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13 de mai. de 2022

Igrejinha de Nossa Senhora de Fátima.

A religiosidade e a identidade de Taiobeiras, Norte de Minas Gerais, passa pela arquitetura da Igrejinha de Nossa Senhora de Fátima.

Em meio às tensões em toda Europa durante a Primeira Guerra Mundial, no ano de 1917, foi na região da cidade de Fátima em Portugal que surgiu um conforto de paz. Três crianças pastorinhas, Lúcia, Francisco e Jacinta, vivenciaram no dia 13 de maio, a primeira aparição de Nossa Senhora do Rosário, que ficaria assim conhecida como Nossa Senhora do Rosário de Fátima, ou simplesmente Nossa Senhora de Fátima.

Ela trazia aquelas crianças falas de paz diante os conflitos da guerra, e durante seis meses, todo dia 13, em, exceção o dia 19 de agosto, ela apareceu as três crianças no local chamado Cova de Iria, nas proximidades de Fátima, promovendo orações pelo fim da guerra. Sendo a ultima aparição no dia 13 de outubro, reunindo na localidade uma multidão que foram a convite feio por Nossa Senhora através dos três pastorinhos, trazendo sua mensagem de paz e do fim da grande guerra.

Ao longo de mais de um século do milagre de Nossa Senhora de Fátima, sua mensagem de paz, foi levada por todos os cantos do mundo. Em 1957, na cidade de Taiobeiras – MG, que havia apenas quatro anos de emancipação, a imagem de Nossa Senhora de Fátima, vinda diretamente da cidade portuguesa onde o milagre havia ocorrido, chegou através do pedido do Frei Jucundiano, que em sua homenagem ergueu uma capela as margens da pequena cidade do norte do Estado de Minas Gerais.

Com uma arquitetura peculiar, em formato octaedro, a Igrejinha de Nossa Senhora de Fátima, que possui vários significados, se tornou símbolo religioso e cultural de Taiobeiras, sendo um dos principais patrimônios históricos culturais do município.

Ela não é única em seu formato, mas se torna especial na identidade local, e na representatividade arquitetônica das Minas e dos Gerais. Entre vários significados da arquitetura octogonal, destacam as oito bem aventuranças deixadas por Cristo segundo o Evangelho de São Mateus, e também o formato da Cruz em Cristo, dentro da formação do sinal da Cruz, e da letra X, que em grego refere-se a Jesus Cristo.

Mas na identidade taiobeirense, a Igrejinha e sua arquitetura diferenciada, marca a identidade do pertencimento, o lugar de memória, o afeto a origem e a história de Taiobeiras, no sertão mineiro, e das Gerais da microrregião do Alto Rio Pardo. E ao longo de mais de 70 anos, o município fica em festa durante o mês de Maio, em homenagem a Nossa Senhora de Fátima.

12 de dez. de 2021

Taioba

A Taioba planta típica da América do Sul, espalhada pelo mundo, têm em Taiobeiras – MG, seu lugar de encontro e partida, entre o Sudoeste e o Nordeste, entre o local e o global. 

A taioba é uma hortaliça da família Arácea e originária das regiões tropicais da América do Sul. Hoje em dia é cultivada e consumida em países da América Central, África e Ásia.

No Brasil, o maior consumo ocorre nos estados da Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, presentes nos biomas da Mata Atlântica e Cerrado. No Sudeste consome-se a folha, enquanto no Nordeste é comum o consumo do rizoma (a “batata”).

A taioba é uma excelente fonte de ferro, fósforo, cálcio, potássio e manganês, comparando-se às fontes tradicionais desses elementos. As folhas são mais nutritivas que os rizomas e são muito usadas na cozinha mineira em substituição à couve. Já a “batata”, que também tem seu valor nutricional, se faz de várias formas, principalmente cortadinha e cozinhada junto à carne moída.

No encontro do Sudeste com o Nordeste, na mesorregião do Norte de Minas Gerais, a Taioba se faz presente, seja a da “brava” (que não pode ser consumida) e da “mansa” (a que pode ser consumida), e em uma região com grande concentração delas, surgiu o sítio Bom Jardim das Taiobeiras, hoje Taiobeiras – MG, lugar de encontros e partidas, no entroncamento que liga Minas e Bahia.

6 de jan. de 2021

A Folia de Reis de Juca Grosso

No dia 25 de dezembro, enquanto em vários lugares do mundo os cristãos celebram o Natal, nos Gerais mineiro, e em vários lugares do Brasil, iniciam as Folias de Reis, representando a busca ao “Rei dos Judeus”, Jesus Cristo, encerrando no dia 06 de janeiro, Dia dos Três Reis Magos, Baltazar, Belchior e Gaspar.  E em Taiobeiras, referenciar a Folia de Reis é mencionar o mestre Juca Grosso e seu Terno que faz parte da cultura do município. 

