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8 de jul. de 2019

Espaço Musical: Ciências e Arte

Em 08 de julho de 1948 foi criado a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, que se torna fundamental para os avanços da pesquisa cientifica no Brasil. Assim em 2001, foi sancionada a Lei nº 10.221, que define a data da fundação da SBPC como Dia Nacional da Ciência.  Uma data para valorizar a produção científica e incentiva a iniciação científica. A canção Ciência e Arte do músico e compositor Cartola em parceria ao compositor Carlos Cachaça faz uma grande homenagem a grandes cientistas brasileiros como Pedro Américo e Cesar Lattes. 

Cartola
As Ciências, seja ela as Humanas, as Naturas e as Exatas, surgem dentro da Arte e da Filosofia, e nos promove um conhecimento que tem como base um tripé: o objeto de estudo, o método e a teoria. Que se desenvolveu com o tempo, e provocou grandes mudanças na humanidade. As Ciências que se conflitou com as doutrinas religiosas, mas a partir da era moderna, da sociedade capitalista instaurada principalmente no século XIX, ganhou maior notoriedade.
No Brasil, os estudos científicos ganharam maior expressão a partir do século XX, principalmente após a fundação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência em 08 de julho de 1948, data esta que em 2001 foi estabelecida como o Dia Nacional da Ciência com a Lei nº 10.221, tendo em 2008, com a Lei nº 11.807 a segunda lei que promove o dia 08 de julho como uma data para comemorar e promover os avanços da produção cientifica no Brasil. Que mesmo com grandes avanços e resposta a importância dos estudos desenvolvidos, a produção cientifica vem sofrendo grandes ameaças a ignorância de uma ideologia radical e extremista no cenário político.
Álbum Cartola 70 anos - 1979
Em 1979, no álbum Cartola 70 anos do grande sambista, músico e compositor Angenor de Oliveira, ou simplesmente Cartola, a canção Ciência e Arte, foi uma grande homenagem a comunidade cientifica do Brasil, em especial ao filósofo, teórico de artes, escritor e cientista do século XIX, Pedro Américo, e renomado físico Cesar Lattes, indicado ao Nobel de 1950. Uma canção que traz o ritmo do samba, para expressar a relevância da Ciência e das produções cientificas produzidas no Brasil.

Confira abaixo a canção:
Ciência e Arte
Cantor/Compositores: Cartola e Carlos Cachaça

Tu és meu Brasil em toda parte
Quer na ciência ou na arte
Portentoso e altaneiro
Os homens que escreveram tua história
Conquistaram tuas glórias
Epopéias triunfais
Quero neste pobre enredo
Reviver glorificando os homens teus
Levá-los ao panteon dos grandes imortais
Pois merecem muito mais

Não querendo levá-los ao cume da altura
Cientistas tu tens e tens cultura
E neste rude poema destes pobres vates
Há sábios como Pedro Américo e Cesar Lattes

21 de jun. de 2019

Espaço Musical: A Volta do Boêmio

Em 21 de junho de 1919, nascia em Santana do Livramento, Rio Grande do Sul, Antônio Gonçalves Sobral, que se tornaria Nelson Gonçalves o “Rei da Boemia”. Nos 100 anos de um dos maiores cantores da Música Popular Brasileira, que teve seus grandes sucessos na era do rádio, “que virou saudade” em abril de 1998, mas sempre será um símbolo da musicalidade brasileira, e sempre será lembrado pela Boemia, com a grande canção lançada no álbum de mesmo nome em 1967, A Volta do Boêmio.

