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20 de nov. de 2020

Interpretes do Brasil: Silvio Almeida.

Baseando no portal Interpretes do Brasil, pretendo aqui além dos grandes nomes considerados pelo portal, como grandes intelectuais brasileiros, trazer outras personalidades que representaram e representam estes interpretes da realidade social, política, econômica e cultural do Brasil. Como interprete da realidade brasileira de hoje, Silvio Almeida, o paulista, ativista dos movimentos negros, presidente do Instituto Luiz Gama, advogado e professor de filosofia. 

Silvio Almeida

No dia 17 de agosto de 1976, em São Paulo capital, nascia Silvio Luiz de Almeida, filho de Verônica e Lourival, conhecido como Barbosinha, ex-jogador de futebol. Mas diferente de seu pai, e de tantos outros jovens negros, oriundos da periferia, Silvio ganham reconhecimento nacional como advogado e filósofo, voltado a causas do movimento negro.

Formou-se em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie em 1999, e em Filosofia pela Universidade de São Paulo em 2011, ingressando em seguida no mestrado em Direito Político e Econômico pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e o doutorado em Direito pela USP.  

O que é racismo estrutural? (2018)
Silvio Almeida

            Silvio Almeida começou a ganhar destaque, com os estudos sobre o racismo estrutural no Brasil. Este fenômeno social que promove à exclusão e a violência à população de origem africana no Brasil e no mundo, que está presente na estrutura social e se ramifica em toda a sociedade, perpetuando o racismo por gerações.

Uma das suas principais obras, O que é racismo estrutural? (2018), nos faz refletir como e porque a sociedade, em pleno século XXI, com todos os avanços da ciência e da política, todas as conquistas de direito da população negra no mundo, ainda persiste o racismo. Almeida conceitua o racismo em três concepções: individualista, institucional e estrutural.

Nos debates sobre a questão racial podemos encontrar as mais variadas definições de racismo. A fim de apresentar os contornos fundamentais do debate de modo didático, classificamos em três as concepções de racismo: individualista, institucional e estrutural. A classificação aqui apresenta parte dos seguintes critérios: a) relação estabelecida entre racismo e subjetividade; b) a relação estabelecida entre racismo e Estado; c) a relação estabelecida entre racismo e economia. (ALMEIDA, 2019, p.27).

A obra do professor Silvio Almeida, é uma ótima reflexão para compreendermos a nossa realidade brasileira, e provocar como o racismo estrutural atinge toda a sociedade, desde fatores econômicos a fatores sociais e políticos. Silvio marca as novas lutas do movimento negro, pautada no campo da intelectualidade, do estudo cientifico e da ação de reflexões da política contra o racismo na sociedade brasileira.

19 de abr. de 2019

Interpretes do Brasil: Daniel Munduruku.

Baseando no portal Interpretes do Brasil, pretendo aqui além dos grandes nomes considerados pelo portal, como grandes intelectuais brasileiros, trazer outras personalidades que representaram e representam estes interpretes da realidade social, política, econômica e cultural do Brasil. Em referência ao Dia do Índio, comemorado nos continentes Americanos, o interprete de hoje é o professor e filósofo Daniel Munduruku, da etnia indígena Munduruku na região de Belém – PA. 