Juca Grosso (1908/1989)

As tradições do Natal vêm se homogeneizando ao longo das últimas décadas, principalmente diante a influência das mídias (televisão e internet), trazendo uma padronização dos rituais e simbolismos para esta data emblemática do catolicismo. Mas algumas tradições locais/regionais, ainda resistem diante estas influências globais, uma delas são as Folias de Reis.

O Natal que ficou datado apenas em 335, pelo Papa Júlio I, no dia 25 de dezembro, começou a ganhar características e simbolismos ao longo do tempo. Como o presépio, um arranjo de imagens simbolizando o nascimento de Cristo, tendo além da figura do “Menino Jesus”, a imagem de seus pais, Maria e José, dos animais presentes no estábulo, no qual Cristo nasceu, e os Três Reis Magos, que foram ao encontro daquele que a Estrela de Belém, indicava ser o Rei dos Judeus.

E com esta simbolização deste ícone natalino, o presépio se tornou uma influência de uma grande festividade, iniciada na Europa, não tendo uma informação concreta de quando, e que chegou ao Brasil, e foi difundida e adaptada em várias regiões, como o Norte de Minas Gerais. Estamos falando da Folia de Reis, um festa de origem religiosa, mas que transcende para além do cristianismo, comemorado entre o dia 25 de dezembro, quando é simbolizado o nascimento de Cristo, ao dia 06 de janeiro, dia no qual os Três Reis Magos chegaram ao encontro com o Menino Jesus, sendo também o dia de desmontar os presépios.

Em Taiobeiras – MG, as Folias de Reis tiveram sua força e tradição durante o século XX, período no qual o município começava a desenvolver, deixando de ser um pequeno povoado, e se emancipando. E a festividade é sem duvida uma forte tradição na formação da identidade e da cultura taiobeirenses, mesmo nas últimas décadas havendo uma decadência da continuidade dos Ternos e/ou Folias, assim conhecidos os grupos de reiseiros quem vão de casa em casa, visitando os presépios para ir ao encontro do Menino Jesus, assim como os Reis Magos.

Falar de Folias de Reis em Taiobeiras é falar de Juca Grosso e sua família que juntos formavam um dos ternos mais famosos da região, que levava seu nome. Claro que temos que sempre nos lembrarmos de outros tão importantes quanto, como a Folia de Zé de Vina, Chiquinho Cocá e Zé Cocá, entre ouras, inclusive destacando os grupos que formaram no final do século XX e ainda preservam esta tradição.

O Senhor José Diniz de Amorim, conhecido simplesmente por Juca Grosso, nasceu em 08 de outubro de 1908, que recebeu os ensinamentos de seu pai, José Clemente de Amorim, conhecido por José Grosso. Formou assim uma das folias mais tradicionais da região de Taiobeiras. Visitando os presépios de cada casa, entre o primeiro dia do ano, ao dia 06 de janeiro, para festeja o nascimento de Cristo, lembrando que naquela época as tradições do Natal eram outras.

Assim Juca Grosso se tornou o grande reiseiro da região, levando alegria e muita festa com sua Folia, fazendo parte da memória e da identidade da população de Taiobeiras. Mesmo após seu falecimento em 12 de junho de 1989, e da perca da força das Folias de Reis, a partir também de outras tradições inseridas nas festividades natalinas, o pertencimento, e a formação da cultura local que a Folia de Reis, e Juca Grosso e todos os reiseiros deixaram, sempre estarão na identidade de Taiobeiras.  

19 de jul. de 2018

Ciclistas de Taiobeiras: A 1º Viagem a Bom Jesus da Lapa, 40 anos de muitas histórias.

Em janeiro de 1978, um grupo de jovens do município de Taiobeiras – MG retornando de um de seus passeios ciclísticos, resolveram fazer uma grande aventurar. Percorrer mais de 400 km, saindo de Taiobeiras para Bom Jesus da Lapa – BA, isto tudo de bicicleta. Assim em 10 de julho daquele ano, 10 ciclistas se aventuraram naquela que seria à primeira viagem, de dezoito realizadas, dos Ciclistas de Taiobeiras a Bom Jesus da Lapa. Deixando uma grande história ao longo destes 40 anos.