Nelson Gonçalves 
No dia 21 de junho de 1919, na cidade do interior Gaúcho de Santana do Livramento, nascia Antônio Gonçalves Sobral, filho de um pai músico, na qual homenageou com a canção Naquela Mesa, ainda aos 07 anos mudou-se para a capital paulista no bairro do Brás. E assim a influência pela música cresceu, e depois de trabalhar de quase um tudo na infância e juventude, inclusive sendo boxeador, vencendo aos 16 anos o título de peso-médio o Campeonato Paulista, teve ainda na juventude as primeiras oportunidades na música, apesar da “gagueira” que tinha, no qual levou o apelido de “Metralha”.
Assim Antônio Gonçalves Sobral, começou a usar o nome artístico de Nelson Gonçalves, se juntando ao músico Joaquim Silva Torres. Não teve vida fácil ao ingressar nas rádios, foi reprovado nas suas primeiras tentativas, antes de ingressar na rádio PRA – 5, mas foi logo dispensador. Era um período no qual tinha acabado de se casar com Elvira Molla, no qual teve dois filhos.
Em 1939, na busca de oportunidade na música mudou-se para o Rio de Janeiro, e lá começou a destacar nos programas de calouros das rádios cariocas. Em 1941 conseguiu gravar seu primeiro disco, e logo foi aclamado pelo público, tendo nas décadas de 1940 a 1950 o inicio de sua fama do Rei do Rádio e o Rei da Boemia, chegou casar neste período mais duas vezes após se separar da primeira esposa, em 1952 com a cantora do Trio de Ouro, Lourdinha Bittencourt, e em 1965 com Maria Luiza da Silva Ramos, no qual teve dois filhos e foi fundamental para sua recuperação após dependência com o vício no uso de cocaína, que levou o cantor a vários problemas pessoas e profissionais.
Nelson Gonçalves - Álbum: A Volt do Boêmio (1967) 
E com apoio de Maria Luiza, após período de tratamento ao vício no qual chegou ser preso, Nelson Gonçalves voltaria aos sucessos com um dos seus principais álbuns produzidos, e com a canção mais famosa em sua interpretação, composta por Adelino Moreira, A Volta do Boêmio. Assim sucesso estourado em 1967, o Rei da Boemia voltou as paradas de sucesso, estendendo do final dos anos de 1960 a década de 1990, quando em 1998, por conta de um infarto, aos 78 anos, faleceu na cidade do Rio de Janeiro.
Nelson Gonçalves ainda é lembrado como um dos músicos mais importantes da Música Popular Brasileira, por uma voz marcante, e por ter mantido uma carreira de sucesso, e mesmo com os problemas ao vício das drogas, soube retornar ao sucesso, no que manteve até mesmo após a sua morte. Com 38 discos de ouro, e 20 de platina, com mais de 78 milhões de vendas de discos, um dos recordistas no Brasil, com mais de 180 canções gravadas, O Rei da Boemia, que completaria 100 anos, deixou um grande legado a MPB.


Confira abaixo a canção:
A Volta do Boêmio
Cantor/Compositores: Nelson Gonçalves/ Adelino Moreira.

Boemia, aqui me tens de regresso
E suplicante te peço a minha nova inscrição.
Voltei pra rever os amigos que um dia
Eu deixei a chorar de alegria; me acompanha o meu violão.
Boemia, sabendo que andei distante,
Sei que essa gente falante vai agora ironizar:
"Ele voltou! O boêmio voltou novamente.
Partiu daqui tão contente. Por que razão quer voltar?"
Acontece que a mulher que floriu meu caminho
De ternura, meiguice e carinho, sendo a vida do meu coração,
Compreendeu e abraçou-me dizendo a sorrir:
"Meu amor, você pode partir, não esqueça o seu violão.
Vá rever os seus rios, seus montes, cascatas.
Vá sonhar em novas serenatas e abraçar seus amigos leais.
Vá embora, pois me resta o consolo e alegria
De saber que depois da boemia
É de mim que você gosta mais".

17 de mai. de 2019

Espaço Musical: Bem entendido.

O Dia Internacional Contra a Homofobia, Bifobia e Transfobia se dá no em 17 de maio, como um momento de luta as causas LGTB+ e de um mundo em que o respeito às diversidades e diferenças de gêneros exista por parte de todxs. A data surgiu em 1990, quando o termo “homossexualismo” foi desconsiderado, e a homossexualidade deixou de ser considerada uma doença pela Organização Mundial da Saúde. Em 1974 vários músicos brasileiros promoveram canções em homenagem ao cantor e interprete Edy Star, entre estas canções a música Bem Entendido composta pelos músicos Renato Piauí e Sérgio Natureza.  