Daniel Munduruku
Em 19 de abril se comemora nos continentes das Américas, Sul, Central e Norte, o Dia do Índio, nome dado aos povos existentes nas Américas antes da colonização europeias nos continentes relacionados. A data veio a partir do 1º Congresso Indigenista Interamericano, realizado em 19 de abril de 1940, que teve como objetivo refletir e trazer a preservação e valorização da cultura dos povos indígenas nas Américas.
A data foi oficializada no Brasil em 1943, através do Decreto-Lei nº 5.540, durante o governo Vargas. A data tem como maior objetivo refletir os problemas enfrentados pelos povos indígenas. Questões como a violência e genocídio dos povos indígenas ao longo da história das colonizações europeias, aos problemas das desigualdades sociais e exclusões contemporâneas.
Ao longo da história os povos indígenas no Brasil e em toda América foram ocupando seu espaço e reconhecimento. Apesar da real valorização das diversas etnias indígenas presentes no Brasil, esta longe do ideal. Mas ao longo da história muitos indígenas foram se destacaram e conquistando os direitos e valorizações de seus povos.
O professor e filósofo Daniel Munduruku é um dos exemplos de oriundos de etnias indígenas que se destaca na interpretação do Brasil, principalmente dentro da leitura da realidade dos povos indígenas. O paraense de Belém nasceu na etnia Munduruku, graduado em Filosofia, História e Psicologia, mestre em Antropologia Social e doutor em Educação, pela Universidade de São Paulo. Daniel se destaca pela literatura infantil e pela literatura escrita pelos povos indígenas.
Memórias de Índio - Daniel Munduruku
Em sua obra promove a valorização dos povos indígenas, e traz da história contata apenas da forma oral, para a literatura escrita e registrada, como forma de preservar os contos e a história dos povos indígenas. Premiado pela UNESCO pela sua obra Meu Avô Apolinário, Daniel Munduruku destaca por outras obras como História de Índio e Coisa, Coisa de Índio e As Serpeantes que Roubaram a Noite. As obras de Daniel se tornam grandes referencias para compreensão dos povos indígenas no Brasil, e o faz uma das grandes referências da literatura indígena no mundo. A obra Memórias de índio se torna uma autobiografia de Daniel, e suas vivências na aldeia Maracanã onde nasceu e foi criado.

14 de mar. de 2019

Interpretes do Brasil: Carolina Maria de Jesus

Baseando no portal Interpretes do Brasil, pretendo aqui além dos grandes nomes considerados pelo portal, como grandes intelectuais brasileiros, trazer outras personalidades que representaram e representam estes interpretes da realidade social, política, econômica e cultural do Brasil. Em menção ao mês que marca a luta das mulheres, e ao mês do seu nascimento, a interprete de hoje é reconhecida pelos seus livros e poesias, a poeta, mulher, negra, Carolina Maria de Jesus. 


Quarto de Despejo: diário de uma favelada - Carolina Maria de Jesus
Em 14 de março de 1914 nascia em Sacramento, Minas Gerais, Carolina Maria de Jesus, neta de escravos, e filha de uma lavadeira analfabeta, teve a partir de uma das freguesas de sua mãe, o incentivo aos estudos, iniciados no primeiro colégio espírita do Brasil, o Colégio Espírita Allan Kardec, em sua cidade natal. E logo pegou o gosto pelos estudos e pela leitura.
Depois de uma vida sofrida, onde perdeu sua mãe, mudou-se para várias cidades do interior de Minas e São Paulo, sempre retornando a Sacramento. Carolina mudou-se para a capital paulista em 1947.  Teve três filhos, que sustentava sozinha catando papelão nas ruas da capital, morando em um barraco na favela do Canindé. Mas o gosto pela leitura e escrita continuava. Foi quando em 17 de junho de 1950, teve um dos seus poemas, Em louvor a Getúlio Vargas, publicado no jornal Defensor.
Em 15 de julho de 1955, a Poetisa Negra, assim chamada, dava inicio a um diário, contanto sobre a vida na favela. Mas foi em 1958, que o repórter e fotografo Audálio Dantas, descobre a moradora da favela do Canindé, e seus relatos. E no ano seguinte na revista Cruzeiro, Audálio começa a publicar trechos do diário de Carolina.
Mas o grande momento é quando em 1960, é lançado a primeira edição do diário de
Carolina Maria de Jesus
Carolina Maria de Jesus com o título Quarto de Despejo: diário de uma favelada (Confira a Obra). Aclamado pelos grandes críticos, e com grande repercussão, a obra de Carolina se torna uma grande referência, reconhecida pelas grandes academias de letras. Levando a realidade das periferias no olhar de uma mulher negra, na qual vivenciou em sua trajetória.
Para muitos, Quarto de Despejo: diário de uma favelada, e entre outras obras de Carolina Maria de Jesus, nos promover interpretar o Brasil, e a dura realidade das desigualdades sociais presentes no país. Uma obra que parte de um olhar empírico dentro da vivência dos estereótipos da exclusão, a mulher, a negra, a mãe solteira, a favelada. Sendo até hoje uma das grandes obras literárias brasileiras, de referência mundial.
Apesar do sucesso com suas obras, Carolina chegou ao declínio, e voltou a viver em estados precários. A escritora negra, que levou sua obra para o mundo, morreu em 13 de fevereiro de 1977, abrindo portas a outras escritoras e escritores de origem negra, e se tornando uma grande referência da luta pela igualdade e justiça de gênero e racial.