Ciclistas de Taiobeiras - 1ª Viagem a Bom Jesus da Lapa - 1978
(Da esq. p/ dir.: Lé, Amadeus, Niz, Pedro, Ildinho, Adão, Aldeir, Zé Campanha, Aldeisio e Wilson. Fotografo: Maurílio)
Um grupo de jovens amigos sempre realizavam passeios ciclísticos nas localidades vizinhas de sua cidade. Era uma época no pequeno município de Taiobeiras, no Norte de Minas Gerais, especificamente na microrregião do Alto Rio Pardo, com quase 25 anos de emancipação. E como toda cidade do interior no período da década de 1970, era de grande simplicidade, e recursos. Assim uma das diversões era a utilização das bicicletas. 
Até os anos 2000, quase toda a população da cidade tinha pelo menos uma bicicleta. Por ser uma cidade plana, e de clima agradável, as bicicleta eram transporte muito utilizado. Nos anos de 1960, o transporte já era uma sensação entre os taiobeirenses e região. Em agosto de 1969, a mais antiga oficina de bicicleta, que ainda presta serviços à população local, a Oficina de Bicicleta Galáxia, foi inaugurada. O proprietário Amadeus Alves de Oliveira era um dos jovens que realizavam os passeios ciclísticos.
Ciclistas de Taiobeiras - 1ª Viagem a Bom Jesus da Lapa
Todos os anos, de duas a três vezes, os jovens Amadeus, Maurílio, Adão, Aldeir, Niz, Pedrão, Ildinho, Wilson, Aldeisio, Lé Rocha e Zé Campanha, se reuniam para passear na Fazenda Cachoeira, na comunidade rural da Itaberaba, em Taiobeiras. O proprietário, Juquinha, irmão de Lé, sempre recebia seus amigos para uma prosa. Saiam sábado depois do almoço, e só retornavam domingo já no final da tarde.
Em janeiro de 1978, retornando de um destes passeios, nas proximidades da comunidade de Mirandópolis, também em Taiobeiras, em uma das paradas de descanso, estes jovens decidiram fazer uma grande aventura. Sair de Taiobeiras em direção a Bom Jesus da Lapa, na Bahia. Assim ao longo de alguns meses fizeram várias reuniões para decidir como seria a viagem.
Foi decidido sair no mês de julho, pois muitos jovens ainda estudavam, e tinha que aproveitar a época de férias. As reuniões que aconteciam principalmente na Oficina de Bicicleta Galáxia, serviam para decidir como seria a viagem, e um momento de preparo, já que a jornada era grande, e precisava ser bem organizada. Assim os jovens companheiros, determinaram quanto tempo iria gastar, que dia sairiam e como iria ficar os custos, desde a alimentação a hospedagem, sem contar dos matérias gastos nos veículos, já que em uma longa jornada o desgaste era maior.
Em 9 de julho de 1978, na Igreja da Matriz, foi celebrado por Frei Salésio uma missa abençoando a jornada daqueles jovens que saiam para uma aventura, não por conta de uma promessa, mas sim para se divertirem, e pelo prazer do esperte ciclístico. Logo após a missa, fizeram uma pequena passeata dentro da cidade, e foram descansar.
Na madrugada da segunda-fera, dia 10 de julho de 1978, ás 02h40min, pegaram suas bicicletas e começou a grande jornada. Com objetivo de percorrerem 100 km/dia, com suas bicicletas simples de passeio, em uma estrada de chão e com seus bagageiros cheios, com as roupas, os alimentos, como os biscoitos doados por Frei Salésio, e com muita coragem de se aventurar.
Dos 11 jovens que iniciariam a viagem, de última hora ouve a desistência de um deles,
Fonte: Google Maps - Taiobeiras - MG p/ Bom Jesus da Lapa - BA
Zé Campanha, por motivos maiores, precisou abandonar a aventura. Assim os 10 ciclistas partiram para a grande jornada. A primeira parada foi no município de Rio Pardo de Minas, onde foram na casa de Dona Dá, amiga dos ciclistas, que acolheu todos, dando comida e água para se refrescarem. E assim a jornada foi se dando, passando por Montezuma - MG, que nesta época ainda era um povoado, e última cidade do território mineiro. Mortugaba – BA, a primeira cidade já em territórios baianos, Jacaraci – BA, Irudiara – BA, o povoado de Paiol – BA, Caculé – BA, Ibiassucê – BA, trevo de Pancadão – BA, Caetité – BA, povoado de Jardim e Capão - BA, Igaporã – BA, Riacho do Santana – BA e até quem enfim, Bom Jesus da Lapa – BA.
Na  quinta-feira, dia 13 de julho, ás 20h, chegavam os jovens ciclistas ao ponto final de sua aventura, a Lapa. Cidade histórica de peregrinação religiosa católica, na beira do Rio São Francisco. Onde na margem do rio, tem uma enorme gruta, onde ali foi feita no ano de 1691, foi descoberta por expedições da colônia portuguesa ao longo do Velho Chico.
E 287 anos depois, foi avistada pelos jovens ciclistas taiobeirenses. Assim foi a 1º Viagem dos Ciclistas de Taiobeiras a Bom Jesus da Lapa, que até o ano de 2001, fizeram 18 viagens. Criando amizades, e uma irmandade ao longo da Estrada da Lapa. Fazendo uma história recheada de amizades, e aventuras. Em 21 de julho de 1978, os 10 ciclistas retornaram para casa, com muita história para contar. Dois anos depois retornaram a aventura, com novos ciclistas, e criando mais amizades ao logo do percurso. Histórias que contaremos mais, em outros momentos.
Ao longo destes 40 anos, mais de 60 ciclistas se envolveram, o único a fazer a trajetória em todas as viagens do grupo foi Amadeus Alves de Oliveira, que motivou outros jovens a se aventurarem nesta jornada. E preservar assim uma grande amizade ao longo de gerações, dos amigos da Estrada da Lapa. 

