19 de jan. de 2018

Canto Poético: Uma poesia sem titulação.

A poesia tem a liberdade de perpassar e ser dita de inúmeras maneiras, apesar de toda técnica por traz dela, a poesia ainda sim e livre para se expressar. De uma reflexão crítica do cotidiano as mais belas palavras de sentimentos, é com ela que o ser humano há muito tempo conta sua história. Este canto poético do Blog Pé de Taioba trará vários poetas e poetisas para sua arte expressar, apesar de não ser nenhum crítico poético, é uma honra promover este espaço no blog. O poeta da vez é um grande amigo, Daniel Santos

Daniel Santos
Poucas pessoas que o conhecem sabe de seus talentos poéticos, o jovem Daniel Oliveira Santos é natural de Taiobeiras, possui um grande senso crítico além de um grande conhecedor de história, demonstra também em seus poemas uma grande sensibilidade na sua escrita, e nos contempla com um de seus poemas.
Apesar de não possuir um título, algo que também nos faz promover uma reflexão crítica da necessidade de titular algo, nos encanta de uma forma sensível de um contexto que se passa em seus versos.

Por: Daniel Oliveira Santos
E começou simples
Um olhar sem sentido
Um sussurro ao pé do ouvido
E nada mais

Encontraram-se sem oi
Despediram-se sem tchau
E assim o encontro se foi
Normal

Mas o fio de prata estava amarrado
O que era deles estava guardado
O mundo pode ser grande
E o amor pode estar do seu lado

Os dias se passavam
E os dois conversavam
Nem sempre com o que dizer
Mas nunca paravam de escrever

Palavras repetidas
Palavras divertidas
Fotos, desenhos e vozes
E os corações ficavam ferozes

Tempo vai, tempo não vem
E os dois ainda assim
Ocupando-se um do outro
Se apoiando um no outro

E finalmente vem o segundo encontro
E não importa o poeta
Não há palavras ou rimas para descrever

E a vida segue, e os dois seguem
Entre tapas e beijos
Eles vão como conseguem

Os dias parecem meses
Os meses parecem horas
Não dá pra ficar longe
E nisso amor aflora

Amor puro e simples, sem grandes expectativas
Sem cobranças, sem espantos
Um sentimento construído de maneira gradativa
Mesmo aos trancos e barrancos

Daniel Santos
E hoje eu não quero ficar sem você
E não vou te esquecer
Não quero perder esse sentimento real
Nem te quero nenhum mal


Não quero perder esse fogo intenso que me queima sem consumir
Quero você aqui
Não quero te ver partir porque acha que não é o suficiente
Eu sinto por você, você sente por mim e só isso importa com a gente

1 de jan. de 2018

Espaço Musical: Verde Ouro

Há muito tempo queria dedicar um espaço a música no blog Pé de Taioba, com objetivo de promover canções desde músicos regionais do Norte de Minas e Vale do Jequitionha, a outros de todas as partes que marcaram gerações e nossa musicalidade local.  

Em 2014 o cantor e compositor Alfeu de Oliveira compôs a canção Verde Ouro, com a letra criado pelo Professor Silvano de Araújo, ou simplesmente Di Araújo, com uma musicalidade característica do Vale do Jequitionha, recheada de poesia, história e reflexão, a canção Verde Ouro tomou forma. 
Alfeu de Oliveira
Alfeu de Oliveira, natural da cidade de Taiobeiras, também conhecido como o “Zé Ramalho de Taiobeiras”, ou Alfeu cadeirante, tem grandes referências em seu repertório, desde a o grande folião de reis de Taiobeiras, Juca Grosso, passando por grandes nomes do Vale do Jequitionha como Paulinho Pedra Azul, Rubinho do Vale, a outros grandes nomes como Elomar Figueira e Zé Ramalho, a quem muitos comparam a sua voz com a do cantor.
Fruto do Pequizeiro -
Comunidade Lagoa Grande
A canção Verde Ouro que fala do fruto que simboliza o norte mineiro e a cultura do município de Taiobeiras, traz uma reflexão cultural do Pequi, ao mesmo tempo os problemas ambientais do desmatamento do cerrado norte mineiro. A canção que foi finalista em dois concursos, o Festival de Música Autoral de Taiobeiras em 2015, e o Festival de Música do Sistema Prisional de Minas Gerais. Merece esta aqui no nosso espaço musical pela qualidade musical e por uma letra que promove uma boa reflexão do nosso cerrado norte mineiro.

Confira abaixo a Canção: 
Verde Ouro
Letra: Silvano de Araújo
Arranjo: Alfeu Oliveira

Oh meu verde ouro
Que das matas vem surgindo...
Temporão senhor

Da chapada duas medidas eu irei de levar.
Pra alegrar os olhos do meu amor.
Pra alegrar os olhos do meu amor.
  
Uma medida,
Tempero, sal há de ser.
A outra sentar e roer criançada,
Que castanha nós vamos ter

Nesta folia,
Cuidado matuto, cuidado.
Castanha pode doer.

Pequi que te quero assim.
Assim que te quero lindo.
Verde amarelo da minha terra.
Verde amarelo da minha terra.

Te arrancaram em retorcidas raízes,
Clamando por vida.
Vida sofrida em sertão.
Vida sofrida em sertão.

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