6 de jan. de 2021

A Folia de Reis de Juca Grosso

No dia 25 de dezembro, enquanto em vários lugares do mundo os cristãos celebram o Natal, nos Gerais mineiro, e em vários lugares do Brasil, iniciam as Folias de Reis, representando a busca ao “Rei dos Judeus”, Jesus Cristo, encerrando no dia 06 de janeiro, Dia dos Três Reis Magos, Baltazar, Belchior e Gaspar.  E em Taiobeiras, referenciar a Folia de Reis é mencionar o mestre Juca Grosso e seu Terno que faz parte da cultura do município. 

Juca Grosso (1908/1989)

As tradições do Natal vêm se homogeneizando ao longo das últimas décadas, principalmente diante a influência das mídias (televisão e internet), trazendo uma padronização dos rituais e simbolismos para esta data emblemática do catolicismo. Mas algumas tradições locais/regionais, ainda resistem diante estas influências globais, uma delas são as Folias de Reis.

O Natal que ficou datado apenas em 335, pelo Papa Júlio I, no dia 25 de dezembro, começou a ganhar características e simbolismos ao longo do tempo. Como o presépio, um arranjo de imagens simbolizando o nascimento de Cristo, tendo além da figura do “Menino Jesus”, a imagem de seus pais, Maria e José, dos animais presentes no estábulo, no qual Cristo nasceu, e os Três Reis Magos, que foram ao encontro daquele que a Estrela de Belém, indicava ser o Rei dos Judeus.

E com esta simbolização deste ícone natalino, o presépio se tornou uma influência de uma grande festividade, iniciada na Europa, não tendo uma informação concreta de quando, e que chegou ao Brasil, e foi difundida e adaptada em várias regiões, como o Norte de Minas Gerais. Estamos falando da Folia de Reis, um festa de origem religiosa, mas que transcende para além do cristianismo, comemorado entre o dia 25 de dezembro, quando é simbolizado o nascimento de Cristo, ao dia 06 de janeiro, dia no qual os Três Reis Magos chegaram ao encontro com o Menino Jesus, sendo também o dia de desmontar os presépios.

Em Taiobeiras – MG, as Folias de Reis tiveram sua força e tradição durante o século XX, período no qual o município começava a desenvolver, deixando de ser um pequeno povoado, e se emancipando. E a festividade é sem duvida uma forte tradição na formação da identidade e da cultura taiobeirenses, mesmo nas últimas décadas havendo uma decadência da continuidade dos Ternos e/ou Folias, assim conhecidos os grupos de reiseiros quem vão de casa em casa, visitando os presépios para ir ao encontro do Menino Jesus, assim como os Reis Magos.

Falar de Folias de Reis em Taiobeiras é falar de Juca Grosso e sua família que juntos formavam um dos ternos mais famosos da região, que levava seu nome. Claro que temos que sempre nos lembrarmos de outros tão importantes quanto, como a Folia de Zé de Vina, Chiquinho Cocá e Zé Cocá, entre ouras, inclusive destacando os grupos que formaram no final do século XX e ainda preservam esta tradição.

O Senhor José Diniz de Amorim, conhecido simplesmente por Juca Grosso, nasceu em 08 de outubro de 1908, que recebeu os ensinamentos de seu pai, José Clemente de Amorim, conhecido por José Grosso. Formou assim uma das folias mais tradicionais da região de Taiobeiras. Visitando os presépios de cada casa, entre o primeiro dia do ano, ao dia 06 de janeiro, para festeja o nascimento de Cristo, lembrando que naquela época as tradições do Natal eram outras.

Assim Juca Grosso se tornou o grande reiseiro da região, levando alegria e muita festa com sua Folia, fazendo parte da memória e da identidade da população de Taiobeiras. Mesmo após seu falecimento em 12 de junho de 1989, e da perca da força das Folias de Reis, a partir também de outras tradições inseridas nas festividades natalinas, o pertencimento, e a formação da cultura local que a Folia de Reis, e Juca Grosso e todos os reiseiros deixaram, sempre estarão na identidade de Taiobeiras.  