Álbum Sweet Edy - Edy Star - 1974
Em 17 de maio de 1990 as comunidades ligadas a causa LGBT+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros, Transexuais, Travestis e outras definições do gênero), conquistaram uma das suas grandes lutas, a de tirar da Classificação Estatística Internacional de Doença e Problemas Relacionados com Saúde (CID) da Organização Mundial de Saúde (OMS) o homossexualismo como uma doença, e retirar o conceito de “homossexualismo”, como se a questão da homossexualidade fosse uma doutrinação ou ideologia, e não uma questão genética e psicológica do indivíduo.
A conquista foi significativa a causa LGBT+, que desde a década de 1960 vem se organizando e lutando por seus direitos em todo o mundo. Apesar da importância da data, a luta no combate a homofobia, bifobia e transfobia, é diária, e em pleno século XXI, os altos índices de violência a comunidade LGBT+ são constantes, no Brasil e no mundo. Por isto existe a grande importância de lembrar as lutas e os direitos conquistados, para derrubar preconceitos e intolerâncias sobre as questões de gênero, destacando as causas LGBT+.
Nos anos de 1970 a luta pelos direitos a comunidade LGBT+ ganharam força, e em
Álbum Sweet Edy - Edy Star - 1974
1974 músicos renomados da música brasileira como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Moraes Moreira, Roberto Carlos e Erasmo Carlos, compuseram várias canções para o álbum Sweet Edy, uma homenagem ao músico e interprete o baiano Edy Star, um dos primeiros músicos brasileiros assumido gay. O álbum se tornou uma referência das causas LGBT+ daquela época, e entre tantas canções destacamos Bem entendido composta pelos músicos Renato Piauí e Sérgio Natureza, um dos grandes sucessos interpretados per Edy, que na gíria da época era uma definição do homossexual, que com o nome bem sugestivo, mostrava a liberdade e a firmeza de assumir a sexualidade.

Confira abaixo a canção:
Bem Entendido
Cantor: Edy Star.
Compositores: Roberto Piauí e Sérgio Natureza.

11 de mai. de 2019

Espaço Musical: Nine out of ten.

Em 11 de maio se comemorara no Brasil o Dia Nacional do Reggae, em homenagem ao eterno Bob Marley. O músico jamaicano um ano antes da sua morte, veio ao Brasil onde já era reverenciado por um grande número de amantes das suas canções. Bob é um grande influente da música brasileira. A canção Nine out of tem, de 1972 do álbum Transa do músico e compositor baiano Caetano Veloso, é considerado a primeira canção de Reggae no Brasil. Tendo como grande inspiração do reggae nacional Bob Marley, entre outros grandes nomes deste ritmo jamaicano, que a cultura brasileira se identificou. 

Caetano Veloso
Em 1968, ano que marcou os movimentos contracura, marcou a história da música, nascia dos estilos musicais do Ska e do Rocksteady em terras jamaicanas um ritmo musical que marcou gerações, o Reggae. Lee “Scratch” Perry, Joe Gibbs e King Tubby foram os grandes nomes da origem deste gênero musical, que foi levado para fora da Jamaica pelo produtor Chris Blackwel, que final da década de 1960 apresentou o Reggae na Inglaterra.
Mas foi na década de 1970 que o Reggae estourou no mundo, após o filme jamaicano Balada Sangrenta (1972) estrelado por Jimmy Cliff, levando na sua trilha sonora o gênero musical, que no mesmo ano chegou no Brasil. No qual Jimmy Cliff veio ao país no Festival Internacional da Canção. Mas o Reggae acabou sendo adorado no mundo todo, a partir o músico, compositor jamaicano Robert Nesta Marley, ou simplesmente Bob Marley, para muitos o maior nome do ritmo musical, e dado como o Deus do Reggae.
Álbum Transa - 1972 - Caetano Veloso
Bob Marley começa sua carreira em 1963, com a banda The Wailers, mas em 1977 com o álbum Exodus, o músico jamaicano se tornou um dos maiores nomes da música do planeta. Influenciando e inspirando músicos em todos os lugares, Marley e o Reggae ganharam aderes no Brasil. A canção Nine out of ten, do músico e compositor baiano Caetano Veloso do álbum Transa de 1972, foi a primeira canção do gênero no país.
A partir de Caetano, do seu eterno companheiro Gilberto Gil, o Reggae começou a fazer parte da música brasileira. Na década de 1980 com a formação da banda Tribos de Jah no Maranhão, o Reggae estourou de vez, fazendo do Estado maranhense a referencia do Reggae no país, e criando uma legião vestidos de verde, amarelo e vermelho, nas cores do Reggae. Em 2012 foi titulado o dia 11 de maio, data que marcou a morte de Bob Marley vitima de câncer, como o Dia Nacional do Reggae, uma bela homenagem ao ídolo e deste ritmo que e reverenciada por gerações.