7 de jan. de 2019

Interpretes do Brasil: Darcy Ribeiro.


Baseando no portal Interpretes do Brasil, pretendo aqui além dos grandes nomes considerados pelo portal, como grandes intelectuais brasileiros, trazer outras personalidades que representaram e representam estes interpretes da realidade social, política, econômica e cultural do Brasil. O interprete de hoje é o montes-clarense, dos estudos e da posição política pela educação pública e os povos tradicionais indígenas, o antropólogo Darcy Ribeiro. 

Darcy Ribeiro
Em 26 de outubro de 1922, nascia na cidade de Montes Claros, Norte de Minas Gerais, Darcy Ribeiro, que se tornaria uma das grandes referências da áreas de Educação e da Antropologia no Brasil. Saindo jovem ainda de sua cidade, para se tornar uma grande referência política e das Ciências Socais no Brasil.
Ainda na sua juventude foi para a capital mineira, Belo Horizonte, cursar medicina, mas acabou encontrando-se nas Ciências Sociais sua paixão. E em 1946, em São Paulo, o jovem Darcy Ribeiro se formava em Antropologia pela FESP-SP, e começava seu grande estudo com os povos indígenas do Pantanal. Com o objetivo de compreender a vivência e a história da formação do povo brasileiro, o trabalho etnográfico de Darcy, se voltou à defesa das causas indígenas, e foi fundamental para criação do Parque Indígena Xingu e do Museu do Índio, que se tornaram referência do posicionamento político dos povos tradicionais no Brasil.
Nas décadas de 1950 e 1960 o antropólogo mudou-se para o Rio de Janeiro, começando a voltar seus trabalhos para a Educação, tanto básica como superior, e junto a Anísio Teixeira, um dos idealizadores da Universidade de Brasília, e se tornando o seu primeiro reitor. Darcy também ocupou cargos políticos importantes para os avanços da educação pública no Brasil. Foi ministro da Educação e da Casa Civil no governo Goulart, e após o golpe de 1964, com a instalação do regime militar no Brasil, Darcy Ribeiro foi mais um dos grandes intelectuais brasileiras a ser exilado do Brasil.
Nas suas vivências em outros países latinos e fora do continente, Darcy Ribeiro acabou envolvendo em ações políticas voltadas as reformas da educação e agrárias, contribuindo com os desenvolvimentos destes países, como o Uruguai, que ocupa hoje uma dos melhores índices educacionais entre os continentes americanos. Após a anistia, Darcy retornou ao Brasil, se tornando no ano de 1983, vice-governador do Estado do Rio de Janeiro ao lado do governador Leonel Brizola.
Diante suas obras, O Povo Brasileiro, a sua última grande publicação, se tornou uma
O Povo Brasileiro - Darcy Ribeiro
das maiores referências do autor, e da leitura sobre o Brasil. A obra lançada em 1995, traz um trabalho antropológico e histórico, com o objetivo de observar o Brasil a partir de suas várias matrizes da formação de seu povo, além de provocar reflexões da falta de uma nacionalidade presente em sua população, observando os
conflitos e violências presentes nesta formação.
Em 17 de fevereiro de 1997, o antropólogo de diversas obras escritas, de participação importante na ampliação gratuita da educação no Brasil, além de sua participação política com os povos indígenas e com a valorização da América Latina. Que se tornou imortal da Academia Brasileira de Letras, titulo que alcançou em 1992. E que ainda jovem, deixou o Norte de Minas, para um reconhecimento nas academias de toda América Latina, faleceu aos 74 anos na capital federal, Brasília.

1 de out. de 2018

Interpretes do Brasil: Milton Santos.


Baseando no portal Interpretes do Brasil, pretendo aqui além dos grandes nomes considerados pelo portal, como grandes intelectuais brasileiros, trazer outras personalidades que representaram e representam estes interpretes da realidade social, política, econômica e cultural do Brasil. Como interprete da realidade brasileira de hoje, Milton Santos, o baiano, negro, doutor em Geografia.