13 de jul. de 2018

Espaço Musical: Rock ‘n’ Roll

O Dia Mundial do Rock surge em 1985 quando Phill Colins, da banda Genesis mencionou no festival Live Aid, que tinha como proposta combater o problema da fome na Etiópia, que aquele dia 13 de julho era o dia do Rock. Mas está data é comemorada mesmo no Brasil, já que nenhum outro país tem esta data como certa. O Dia do Rock no Brasil se tornou uma data de comemoração do ritmo musical mais ouvido no mundo, e que se renova a cada tempo. E em homenagem a este dia, deixo aqui uma canção de Raul Seixa, não só para homenagear o Rock ‘n’ Roll, mas a dois grandes nomes do Rock das Taiobas, Romarão e Adrianão (in memoriam).  

Marcelo Nova e Raul Seixas
No dia 13 de julho de 1985, o vocalista da banda britânica Genesis, Phill Colins mencionou que aquele dia era o “Dia do Rock”. Isto porque naquele dia várias bandas se apresentavam no festival Live Aid, organizado pelo cantor e compositor Bob Geldof, que tinha como proposta arrecadar fundos financeiros para projetos humanistas contra a fome e pobreza na Etiópia. Ao mesmo tempo Filadélfia nos Estados Unidos, e Londres na Inglaterra, rolava o festiva.
Neste grande evento de Rock, e por uma causa humana, faz todo o sentido a fala de Colins, era um “Dia do Rock”. Mas curiosamente só no Brasil esta data é comemorada de fato. E em todo lugar do país, o Rock é celebrado, desde os que gostam de uma boa música, aqueles que vivem toda a filosofia do Rock e suas diversidades.
Em Taiobeiras o Rock desde as décadas de 1960 vem sendo propagado pela juventude da época, e ao longo de outras gerações. Na década de 2010 um movimento ganhou forças, o Rock das Taiobas, que hoje tem espaços em eventos culturais, só se tornou realidade por figura como Romário Barbosa, o Romarão.
Apesar das dificuldades, e de ver muitas vezes um declínio do movimento, principalmente quando jovens talentos da cidade saem em busca de melhores oportunidades, ou até mesmo vão para outros ritmos por questões financeiras, Romarão todo ano sobe nos palcos como seu “Rock das Taiobas, Porra!”, e da oportunidade a garotada não só de conhecer este ritmo, mas de mostrar seus talentos.
Adrianão do Rock (sentado de vermelho)
Em 2018, após o último evento de Rock realizado na cidade em maio, faleceu um dos grandes amantes do Rock, Adriano Sérgio Brito, ou simplesmente Adrianão do Rock. Adrianão era um destes que vivia a filosofia do Rock, e como um rockeiro das antigas, tinha como um dos maiores ídolos Raulzito. Em homenagem a Adrianão e o Rock, fica aqui a música Rock ‘n’ Roll, gravada em 1989 no disco Panela do Diabo, último disco feito por Raul em estúdio, junto com seu grande parceiro Marcelo Nova.
Uma canção que traz todo o sentimento de Raul e Nova com esta filosofia chamada de Rock ‘n’ Roll. Mostrando porque Raul, que fez toda esta salada musical, é considerado por muitos o maior do Rock Brasileiro. Respeitado e amado por uma multidão, que gosta do Rock e trouxe ele para a musicalidade brasileira. Na música ele provoca desde a sua época de jovem, e seus ídolos, até o final de sua carreira.