Confira abaixo a canção:
Nine out of ten
Cantor/Compositores: Caetano Veloso.

I walk down Portobello road to the sound of reggae
I'm alive
The age of gold, yes the age of old
The age of gold
The age of music is past
I hear them talk as I walk yes I hear them talk

I hear they say
"Expect the final blast"
I walk down Portobello road to the sound of reggae
I'm alive

I'm alive, vivo muito vivo feel the sound of music
Banging in my belly
Know that one day I must die
I'm alive
And I know that one day I must die
I'm alive
Yes I know that one day I must die

I'm alive vivo muito vivo
In the electric cinema or on the telly
Nine out of ten movie stars make me cry

I'm alive
And nine out of ten movie stars make me cry
I'm alive

10 de mai. de 2019

Espaço Musical: Vida no Campo.

No dia 10 de maio é comemorado o Dia do Campo, em algumas regiões brasileiras, a data é comemorada no dia 05 de maio. Esta data comemorativa tem como intuito valorizar a produção rural, e o trabalhador do campo, que é o grande responsável pelo sustento da alimentação consumida no mundo todo. O músico baiano Xangai, compôs a canção Vida no Campo como forma de homenagear a suas origens, lá da zona rural de Itapebi – BA. 

Xangai
Historicamente a produção no Campo sempre foi a base da economia brasileira. Do pequeno produtor, o responsável por boa parte dos alimentos que chegam à mesa dos consumidores, ao agronegócio, a agricultura é um símbolo brasileiro. Marcada desde os conflitos sociais e ambientais, além da desigualdade da má distribuição da terra, até a diversidade e a riqueza no território brasileiro, o Campo é um espaço de pertencimento, luta e resistência.
Nos seus aspectos culturais, um país que por quase quinhentos anos concentrou quase toda sua economia, e sua população com características rurais, não pode negar na sua ruralidade a importância do Campo. Assim a data 10 de maio, ou 05 de maio em algumas regiões, é comemorado este espaço geográfico caracterizado pela maior concentração de recursos naturais, e pela simplicidade, apesar dos avanços tecnológicos e as modificações constantes causada nos últimos tempos.   
O Campo traz consigo o lugar do pertencimento, mesmo para aqueles que nasceram e viveram toda uma vida nos espaços urbanos. O cantor, violeiro, ator e compositor baiano Eugênio Avelino, ou simplesmente Xangai, nascido na zona rural de Itapebi no extremo sul da Bahia, as margens do Rio Jequitinhonha, e cresceu nos espaços onde a ruralidade sempre esteve presente.
Álbum: Nós é jeca mais é Jóia - 2007 - Juraildes da Cruz e Xangai 
Com toda sua ruralidade, e pertencimento ao espaço do campo, Xangai compôs a canção Vida no Campo, do álbum Nóis é Jeca mais é Jóia de 2007 em parceria com o músico Juraildes da Cruz. como forma de homenagear a suas raízes e a população camponesa brasileira. Trazendo na canção a simplicidade e o sentindo do que é o Campo para quem tem o pertencimento nele. A “fruta madura” o lugar que “por nada no desse mundo” sairá, refletindo a sua identidade e se lugar de origem. 

