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11 de jan. de 2019

Canto Poético: Jequitinhonhês, o dialeto do Vale.


A Língua Portuguesa no Brasil tem uma diversidade de dialetos. No Estado de Minas Gerais, esta diversidade é bastante evidente, como a mistura do sotaque baiano com o mineiro nas regiões do Norte de Minas, Vale do Jequitinhonha e Mucuri. O poema Jequinhonhês, o dialeto do Vale, de Tadeu Martins, poeta popular de Itaobim – MG. 

Tadeu Martins
O produtor cultural, escritor, poeta popular, contador de causo, Tadeu Martins natural de Itaobim, Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, é responsável por um dos maiores festivais culturais do Brasil. Junto a outros artistas, escritores e intelectuais, idealizaram o Festivale nos anos de 1980. Foi um dos fundadores do Jornal Geraes, no qual foi responsável por levar e valorizar o Vale do Jequitinhonha em seus noticiários impressos.
O poeta é autor de várias poesias, além de publicação de livros, sempre trazendo o Vale. Entre seus poemas voltados ao Jequitinhonha, destacamos o Jequitinhonhês, o dialeto do Vale, que traz a regionalidade do Vale, contextualizando a origem e a valorização do dialeto pronunciado nesta região rica principalmente nos aspectos artísticos e culturais. O Jequitinhonhês nos encanta como uma linguagem única, diante uma diversidade de dialetos no território mineiro.  

JEQUITINHONHÊS, O DIALETO DO VALE
Por: Tiago Martins.


Pocar é estourar
“ficar perrengue” é adoecer
lançar quer dizer vomitar
e “virar um peido” é correr
negar à direita é dobrar
“embainhar o facão” é envelhecer

Burriscar quer dizer rabiscar
“a leitura” é sabedoria
coxé é quem manca muito
“encheção de saco” é livuzia
pipôco é o mesmo que estrondo
e cartilogência é categoria
Tadeu Martins - (2º da esq. p/ dir.) 

“Abrir o pano” ou “limpar o beco”
você sabe o que quer dizer ?
é o mesmo que “virar um peido”
se não deu para entender
eu explico mais detalhado
é azular, sumir ou correr

“Tiçar a mão”, “picar o tapa”
tudo significa bater
pêia é o caboclo esperto
incapaz de esmorecer
“deu upa” é “ficou difícil”
mas foi fácil você entender.

20 de abr. de 2018

Canto Poético: O Último Dia

Se a poesia escolhesse um lugar para viver, o Vale do Jequitinhonha seria um dos lugares possíveis para ela. Dentre tantos poetas renomados do Vale do Jequitinhonha, um jovem talentoso é que nos contemplará com um dos seus poemas. Moisés Silva da cidade de Ponto dos Volantes – MG, traz em suas poesias um sentimento que nos leva em seus versos. 
  
Moisés Silva
Ator e poeta, o jovem Moisés Silva da cidade de Ponto dos Volantes, Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, é um artista talentoso, que não só nos encanta pelos seus poemas, mas por sua encenação nos palcos do teatro popular. Trazendo um sentimento marcante, que nos leva em cada verso.
O poeta traz em seus versos sentimentos, e esta sensação de ser conduzido em cada estrofe e verso emoções. Mas traz também a qualidade do artista do Vale, da juventude do sertão mineiro, provocando em que lê os seus poemas, a sensação de vive-los e senti-los. Ou por uma memória vivida, ou, se colocando nas palavras ditas.
No poema O Último Dia, o poeta nos leva a ter a sensação de viver o momento descrito, provocando a reflexão de um último momento vivido, de um momento único, diante a vários sentimentos. E todo este encantamento nos mostra o quanto podemos olhar para um último momento de uma forma bela e encantadora.  

O Último Dia
Por: Moisés Silva.

Sorrirei!
sorrirei com vontade
ao mar hei de amar,
amarei de verdade.

Viverei!
Viverei sem vaidade
quando mentir for preciso,
só lhe direi a verdade
e se eu disser mentira,
não me tenha piedade...

Me enforquei!
Me mate!
Serei tão feliz,
pelos caminhos andados.
Sentirei tanta saudade
do meu passado.

Chorarei também,
chorarei por desprezo
pela vida
a qual sempre estou preso.

Moisés Silva
Quando surgir outro sol
e me trouxer
alegria,
farei o mundo conspirar
como se fosse
magia.

A lua será tão bela
e me trará euforia,
assim será na terra,
o meu último dia.

3 de fev. de 2017

Comunicadores do Vale: um relato de vivências.