Confira abaixo a Canção:
Rock ‘n’ Roll
Compositor/Cantor: Raul Seixas e Marcelo Nova

Há muito tempo atrás, na velha Bahia
Eu imitava Little Richard e me contorcia
As pessoas se afastavam pensando
Que eu tava tendo um ataque de
Epilepsia (de epilepsia)

No teatro Vila Velha,
Velho conceito de moral
Bosta Nova pra universitário,
Gente fina, intelectual
Oxalá, oxum dendê oxossi de não sei
o quê. (de não sei o quê)

Oh, rock'n'roll, yeah, yeah, yeah,
That's rock'n'roll

A carruagem foi andando e uma década depois
Nego dizia que indecência era o mesmo
Feijão com arroz

Eu não podia aparecer na televisão
Pois minha banda era nome de
Palavrão (nome de palavrão)

E lá dentro do camarim no maior abafamento
A mulherada se chegando
Altos pratos pratos suculentos
E do meu lado um hippie punk
Me chamando de traidor do movimento
(vê se eu aguento)
(Traidor do movimento)

Oh, rock'n'roll, yeah, yeah, yeah,
that's rock'n'roll

Alguns dizem que ele é chato
Outros dizem que é banal
Já o colocam em propaganda
Fundo de comercial
Mas o bicho ainda entorta minha
Coluna cervical (coluna cervical)

Já dizia o eclesiastes
Há dois mil atrás
Debaixo do sol não há nada novo
Não seja bobo meu rapaz
Mas nunca vi Beethoven fazer
Aquilo que Chuck Berry faz
(Chuck Berry faz)

Roll olver Beethoven, roll over Beethoven,
Roll over Beethoven,
Tell Tchaikovsky the news

E pra terminar com esse papo
Eu só queria dizer
Que não importa o sotaque
e sim o jeito de fazer
Pois há muito percebi que
Genival Lacerda tem a ver
com Elvis e com Jerry Lee (Elvis e Jerry Lee)

Por aí os sinos dobram,
Isso não é tão ruim
Pois se são sinos da morte
Ainda não bateram para mim
E até chegar a minha hora
Eu vou com ele até o fim
(com ele até o fim)

Oh, Rock'n'roll, yeah, yeah, yeah...

26 de mai. de 2018

Canto Poético: Taiobeiras


A comunicação é sem dúvida uma necessidade humana. Em Taiobeiras um homem é um símbolo da arte de comunicar. Jornalista, radialista e poeta popular, Zazau é um comunicador nato. Em sua poesia Taiobeiras, deixa uma de suas marcas principais, a preservação da memória do povo Taiobeirense.


Isaías Costa, Zazau
Jornalista, radialista, poeta e escritor, Isaias Costa natural de Taiobeiras - MG, é um dos grandes nomes locais quando se fala de cultura e comunicação. Zazau, assim apelidado, foi fundador do primeiro jornal impresso no Alto Rio Pardo, e que até hoje está em atuação. O Jornal Taiobeiras tem uma linguagem popular, transmitindo informação de toda região.
Como poeta, traz em seus versos uma simplicidade e um resgate de memórias. Zazau é um dos grandes nomes da região da poesia popular, e provoca em seus poemas um sentimento de pertencimento e identidade regional. Transmitindo histórias em poesia, a cultura taiobeirense.
No poema Taiobeiras, publicado no seu livro, Simplesmente Zazau (2015), o poeta nos leva ao passado, no sentimento de pertencimento da formação do município, em seus aspectos, sociais, políticos, religiosos e culturais. Um poema rico, e simples, dentro da proposta da poesia popular e da valorização cultural e identitário.

TAIOBEIRAS
Por: Zazau

Taiobeiras eu fico triste
somente em pensar
que um dia eu voltarei
para NUNCA MAIS voltar

Mais comigo vai saudades
o fim dos sonhos meu
vai o brilho da estrelas
deste céu que e só teu

Vai saudades do Tocão
das pedras da usina
da barragem lá de baixo da barragem lá de cima
de igrejinha na beira do asfalto do jardim
da praça da matriz
da rua grande na rua nova das ruas com  chafariz
das belas festas juninas da multidão de fogueiras
fazendo da minha taioba um chão cheio de estrelas

Isaías Costa, Zazau
Vai saudades da festa de maio
das barraquinhas cobertas de pindoba
ai quanta saudade vou levar de você minha taioba

Vai saudades dos jogos de futebol
que mudavam nosso clima
quando se defrontavam  JK,  ATE e Mina
Taiobeiras sei que vou partir mais creia que vou em paz
pois sei que tu Taiobeiras não me esqueceras jamais


13 de mai. de 2018

Espaço Musical: Hino à Nossa Senhora de Fátima.

A história de Taiobeiras com Nossa Senhora de Fátima vem de muito tempo. A invocação mariana da Igreja Católica que apareceu pela primeira vez em 13 de maio de 1917, a três crianças na região da Cova da Iria, na freguesia portuguesa de Fátima, é um dos símbolos de fé e da cultura de Taiobeiras – MG, desde o início de sua emancipação. 