Confira abaixo a canção:
Vida no Campo
Cantor/Compositores: Xangaí.

O galo cantou, é de manhã
A barra do dia, dourada vem surgindo
Clariô
A passarada acorda fazendo festa
A natureza sorrindo

A vida no campo é fruta madura
Amizade é coisa pura, é mel no coração
Gado no curral, cuscuz com leite
Café com queijo, eu gosto é de um requeijão
Vou lhe falar: não troco essa vida
Por nada desse mundo
Não saio desse lugar

Quando é meio dia
A cigarra enche o mundo de som
Na maior alegria
Anoiteceu
Na prosa do "cumpade", o bezerro
Foi a onça quem comeu

A vida no campo é fruta madura...

29 de abr. de 2019

Espaço Musical: O Tempo Não Para

O músico-poeta Cazuza é conhecido como um dos principais compositores brasileiros, por trazer em suas canções reflexões sempre atuais na leitura da realidade brasileira. Claro que a realidade brasileira diante seus problemas sociais é algo que parece não mudar. A canção O Tempo Não Para de Cazuza junto a Arnaldo Brandão, é uma leitura crítica da realidade brasileira. A canção que veio como desabafo de Cazuza diante a mídia que estava já o colocando como morto. Tornou-se uma leitura e critica das relações de poder e dos problemas sociais no país. 

Cazuza
O compositor, poeta e músico carioca Agenor de Miranda Araújo Neto, ou simplesmente Cazuza, é considerado um dos maiores nomes da música brasileira. Com letras marcantes, pela letra poética, ou pela crítica social, teve seu auge nos anos de 1980, falecendo aos 31 anos e deixou canções eternizadas. Muitas delas bem atuais diante a leitura da realidade do país.
A canção O Tempo Não Para do álbum de mesmo nome lançado em 1988, dois anos antes da morte do artista, foi uma parceria com o músico Arnaldo Brandão, e de uma crítica a mídia e aqueles que o colocavam como morto e derrotado, se torna uma letra marcante diante a crítica do poder político e dos problemas sociais do país.
Nos anos de 1990 com um pais cheio de problemas sociais, e uma revolta popular diante o governo do presidente Collor de Melo, a canção se tornou uma das referencias da juventude dos Caras Pintadas diante o impeachment do presidente. Mas hoje em pleno século XXI, a canção se mostra ainda mais viva do que nunca.
Talvez Cazuza não imaginasse que ao dizer que vai “sobrevivendo” da “caridade de que” o “detesta”, teria tanto sentindo no final da década de 2010. 30 anos depois da canção, o “futuro” vem repetindo o “passado”, com uma onda conservadora extremista da direita ganhando força como nos de 1960 no país. E até mesmo querendo interferir na história, querendo tirar a sua culpa na morte de milhões de pessoas durante o Nazismo na Europa, aos golpes militares na América Latina.
Ainda continuam chamando de “ladrão, bicha e maconheiro”, principalmente aqueles que fazem usam a arte para educar, e conscientizar de forma crítica o poder político e econômico que “transformam o país inteiro em um puteiro”, e continuando assim ganhando “mais dinheiro”. E em uma analise de contexto entre épocas, ainda continuam figuras da época de Cazuza nesta relação, porque a 30 anos atrás, o que foi falado que é novo hoje, que é o diferente, que não é a “velha política”, entre tantas falas que titula de “mitagem”, já faziam parte dos cenários dos poderes políticos e econômicos no Brasil.
Álbum: O Tempo Não Para - Cazuza - 1988
O pior, é que a “piscina” destes que são os novos, continuam “cheia de ratos” e que as suas “ideias não correspondem os fatos”. O Tempo Não Para é uma das canções que mostra que a realidade brasileira e os problemas sociais, políticos e econômicos, continuam presentes, sempre diante um processo de retrocesso no nosso cenário político. Que após tantas conquistas de direitos sociais, políticos, civis e humanos, vemos uma onda conservadora de extrema direita colocar em “xeque” estas conquistas.  


