRI DE PERNAMBUCO, 2012.)
Diante esta relação com o Rio de Janeiro, surge uma homenagem ao santo padroeiro da cidade, São Sebastião, comemorado no dia 20 de Janeiro, com a canção Baião de São Sebastião, com a letra do grande parceiro do Reio da Baião, Humberto Teixeira. A canção demonstra a grande relação do inicio das grandes migrações entre as décadas de 1940 e 1950, do povo nordestino a cidade do Rio de Janeiro, e a história do baião nordestino de Gonzaga e Teixeira na cidade do samba.
Confira abaixo a canção:
Baião de São Sebastião
Cantor: Luiz Gonzaga
Letra: Humberto Teixeira
Vim do Norte
O quengo em brasa
Fogo e sonho do sertão
E entrei na Guanabara
Com tremor e emoção
Era um mundo todo novo
Diferente meu irmão
Mas o Rio abriu meu fole
E me apertou em suas mãos

Ê Rio de Janeiro
Do meu São Sebastião
Pára o samba três minutos
Pra cantar o meu baião

Ai meu São Sebastião
Te ofereço este baião

No começo eu tive medo
Muito medo meu irmão
Mas olhando o Corcovado
Assusseguei o coração
Se hoje guardo uma saudade
É enorme a gratidão
E por isso Rio amigo
Te ofereço este baião

A data de 20 de janeiro foi até o século XIX, considerado o aniversário da cidade do Rio, por conta da Batalha de Uruçumirim de 1567, onde portugueses aliados com indígenas, expulsaram os franceses e seu projeto da criação da França Antártica (história relatada no filme Rio Vermelho do diretor estadunidense Howard Hawks). 
Apesar da relevância batalha na história do surgimento do Rio de Janeiro, que nesta época se chamava São Sebastião do Rio de Janeiro, nas margens da Baía de Guanabara,  a data que marca a fundação da cidade do Rio é dois anos antes, o dia 1º de março de 1965, com a chegada do militar Estácio de Sá. Mas como afirmar o diretor do Arquivo Público do Rio de Janeiro, Paulo Knauss:
O 20 de janeiro também é um marco importante do ponto de vista político. Agora, é uma data bélica. No século 19 ela foi celebrada. A Alteração reflete uma mudança de pensament: substituí-se um feito militar por um momento de construção da civilização. Há claramente uma inflexão na forma de pensar a fundação da cidade, uma nova leitura do passado. Relato de Knauss diretor do Arquivo Público do Rio, para a Folha de São Paulo em 2017.



REFERÊNCIAS:

SERTÃO GONZAGA. O samba deu vez ao baião. Disponível em: http://hotsites.diariodepernambuco.com.br/2012/gonzaga/materia10.shtml. Acessado em 19/01/2018.

TERRA. Adriano. Aniversário do Rio é 20 de Janeiro ou 1º de Março? IN: FOLHA DE SÃO PAULO. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/03/1862700-aniversario-do-rio-e-em-20-de-janeiro-ou-1-de-marco-entenda.shtml. Acessado em 19/01/2018.


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