Festa de Nossa Senhora de Fátima - Taiobeiras 
Fonte: Blog Levon do Nascimento
Em 13 de maio de 1917, Lúcia, e seus primos Francisco e Jacinta, “Os Três Pastorinhos”, foram agraciados quando andavam pela região conhecida como Cova da Iria, na freguesia de Fátima em Portugal, ao ver a invocação mariana da Virgem Maria. Este seria o primeiro de mais cinco aparições de Nossa Senhora as três crianças, ao logo de seis meses, aparecendo sempre no dia 13 de cada mês, até o outubro daquele ano, com exceção do mês de agosto, onde a aparição ocorreu no dia 19.
Um período que marcava a Revolução Soviética, e também o início da I Guerra Mundial. A Virgem Maria que se apresentou como a Senhora do Rosário, pedia as três crianças que orassem pela paz. No dia 13 de outubro, em sua última aparição, dia conhecido como milagre do sol, promessa mencionada em aparições anteriores de Nossa Senhora aos Três Pastorinhos.
Lúcia, Francisco e Jacinta,
os Três Pastorinhos. 
Milhares de pessoas se encontravam junto as crianças (as únicas que enxergavam a Virgem Maria), e presenciaram o fenômeno. Foi quando Nossa Senhora, pediu que todos rezassem pela paz, e que construíssem naquele lugar uma capela em seu nome, para que as pessoas orassem para um mundo melhor.
Desde dia em diante, a imagem de Nossa Senhora de Fátima, se tornou um símbolo da fé cristã católica em Portugal e no mundo todo. No Brasil, em vários lugares o dia de Nossa Senhora de Fátima é celebrado com muita devoção e festividade.
Em 1956, o Frei Jucundiano de Kok, primeiro pároco do município de Taiobeiras – MG, trouxe a imagem de N.S. de Fátima para a cidade, e em nome da santa, construiu a Igrejinha de Nossa Senhora de Fátima. Com sua arquitetura diferenciada, em formato octaedro, em noção a coroa de Nossa Senhora de Fátima, onde se encontra um dos maiores símbolos de fé e de pertencimento cultural de Taiobeiras. Inaugurada em maio de 1957, dando inicio a devoção a N.S de Fátima.
Ao longo destes anos, a Paróquia São Sebastião de Taiobeiras – MG festeja o dia de N.S de Fátima, iniciando as celebrações eucarísticas e as festividades, no início do mês, até o dia 13 de maio, quando se comemora o dia da Virgem Maria que apareceu pela primeira vez na em Fátima, neste mesmo dia.
A festa ganhou grande dimensão, com apoio do poder público, e dos investimentos privados, se tornou referência no comércio local, e mudou entre os anos de 1980 e 1990, para a praça da Igreja da Matriz, por motivos de segurança, já que a praça da Igrejinha, ficava no meio das pistas da Avenida do Contorno, que é o ligamento da rodovia que passa dentro da cidade. Como relata Avay:
Aludida festa tornou-se um misto de atividades religiosas com festejos sociais, porque o programa é elaborado em comum acordo entre a Prefeitura e a Paróquia. (MIRANDA, p.98, 1997)
Mas já no final dos anos 2000, a festa retornou a sua origem, a praça da Igrejinha de N.S. de Fátima, construída em 2009. Separando a festividade religiosa, da festa da cidade, com intuito principal de valorizar a festa religiosa que havia perdido espaço para a festa social do município, e retornar a suas origens, a capelinha de N.S. de Fátima.
Imagem de N.S. de Fátima de Taiobeiras - MG.
Assim a festa que inicia com a novena a Nossa Senhora, e junto a ela, a oração do terço, seguida pela celebração eucarística, e as coroações feitas pelas crianças vestidas de “anjinhos” a Virgem Maria, e também as mães, que iniciou no ano de 1986, além de leilões, apresentações musicais, etc. Terminando com a procissão pela cidade com a imagem de N.S. de Fátima, e com o levantamento do mastro, ato originado pela Liga Católica Operária. A festividade religiosa se tornou a maior dentro do município de Taiobeiras.
Uma festa cheia de tradição e devoção, traz todos os anos temas de reflexão para a sociedade local, promovendo momento de confraternização dos católicos, e de pertencimento aos taiobeirense, diante a cultura e a história que a festa e a Igrejinha e a imagem de Nossa Senhora de Fátima tem para o município. Assim mencionando o Hino à Nossa Senhora de Fátima, na veneração a Virgem Maria, e seu pedido de paz ao mundo.
Hino à Nossa Senhora de Fátima
Canto Católicas

Nossa Senhora, celeste aurora,
A toda hora, o teu olhar.
Tão indulgente e tão clemente,
A toda gente vem confortar

À Fátima vieste, ó mãe querida,
Compadecida do povo teu
E já o mundo inteiro te venera
E considera o amparo teu.