III Encontro dos Comunicadores do Vale - Jequitinhonha/MG - 2014
A comunicação faz parte da natureza de todos os seres vivos, seja por gestos, seja por aroma, pela escrita, desenho ou som. Todos os seres, principalmente nós seres humanos, necessitamos nos comunicarmos, como um extinto de sobrevivência. Inclusive diante esta necessidade, evoluímos nossas formas de comunicarmos, de chegarmos ao outro, muitas vezes de forma positiva, mas também em muitas vezes, de forma negativa. A comunicação une ou desune, promove paz ou guerra, amor ou ódio, ou seja, a arte de comunicar, é uma faca de dois  gumes, precisamos saber de qual lado desta faca estamos, precisamos perceber a importância de usar dos instrumentos de comunicação, para defendermos o que compreendemos que seja certa, mas antes é preciso buscar compreender o que é o certo.
Em 12 de dezembro de 2012, me aventurei ao desafio de blogueiro, com dois objetivos: falar sobre minhas raízes, minha cidade de Taiobeiras-MG, e meu sertão mineiro; e desenvolver minha escrita. A partir deste hobby, recebi um convite, participar de um encontro cheio de comunicadores de tudo que é lado do  Vale do Jequitinhonha. Era o 3º Encontro dos Comunicadores do Vale, o ano era 2014, a cidade Jequitinhonha.
Um longo caminho, saindo de Taiobeiras, passando por Salinas, Araçuaí, Itaiobim, acompanhado pelo rio Jequitionha, até a cidade de Jequitionha, terra do artesão Léo, que destaca o povo do vale em suas obras de barro. Terra da cachaça Jequitionha, da Igreja com traços da arquitetura holandesa. Da ponte estreita (foto ao lado) que ilustrou a caminhada que estava por vim diante ao Encontro dos Comunicadores do Vale, onde pude começar a me indagar e buscar respostas sobre a importância e o poder da comunicação.
Ponte no Rio Jequitionha -
Jequitinhonha/MG - 2014
O primeiro encontro a gente nunca esquece. E fez me vê e sentir, no meio de tantos novos amigos que ali começou a amizade, que eu fazia parte dos Comunicadores do Vale do Jequitionha. E perceber que dentro das faces que a comunicação exerce, estava diante a que me senti melhor. A dos comunicadores que não estavam ali para reproduzir o que a grande mídia faz, e sim trazer alternâncias, trazer o olhar, a voz e o valor dos oprimidos diante os grandes meios de comunicação. Trazer a realidade e dialogar com o povo na linguajar do próprio povo.
E inspirado ao Paulo Freire quando disse que “é fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal forma que, num dado momento, a tua fala seja a tua prática.” A experiência no Encontro dos Comunicadores do Vale, promoveu não só minha ida ao 4º Encontro, em janeiro de 2015 na cidade de Pedra Azul, mas a proliferação de mais participantes de Taiobeiras no encontro. E cada vez mais próximo e mais a vontade na participação deste evento, que promove além de um discurso politico sobre os meios de comunicação alternativos, populares e de luta, como a promoção de políticas públicas a juventude que em  massa participa do encontro, tendo a oportunidade de desenvolver com o contado a universidade, com a parceria da Universidade Federal de Minas Gerais, e o contato de grandes comunicadores de todas as áreas, a tantos intelectuais populares como o historiador Luís Santiago, que pude aprender tanto na praça onde o Bicho de Pedra Azul virou lenda, e que tomo os versos de sua obra Quarenta e duas peças poéticas:
Também com as frutas, tão longo
percebem vingando os troncos
e já conta com as forças próprias,
vão aos astros rapidamente,
luzindo por si sós, sem pedir
o nosso trabalho.
E nestes versos que refiro o que vi e vivi no passar dos ECV, a evolução e fortalecimento do grupo, sempre aparecendo mais um companheiro que busca levantar a bandeira de uma comunicação popular, um comunicação que dialogo de fato com o povo, mesmo com a grande dificuldade enfrentada pela opressão da indústria cultual, do consumismo midiático promovido pelas grandes mídias.
O 5º Encontro, o meu terceiro, fui ainda mais fortalecido, com a juventude que me acompanhou e com meu amadurecimento político e social no valor enquanto um comunicador do vale. Medina marcou não só mais uma edição do ECV, mas um momento de reflexão com a pauta mais importante, a construção da Carta dos Comunicadores, marco político do encontro, levando a voz dos comunicadores populares do vale do Jequitionha dentro da formalidade e da relevância do encontro.
Novamente me referindo ao pensador Paulo Freire, “ninguém liberta ninguém. As pessoas se libertam em comunhão”. E nesta comunhão criada pelo ECV, nos promovemos a nos libertar, e buscar nos meios da comunicação da alternância, sentir as correntes que nos prende e buscar assim, caminhos de mídias populares alternativas, que dialogue com a população e tragam ideias novas, tanto para o Vale do Jequitionha que tantas vezes é inferiorizado para todos que são oprimidos pela opressão das grandes mídias de comunicação.
Relatar as experiências vividas ao longo dos Encontros dos Comunicadores do Vale fortalece a importância destes momentos, e fortalecendo a identidade enquanto comunicadores populares, voltados a realidade do meio que estamos, não deixado de destacar o lado que estamos diante os meios de comunicação e nosso papel social diante isto.
O 6º Encontro dos Comunicadores do Vale na cidade de Cachoeira de Pajeú - MG, foi mais um grande momento do fortalecimento do grupo, dando incio da autonomia e das novas experiências a serem vividas por nós que construímos o ECV, diante a identidade regional, e a formação política enquanto um comunicador das mídias alternativas. 
VI Encontro dos Comunicadores do Vale - Cachoeira de Pajeú - 2017
 Enquanto educador e pesquisador trago a reflexão da relevância aos comunicadores, principalmente a juventude que participa do encontro, do aprendizado não só das oficinas mas dos conflitos de ideias promovidos nos debates durante o evento. E enquanto um comunicador de mídia alternativa, percebo a importância da evolução do meu trabalho diante estas vivencias.

Ser comunicador do vale, é saber a importância do meu papel social, dos desafios e lutas a serem enfrentadas, e de buscar sempre afirmar de que lado diante os lados que os meios de comunicação oferece, e levar as experiências vividas nos caminhos que for, e sempre se identificar como agente transformador do seu meio.


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