Milton Santos
No dia 03 de maio de 1926, no município de Brotas de Macaúbas, Chapada Diamantina, Bahia, Brasil, nascia Milton Almeida dos Santos, que migrou por algumas cidades baianas, até chegar junto com sua família até a capital Salvador. E desde pequeno já demonstrava sua intelectualidade.
Graduado na Universidade Federal da Bahia, em Direito, no ano de 1948, Milton Santos, acabou seguindo seus estudos para geografia, começando com aulas de geografia no ensino médio, até o seu doutorado na Universidade de Strasbourg na França em 1958. Onde começava ali a sua carreira acadêmica em grandes universidades brasileiras e dos países onde passou.
Se tornou um dos grandes nomes da pesquisa implicada na realidade social nos anos de 1960. Como sua tese de doutorado O Centro da Cidade de Salvador (1959), o geografo buscou refletir as transformações da cidade diante efeitos da modernização e da urbanização.
Milton Santos professor de geografia humana na Universidade Federal da Bahia, como muitos intelectuais de sua época, sofreu com a intervenção militar nos anos de 1964. Diante o golpe de Estado, Milton foi forçado a deixar o país diante sua posição política. Mas teve diante este cenário, a oportunidade de desenvolver suas pesquisas dentro de grandes centros de pesquisas e universidade renomadas.
Suas primeiras experiências internacionais foram na França, nas Universidades de Toulouse, Bordeaux, Paris-Sorbonne, e no IEDES (Institutode Estudos de Desenvolvimento Econômico e Social). Entre 1971 a 1977, passou por outros países, e teve assim experiências acadêmicas que contribuíram para seu desenvolvimento teórico. Nos Estados Unidos passou pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology) em Boston, Columbia University em Nova Iorque, também passou pelas Universidade de Toronto – Canadá, Caracas – Venezuela, Dar-es-Salam, Tanzânia.
Em 1977 retornou para o Brasil, mas só em 1979 ingressou novamente o ofício de professor na Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde ficou até o ano de 1983. Foi quando ingressou por concurso na Universidade de São Paulo, onde se tornou o professor de geografia humana até o final de sua carreira, se tornando em 1997 professor emérito.
Ao logo de sua vida, Milton Santos foi contemplado dezenove vezes com o título de Doutor Honoris Causa, prêmio máximo cedido por uma instituição de ensino superior, a pessoas que fizeram a diferença para a sociedade. Mas o prêmio mais importante para Milton Santos foi o Prêmio Internacional de Geografia Vautrin Lud, em 1994, pela sua obra Por uma Geografia Nova, da crítica da geografia a uma geografia crítica (1978).
Por uma Geografia Nova - Milton Santos
Milton Santos se torna um dos grandes nomes dos estudos científicos da Geografia, por retratar desde os estudos micros aos macros, dentro de uma reflexão crítica da realidade social analisada. Sua idealização de provocar dentro dos estudos da geociência o papel de uma Geografia Nova, é elevar o papel dos estudos dentro da geografia, para uma reflexão mais ampla da realidade em nossa volta.
Milton traz em sua obra, uma reflexão do fator ideológico da disciplina Geografia surgiu para os interesses dos grupos dominantes. Onde o sistema capitalista a utilizou para suas expansões. E diante este ponto, como a Geografia precisava ser revista e provocar a reflexão crítica da realidade, diante as mudanças do espaço dentro do fenômeno da globalização, efeitos promovidos pelo sistema. Para isto o geógrafo deve buscar nesta Geografia Nova, um outro viés:
Os geógrafos, ao lado de outros cientistas sociais, devem se preparar para colocar os fundamentos de um espaço verdadeiramente humano, um espaço que uma os homens por e para seu trabalho, mas não para em seguida os separar entre classes, entre exploradores e explorados; um espaço matéria inerte trabalhando pelo homem, mas não para se voltar contra ele; um espaço, natureza social aberta à contemplação direta dos seres humanos, e não um artifício; um espaço instrumento de reprodução da vida, e não uma mercadoria trabalhada por uma outra mercadoria, o homem artificializado. (SANTOS, p. 266, 2004).

Em 1994, também veio seu grande desafio, diagnosticado com câncer, Milton Santos, lutou contra a doença até dia 24 de junho de 2001, quando em dia de São João comemorado no interior da Bahia, um dos maiores nomes da geografia humana, crítica, faleceu. Deixando grandes obras e novas reflexões para os estudos da realidade social.