Neste recanto, tranquilo e santo,
Abre teu manto sobre o brasil.
Nele pairando vai derramando,
Vai espalhando favores mil.

Tu és maria conforto e guia
Na travessia que ao céu conduz.
No mar da vida, ó mãe querida,
Doce guarida ser nossa luz.

Ó virgem pura, com que ternura,
Com que ventura celestial.
Pra venerar-te, e mais amar-te
Fomos buscar-te em Portugal.

12 de mai. de 2018

A Parteira: uma representação da vinda ao mundo.

A parteira foi por muito tempo, uma representação de grande importância para a sociedade. Não que perdeu esta relevância social, mas não tem hoje um papel social tão atuante como tempos passados. E fala de parteiras no município de Taiobeiras, e lembrar de Dona Edith Parteira, uma das diversas mulheres que ajudou a trazer para o mundo várias vidas. 

Curso de Parteiras realizado por Dr. Silvo Americano mendes.
Dona Edith é a segunda da esquerda para direita, sentada. 
A profissão de parteira é uma das profissões mais antigas do mundo. Hoje com os avanços da medicina, a profissão acabou se transformando e perdendo suas características tradicionais, e sendo reconhecida hoje como obstetra. Mas o reconhecimento desta profissão trouxe para os tempos atuais, um olhar mais humano (que se perdeu nos partos realizados em clinicas hospitalares), além de entender ainda a necessidade de pessoas qualificadas para realização de partos em casos específicos.
E como descartar uma profissão que fez parte da sociedade e da construção dela, ao logo de séculos. Hoje muitos buscam a antiga profissão, junto como a modernização da saúde, para promover um parto mais humano e saudável. Reconhecendo esta profissão em 05 de maio 1991, mês das mães, pela Organização Mundial da Saúde, sendo comemorado internacionalmente como o Dia das Parteiras, que se tornou um símbolo de segunda mãe. Como Dona Edith Parteira.   
Dona Edith Ferreira da Silva, nascida na região de Itaobim, Vale do Jequitinhonha em Minas Gerais, em 04 de janeiro de 1925, mudou ainda criança para a cidade de Salinas, no norte mineiro. Criada por seus familiares, casou-se com Januário Dias Corrêa, no qual teve 07 filhos (conhecidos como os Pé de Bode, famosos sanfoneiros), onde morou por muito tempo, na comunidade rural de Matrona, no município de Salinas.  
Já nesta época Dona Edith desenvolveu o dom de trazer vidas ao mundo, sendo conhecida como Edith Parteira. Foi quando na década de 1960, o médico taiobeirense, Silvio Americano Mendes, diante a necessidade de ter um quadro maior de pessoas capacitadas para realização de partos na região, promoveu uma formação para parteiras. Já que na época não tinha estrutura para realização de tal ato, e além de muitas pessoas estarem em longas distâncias, sem comunicação e sem acesso com facilidade.
Dona Edith, seus filhos e neto.
Dona Edith então a convite de Dr. Silvio, se mudou para Taiobeiras – MG no ano de 1965, para facilitar o acesso a outras localidades, para realização de partos. Foram muitos anos nesta profissão, deslocando para várias localidades. As vezes ficando meses longe de casa, para acompanhar gestantes que moravam em fazendas e comunidades afastadas. E nem sempre as pessoas tinham condições a pagar, mas deixa o maior dos pagamentos, a gratidão.
Seu deslocamento variava, em caminhas, garupas de bicicleta, no lombo de um cavalo, e veículos automotivos, que na época era de difícil acesso. Assim Dona Edith foi trazendo várias pessoas ao mundo, e deixando seu reconhecimento a muitos na região, como relata o escrito taiobeirense, Zazau, em seu livro Taiobeiras, eu te conheço, “vou falar de uma saudosa mulher que deixou a sua marca na vida de muitos taiobeirenses. Estou falando de uma mulher maravilhosa, Dona Edith parteira... que com suas mãos ajudou a trazer para este mundo diversas vidas. ” (p.40, 2016). Dona Edith faleceu em 28 de março de 1995, deixando uma história importante na construção do município de Taiobeiras.