Confira abaixo a canção:
O Tempo Não Para
Cantor/Compositores: Cazuza e Arnaldo Brandão.

Disparo contra o sol
Sou forte, sou por acaso
Minha metralhadora cheia de mágoas
Eu sou um cara
Cansado de correr
Na direção contrária
Sem pódio de chegada ou beijo de namorada
Eu sou mais um cara

Mas se você achar
Que eu tô derrotado
Saiba que ainda estão rolando os dados
Porque o tempo, o tempo não para

Dias sim, dias não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta

A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas ideias não correspondem aos fatos
O tempo não para

Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não para
Não para, não, não para

Eu não tenho data pra comemorar
Às vezes os meus dias são de par em par
Procurando agulha num palheiro

Nas noites de frio é melhor nem nascer
Nas de calor, se escolhe: é matar ou morrer
E assim nos tornamos brasileiros
Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro
Transformam o país inteiro num puteiro
Pois assim se ganha mais dinheiro

A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas ideias não correspondem aos fatos
O tempo não para

Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não para
Não para, não, não para

Dias sim, dias não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta

A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas ideias não correspondem aos fatos
O tempo não para

Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não para
Não para, não, não para

23 de abr. de 2019

Espaço Musical: Carinhos.

O ritmo musical Choro ou Chorinho é um dos mais originais estilos musicai a partir da sua instrumentalidade. E este estilo musical tipicamente brasileiro, ganhou o mundo por trazer belas canções, que desde as sinfonias e as letras, mexem com a emoção de quem as ouvem. A canção Carinhoso de Pixinguinha talvez seja uma das mais belas músicas de choro, e que retrata este ritmo. 

Pixinguinha
O Choro é um ritmo musical que surgiu no século XIX no Rio de Janeiro, que em meados da década de 1870, a partir do músico Joaquim Calado, o estilo musical começou a ser reconhecido. Aos poucos o Choro, ou Chorinho assim também conhecido, foi ganhando adeptos na capital brasileira (na época o Rio de Janeiro era a capital do Brasil), principalmente entre as classes populares, que apesar do estilo instrumental meloso, o ritmo era considerado na época como musicalidade inquieta e eufórica.
Com o tempo o Choro foi ganhando espaço e reconhecimento, e os chorões, assim conhecidos os músicos de Choro, que se reunião nos bairros periféricos da Cidade Maravilhosa, principalmente no bairro Cidade Nova, foram ganhando reconhecimento. Entre eles destacava a Chiquinha Gonzaga, a criadora da primeira Marchinha de Carnaval, Ernesto Nazareth e um dos mais celebrem chorões de todos, Pixinguinha.
Carinhoso - Pixinguinha
Alfredo da Rocha Viana Filho, o Pixinguinha, nasceu no Rio de Janeiro em 23 de abril de 1897, e herdou de seu pai a habilidade de flautista. Pixinguinha desde pequeno já mostrou seu talento, e aos 13 anos compôs o choro Lata de Leite, em pouco tempo, se juntou com outros grandes nomes João da Baiana, e Donga criador da canção Telefone, o primeiro Samba. Formaram o grupo Oito Batutas no início do século XX, e assim Pixinguinha se tornou um dos maiores chorões de todos os tempos, o que faz da sua data de aniversário o Dia do Choro.
Entre tantas canções do grande músico, a canção composta entre 1916 a 1917, Carinhoso, é uma das mais belas canções da Música Popular Brasileira, e um dos maiores Chorinhos. A instrumentalidade de Pixinguinha recebeu anos depois a letra do músico João de Barro, sendo gravada em 1937 por Orlando Silva, trazendo uma narrativa a esta canção que é um dos símbolos da musicalidade do Choro.  