13 de abr. de 2018

Interpretes do Brasil: Herbert José de Souza, o Betinho.

Baseando no portal Interpretes do Brasil, pretendo aqui além dos grandes nomes considerados pelo portal, como grandes intelectuais brasileiros, trazer outras personalidades que representaram e representam estes interpretes da realidade social, política, econômica e cultural do Brasil. Para iniciar, um norte-mineiro que é considerado um dos grandes nomes do combate à desigualdade social, e grande defensor dos direitos humanos e da participação cidadã, Herbert José de Souza, simplesmente o Betinho.

Betinho
No dia 03 de novembro de 1935, no município de Bocaíuva, norte de Minas Gerais, nascia Herbert José de Souza, que ficou conhecido pelo o mundo a fora, como Betinho. Irmão do músico Chico Mário e do cartunista Henfil (confira o filme abaixo sobre a história dos três irmãos). 
Graduado na Universidade Federal de Minas Gerais em Sociologia, no ano de 1962. Ativista dos direitos humanos no Brasil, o sociólogo Betinho foi engajado na luta dos movimentos sociais, desde o governo de João Goulart, com a defesa das reformas de base, principalmente a reforma agrária no Brasil. Durante o período da ditadura militar no Brasil, foi obrigado a se exilar no Chile no ano de 1971, diante seu posicionamento político e sua crítica ao regime militar. Levou sua luta até a sua morte no ano de 1997, causada pela hemofilia herdada de sua mãe, e pela AIDS, e a hepatite C que adquiriu em uma transfusão de sangue.
Projeto Ação da Cidadania 
Em 1991, foi reconhecido com o Prêmio Global 500, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, diante sua luta pela defesa da reforma agrária e pelos direitos aos povos indígenas. Mas seu grande projeto, que destacou mundialmente, foi a Ação da Cidadania, contra a Fome, a Miséria e pela Vida. Onde conseguiu sem apoio de nenhum governo, levar alimentos as famílias em estado de miséria, por todo o país. E durante o primeiro governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, foi membro do Conselho da Comunidade Solidário, na promoção ao combate à miséria no país, e mesmo depois de sua morte sua obra contra a pobreza inspirou vários projetos e programas sociais, como o programa Fome Zero, no primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Teve grandes obras públicas, desde temas voltados ao público infanto-juvenil, como a Centopeia que Pensava, uma forma de trazer um olhar crítico e solidário ao público infantil. Voltadas a conscientização do problema da AIDS e das políticas de saúde pública na sociedade, e uma reflexão de uma doença que adquiriu, como a obra junto com seu irmão Henfil, A Cura da AIDS.
Mas a suas grandes obras foram voltadas a questão da cidadania, da solidariedade e dos movimentos sociais no combate à desigualdade social no Brasil. Em artigo e entrevista feita para a editora Moderna, no ano de 1994, a obra Ética e Cidadania, junto com Carla Rodrigues, voltada para a juventude, como uma forma didática, Betinho traz todas suas vivências, e reflexões diante o conceito de cidadania, política e solidariedade.
Em seu texto O Pão Nosso, em Reflexões para o futuro, edição Veja 25 anos, em 1993, Betinho diz:
No combate à fome há o germe da mudança do país. Começa por rejeitar o que era tido como inevitável. Todos podem e devem comer, trabalhar e obter uma renda digna, ter escola, saúde, saneamento básico, educação, acesso à cultura. Ninguém deve viver na miséria. Todos têm direito à vida digna, à cidadania. A sociedade existe para isso. Ou, então, ela simplesmente não presta para nada. O Estado só tem sentido se é um instrumento dessas garantias. A política, os partidos, as instituições, as leis só servem para isso. Fora disso, só existe a presença do passado no presente, projetando no futuro o fracasso de mais uma geração. [...] Tenho fome de humanidade. (SOUZA, Herbert, 1993)

Betinho, se tornou assim, uma das maiores referencias da luta pelo combate a pobreza e a desigualdade social no Brasil, foi um crítico e um visionário nas questões sociais, e na promoção a cidadania e a solidariedade diante os problemas no país. Valendo destacar sua atuação política e social, na transformação da realidade brasileira.

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