2 de dez. de 2020

300 anos de Minas Gerais

Das Minas as Geais, o Estado das diversidades, no dia 02 de dezembro de 1720, foi desmembrado do Estado de São Paulo, e se tornou esta grande referência cultural e econômica do Brasil. Da pecuária e agricultura  de Matias Cardoso as margens do São Francisco, a mineração de Mariana as margens do Rio Doce, uma história construída por seu povo.

Minas Gerais
Bandeira do Estado de Minas Gerais

O território mineiro é conhecido por abranger uma biodiversidade tanto da fauna quanto da flora, além de ter em suas características uma enorme diversidade social e cultural. Falar deste Estado brasileiro, de grande potencial econômico, desde a agropecuária, mineração, industria, comércio, turismo e artesanato, como pilares, é destacar a suas maiores riqueza, seu povo e suas histórias.

Minas Gerais completa 300 anos de desmembramento do território de São Paulo, e neste dia 02 de dezembro, se comemora algo construído antes mesmo do ano de 1720, a mineiridade. Construída pelas várias Minas Gerais, desde a cultura caipira oriunda da cultura paulista, nas regiões Sul, Triangulo e Central, a carioquidade vinda do litoral carioca, presente nas regiões do Vale do Aço e Zona da Mata, e a cultura sertaneja baiana, na construção dos geraizeiros, do Norte, Noroeste e Vales do Jequitinhonha e Mucuri.

Matias Cardoso - MG
Matias Cardoso - MG

As Minas e as Gerais se completam em uma identidade plural, do mineiro que fala “Uai”, “Trem”, mas misturada com os diversos sotaques, costumes, tradições da brasilidade. Talvez seja Minas um recorte da diversidade Brasileira. Assim como o nome dado a nós brasileiros, nós mineiros temos nossa identidade ligado a uma profissão. Mas que passou a ter muitos outros significados ao longo da história.

Claro que temos que refletir os momentos tristes da nossa história. Que explorou da terra recursos, nossa riqueza e origem de nossa identidade, mas que trouxe vários impactos ambientais, desde o Brasil colonial, a tragédia de Mariana e Brumadinho. Explorou da sua gente, dos povos africanos e seus descendentes na escravização para a produção do café, na pecuária e na extração das minas de ouro e diamante. Não podemos esquecer-nos do genocídio indígena desde os bandeirantes paulistas que exploraram esta terra, como Matias Cardoso, ao agronegócio, que além dos índios, matou e expulsou muitos ribeirinhos, vazanteiros, geraizeiros, quilombolas, e outros povos e comunidades tradicionais.

Precisamos lembrar-nos de nossas riquezas, mas também de nosso passado e presente marcado pela exclusão, exploração e violência. Reconhecer toda esta gente que nos faz orgulho de quem somos, enquanto mineiros, e todos estes povos quem fazem presente em nossa identidade.  

Sim, Minas Gerais é terra do encontro, do pão de queijo, ou só do queijo, do pequi, da cachaça, frango com quiabo, feijoada, carne de sol com mandioca, do doce de leite e tantas outras delicias desta terra.

As Minas Gerais das montanhas, da Canastra, da Piedade, do Cipó, de Serra Nova e tantas outras. Do Rio Doce, Pardo, Jequitinhonha, e o Velho Chico, que pode ser Opará, e para os nãos íntimos São Francisco mesmo, que se ramificam entre tantos outros.

Mariana - MG
Mariana - MG

A terra das festividades, das religiosidades e da cultura. Dos reisados, dos batuques, de Nossa Senhora da Piedade e Nossa Senhora da Imaculada Conceição, com as padroeiras das Minas as Gerais. São João, Santo Antonio e São Pedro e as festas juninas. Os Doze Profetas de Aleijadinho, aos mártires de Cristo simbolizadas em cada Cruzeiro erguido ao lado de um cemitério e uma igreja, na origem de cada povoado e município mineiro, até a morte de Tiradentes, pintada como a de Cristo, após lutar pela Inconfidência Mineira.  

Terra do Clube da Esquina, do Skank, do Grupo Raízes, dos Cantores, Compositores e Poetas do Jequitinhonha, e tantos outros que construíram nossa musicalidade. De Andrade, Carolina, Guimarães Rosa e Darcy, que escreveram nossa história. E não podemos esquecer-nos de Carlos Chagas um marco de nossa ciência.

Viva Minas Gerias! Viva o Povo Mineiro!

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