Confira abaixo a canção:
Carinhoso
Instrumentista: Pixinguinha
Letra: João de Barro
Cantor: Orlando Silva

Meu coração
Não sei porque
Bate feliz
Quando te vê
E os meus olhos ficam sorrindo
E pelas ruas vão te seguindo
Mas mesmo assim
Foges de mim
Ah, se tu soubesses como eu sou tão carinhoso
E muito muito que te quero
E como é sincero o meu amor
Eu sei que tu não fugirias mais de mim
Vem, vem, vem, vem

Vem sentir o calor dos lábios meus
A procura dos teus
Vem matar esta paixão
Que me devora o coração
E só assim então
Serei feliz, bem feliz

10 de mar. de 2019

Espaço Musical: Pelo Telefone

Em 10 de março de 1876, na Exposição Centenária nos Estados Unidos, o escocês Alexander Graham Bell proporcionou ao mundo uma invenção que possibilitou a transmissão elétrica de voz, criando assim o primeiro telefone. Entre as primeiras pessoas a testa a invenção revolucionária, estava o imperador do Brasil da época, Dom Pedro II. Mas não fica ai a relação da invenção do telefone com o Brasil, pois em 1916, a canção Pelo Telefone, de autoria de Donga e Mauro de Almeida, deu origem a um dos grandes gêneros musicais brasileiros, o Samba. 

Donga
A invenção do telefone é sem duvida uma das maiores criações da humanidade. Um aparelho que através dos conhecimentos da física, com a transmissão de eletricidade, consegue transmitir um som a longas distâncias. Desde os primeiros telefones, aos modernos smartphones, esta invenção e suas inovações se tornaram símbolo das transformações e desenvolvimento na forma de comunicar da humanidade.
E foi em 10 de março de 1876, na Pensilvânia, Filadélfia nos Estados Unidos, durante a Exposição Centenária da Independência dos Estados Unidos d América, que o cientista, inventor e empresário escocês Alexander Graham Bell, trazia para o mundo sua grande invenção, o telefone.
O telefone se tornou um marco do evento político estadunidense, que contava com várias personalidades políticas de todo o mundo. Entre tais personalidades estava o segundo imperador do Brasil, Dom Pedro II, que foi convidado de honra de Graham Bell, para testar a nova invenção. Assim em uma distância de 150 metros um do outro, Bell mencionou pelo telefone uma famosa frase shakespeariana, “to be or not to be?” (ser ou não ser?), e Dom Pedro II ao ouvir do outro lado da linha, respondeu admirado, ‘meu Deus, isto fala!”.
Mas não fica só aqui esta relação do Brasil com a invenção de Graham Bell. 40 anos
Canção Pelo Telefone - 1916 - Donga e Mauro de Almeida
depois, em novembro de 1916, o compositor Ernesto dos Santos, o Donga e o jornalista Mauro de Almeida, na casa de Tia Ciata, um terreiro de candomblé, no Rio de Janeiro, dava o surgimento da canção Pelo Telefone. Apesar de não haver nenhuma ligação direta com Graham Bell, a canção que levava no nome a invenção do escocês, era também uma das maiores invenções da música mundial, surgia ali a criação do gênero musical do Samba.
A canção que foi lançada, segundo registros da Biblioteca Nacional, em 20 de janeiro de 1917, pela gravadora Casa Edson, pelo selo Odeon Records. E logo se tornou sucesso em uma época que o carnaval carioca era apenas de bloquinhos de rua, e estava começando a ter seu grande percussor, o Samba.

Confira abaixo a canção:
Pelo Telefone
Cantor/Compositores: Donga e Mauro de Almeida

Por deus fosse castigado
O mundo estava vazio
E o inferno habitado

Queres ou não, sinhô, sinhô
Vir pro cordão, sinhô, sinhô
É ser folião, sinhô, sinhô
De coração, sinhô, sinhô
Porque este samba, sinhô, sinhô
De arrepiar, sinhô, sinhô
Põe perna bamba, sinhô, sinhô
Mas faz gozar, sinhô, sinhô

Quem for bom de gosto
Mostre-se disposto
Não procure encosto
Tenha o riso posto
Faça alegre o rosto
Nada de desgosto

Ai, ai, ai
Dança o samba
Com calor, meu amor
Ai, ai, ai
Pois quem dança
Não tem dor nem calor

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