24 de abr. de 2018

Migração Estudantil e Mercado de Trabalho: Jovens Estudantes do Ensino Médio de Taiobeiras – MG.¹

Em 2015, participei do VI Simpósio Internacional Sobre a Juventude Brasileira, JUBRA, na Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, na cidade do Rio de Janeiro. Evento que reuniu vários pesquisadores de todo o país, e até mesmo de outros países da América Latina, para discutir e analisar a Juventude. E tive a oportunidade de apresentar um trabalho de pesquisa, realizado a partir da Monografia na minha formação em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Montes Claros – MG. No qual tratei sobre a Migração Estudantil e o Mercado de Trabalho, tendo a juventude taiobeirense, como estudo. Em referencia ao dia do Jovem Trabalhador, deixo um pouco deste trabalho, que fez parte do Livro Juventude, Trabalho e Emprego: políticas públicas, desafios e perspectivas, na organização da professora Dr. Maria Madalena Gracioli, publicado pela Editora CRV em Curitiba, no ano de 2016. 

Rafael Alves de Oliveira

Resumo: A migração juvenil, seja pendular ou sazonal, vem sendo crescentes no mundo inteiro. A Organização das Nações Unidas – ONU menciona que 12,5% dos migrantes internacionais, são jovens entre 15 á 24 anos. Na realidade brasileira podemos destacar este aumento pela busca no mercado de trabalho, e principalmente pela formação profissional. Sendo estas duas opções relacionadas uma com a outra. Onde cada vez mais o mercado de trabalhado vem cobrando a formação, técnica e superior, como principal item no currículo dos candidatos que concorre a uma vaga de emprego. E com isto os incentivos e a busca dos jovens recém-formados na educação básica, por uma formação superior é cada vez maior. Grandes polos populacionais e de ofertas de trabalho, são também polos de instituições superiores. Com as políticas públicas voltadas a educação de nível superior e técnico, a migração estudantil vem sendo cada vez mais significativa. Jovens recém-formados na educação básica, ou mesmo ainda começando o ensino médio, saem de seus municípios em busca de melhor formação profissional, e com isto em busca de melhores oportunidades. Podendo apontar neste cenário, as mudanças socioespaciais de vários municípios que possuem campus universitário, além da reserva de mão de obra qualificada, que vem sendo crescente em todas as áreas profissionais. A partir de estudo de caso diante a realidade em Taiobeiras, no norte mineiro, no qual parte de seus jovens migrando para outras cidades na busca de melhores oportunidades com uma formação profissional. Sendo Montes Claros – MG como referência deste deslocamento na mesorregião do Norte de Minas. Desta forma trataremos neste trabalho, a partir de dados estatísticos e realtos de estudantes do último ano do ensino médio de Taiobeiras, as expectativas e incentivos que levam a estes jovens quererem ingressar no nível superior e com isto, muitas vezes saírem do seu município para outros. Tratando as consequências e impactos criados a partir desta migração.

Palavras-chave: migração juvenil; migração estudantil; formação profissional; mercado de trabalho.


19 de mar. de 2018

Canto Poético: Menininha – Venus em Lua.

Quando a poesia nos emociona por sua simplicidade, ela acaba marcando mais em nossa vida. O poeta Felipe Cortez traz em seus poemas uma simplicidade, mas rica na expressão. O poema Menininha é um exemplo destas características.

Artista, produtor cultural, e poeta, o jovem taiobeirense Felipe Cortez é conhecido por vários trabalhos envolvendo a arte e a cultura. Ligado muito ao teatro, Felipe traz em suas peças e apresentações, características regionais populares do Vale do Jequitinhonha e Norte de Minas, a uma arte moderna contemporânea.
Preservando a nossa cultura local, e ao mesmo tempo inovando e refletindo a modernidade, ou “mudernidade” na expressão roseana de Guimarães Rosa.  E nesta mistura de moderno e regional, ele não só produz no teatro, mas nos versos dos seus poemas.
O seu poema Menininha – Venus em Lua, traz uma simplicidade tamanha, mas provoca uma emoção que provoca uma viagem dentro dos seus versos. Vencedora de saraus de poesias, Menininha envolve qualquer público, da criança a idoso, da cultura popular a erudita, pois não se trata de refletir, mas de sentir.

Menina – Venus em Lua
Por: Felipe Cortez.

Faz arte menina que dança,
Faz trança menina que canta,
Menina que conta e encanta,
Os contos de minas,

Salve menina que brinca,
Na rua de amarelinha,
Pula corda, cirandinha,
Não deixa morrer nossos costumes,

Pede a benção menina que cuida,
Cuida da terra, dos avós,
Dos animais e rodopia na chuva,

Menina da roça sim senhor,
Menina inocente, mas menina decente,
É tão pequena, mas na simplicidade se torna grande,
 
Se assusta com o barulho das máquinas,
Chora pelas arvores caindo,
Pelos bichinhos sozinhos, sem defensor,

Menina Menina, segue seu caminho,
Nesse mundo sem carinho,
Só não perca esta flor,
Que cresce dentro de você,
E faz seus olhos verem o mundo, com outra cor.

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