6 de jan. de 2017

Folia de Reis: tradição e sincretismo religioso

A festividade tradicional, que veio nas caravelas, mas na ruralidade do sertão, na mistura da negritude quilombola, do caboclo do campo, a Folia de Reis se dá.

As Camponesas e Terno de Reis - 2014. 
No dia 25 de dezembro, enquanto o mundo celebra o Natal, grupo de foliões, com sua viola, sanfona, pandeiro, triângulo (no caso do norte de minas), sobe aplausos que acompanham as músicas, os ternos assim conhecidos as os grupos de Folias de Reis, começam seus festejos que se estendem até o dia dos Três Reis Magos, no dia 6 de Janeiro.
Esta festa de origem portuguesa está espalhada em todo o Brasil, misturada nas crenças católica, umbanda e candomblé, um exemplo do sincretismo religioso brasileiro, presentes nas comunidades tradicionais quilombolas, ribeirinhas, sertanejas, caipiras, geiraizeiras.
No norte de Minas Gerais, a Folia de Reis é um símbolo cultural da ruralidade sertaneja do geiraizeiro. Em todos os municípios pequenos grupos resistem com a tradição de festejar aos Santos Reis, esta data que torna tão importante aos Ternos de Reis, quanto o Natal.
No município de Taiobeiras – MG, a tradição ainda permanece, apesar que ao passar dos anos, a tradição perdeu espaço, mas grupos culturais e antigos membros dos ternos tradicionais, se juntaram para dá a continuidade desta festa que promove mais do que um ato de fé e louvor aos Santos Reis.
A Folia de Reis, que tem no município um dos seus principais símbolos culturais, tem como uma de suas figuras mais representativa o Senhor José Diniz de Amorim, o Juca Grosso, que deu continuidade as tradições de seu pai José Clemente de Amorim, o José Grosso, um dos pioneiros dos Ternos de Reis tradicionais de Taiobeiras, ao lado de Chiquim Cocá, Zeferino Pé Riscado e Zé de Vina, que deram inicio a uma tradição, carregada até hoje por seus familiares.
Presépio Municipal de Taiobeiras - MG
Até os anos 1990, havia muita rivalidade entre estas famílias e os Ternos no qual carregava suas bandeiras. Porém nas ultimas décadas, com o enfraquecimento da tradição, muitos grupos se uniram, ou acabaram. Hoje com o incentivo de grupos culturais, como As Camponesas, e foliões de diversas origens, a Festa de Reis é ainda celebrada. Com novenas realizadas nas casas da população, sempre enfrente a um presépio com a presença do menino Jesus. Encerrando no presépio municipal, na praça da Matriz com a avenida da Liberdade.
Muito se mudou, mas a essência das Folias de Reis ainda existe, de celebrar a vinda do menino Jesus, e a confraternidade com os amigos e familiares, a esperança marcadas com muita música, dança, comidas e alegria.

Canções de Folia de Reis - As Camponesas - 2014.


12 de out. de 2015

Pastoral da Criança: símbolo da luta contra a mortalidade infantil.



Quando em 1983, na cidade de Florestópolis – PR, a médica sanitarista e pediatra Zilda Arns Neuman, com apoio do cardeal emérito, Dom Geraldo Majella Agnelo, na época Arcebispo de Londrina, deram inicio a Pastoral da Criança, não imaginavam ainda a dimensão de onde iria parar os trabalhos da Pastoral.
A Pastoral da Criança hoje se encontra em todos os estados brasileiros, além de 17 países espalhados pela África, Ásia e na America Latina e Caribenha. Tendo como principal missão, proporcionar qualidade de vida as crianças, preocupando assim com a saúde, nutrição, educação e formação cidadã. Orientando as famílias e a comunidade local, na busca da sua própria transformação.
Em 1992, no município de Taiobeiras – MG, a irmã Laudeci deu inicio aos trabalhos da Pastoral da Criança. Período em que a desnutrição e várias doenças na infância marcam com números negativos da mortalidade infantil no município. Segundo o censo 1991, a mortalidade infantil até 5 anos de idade, era de 34,4% por mil nascidos. Número que no último censo de 2010, se reduziu por metade, 17,1% por mil nascidos. Taxa abaixo da meta posta pelas Nações Unidas, que tem como objetivo no mundo todo ter a taxa de mortalidade infantil abaixo de 17,9% por mil nascidos em 2015.
Pessoas como Maria Ferreira, Marlene, Telina, Joana, Lourdes entre tantas outras que foram voluntárias, e até hoje continua com a missão da Pastoral da Criança no município, são símbolos da diminuição da mortalidade infantil em Taiobeiras e região.
Ações desde o combate a nutrição com acompanhamento de várias crianças, com balanceamento alimentar, utilizando de receitas caseiras orientadas pelos manuais da Pastoral, que serve como guia para a formação dos voluntários para orientação das famílias e comunidade.
Dona Maria e seu marido, Seu Quelé, em seu quintal.
Dona Maria Ferreira uma das pioneiras da Pastoral, vem até hoje realizando os trabalhos. Tem em seu quintal um laboratório de remédios caseiros, com grande variedade de plantas das quais já foram produzidos vários tipos de medicamentos caseiros, que ajudou várias crianças e demais pessoas da região. Hoje com a facilidade do acesso a remédios industrializados, a procura dos remédios caseiros diminuiu. Ela descreve a importância dos trabalhos da Pastoral da Criança teve e tem com várias crianças do município:
O trabalho nosso é de orientar as mães, fazer visita para falar como deve cuidar das crianças, com as farinhas e remédios caseiros. Farinha para cuidar das crianças desnutridas, que na época tinha muita criança desnutrida. Fazia muito trabalho comas mães para orientar elas com o cuidado com os meninos com anemia, com gripe e dos problemas respiratórios, isto com ajuda dos manuais, e isto todo mês, com isto fazendo a pesagem das crianças. E era mais que os remédios caseiros, orientava para fazer uma hortinha no quintal. Ensinava a plantar em um vazio de planta, mas eram poucas que faziam.
A importância era as crianças, que com a graça de Deus, muitas crianças foram recuperadas. Com as coisas da Pastoral, com as coisas naturais. Que naquele tempo quando começou as mães davam valor, porque era aqui a farmácia quando os meninos adoeciam. Hoje já não é tanto, acompanho quatro mães e crianças.

Dona Maria também descreve o sentimento deste trabalho que marcou a vida de várias famílias na luta pela vida de tantas crianças não só em Taiobeiras, mas em todo mundo:
Muitos têm aquele sentimento, tem um que toda vez que eu vejo ele fala: “olha esta mulher era aquela que ia lá em casa nos pesar. E a gente comia muita coisa, uma farinhazinha que ela fazia para nós comermos, para não ficarmos doentes”. Tem muitos que reconhece, e a gente sente feliz por isto. (MARIA FERREIRA, representante da Pastoral da Criança em Taiobeiras/MG).

O que começou com Zilda Arns e Dom Geraldo Majella, passando por voluntários como Maria Ferreira, teve efeitos positivos em 17 países em todo mundo. Sendo importante na vida de inúmeras crianças e suas famílias. Dados como o do Brasil da mortalidade infantil, que no inicio dos anos de 1990 era de 44,7% mortes até 5 anos de idade por mil nascidos vivos, cair para 16,7% por mil nascidos, tem muito haver com a atuação da Pastoral em todo país.
Como mencionou Zilma Arns, “Não se enganem. Uma gotinha de água no oceano faz, sim, muita diferença.” Pessoas como Dona Maria Ferreira fez a diferença na vida de muitas crianças a terem a simples oportunidade de viver.

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