1 de out. de 2018

Espaço Musical: Envelhecer é uma Arte.

O Dia Internacional do Idoso, surge como uma data instituída pela ONU, para promover reflexões e sensibilizações diante o envelhecimento. Em 1976, Adoniram Barbosa com seus 66 anos compôs a canção Envelhecer é uma Arte, onde ele de forma distraída e com um bom samba, faz uma reflexão do que é envelhecer. 

Adoniram Barbosa
Em 1º de outubro de 1991, a Organização das Nações Unidas – ONU, instituiu o Dia Internacional do Idoso, data que comemora uma das fases da vida onde se promove reflexões. Envelhecer é um dos grandes desafios, pois ao mesmo tempo onde todos querem uma vida prospera e extensa, a não aceitação da velhice também é algo presente nesta longevidade.
A data serve para olharmos mais para este grupo etário, e pensar quais são os desafios para o mundo que tem cada vez mais uma população envelhecida. Desde questões de violência e vulnerabilidade social a este grupo, as questões de como viver bem e saudável na conhecida “terceira idade”.
Outro ponto principal, é derrubar tabus e preconceitos sobre o envelhecer, onde existe principalmente o sentido do descarto e o desrespeito a capacidade daqueles segundo o Estatuto do Idoso, que define aqueles com mais ou igual a 60 anos de idade, é definido como idoso.
Em 1976, o sambista paulista, Adoniram Barbosa, no auge dos seus 66 anos, gravou
Compacto - Envelhecer é uma Arte - 1976
um dos seus últimos discos, o compacto com duas faixas, sendo uma delas a canção Envelhecer é uma Arte, onde mostra de forma simples, bem-humorada, e bastante refletivo o chegar da velhice, e como ela pode ser tratada como algo bom.
O samba de Adoniram, um dos mais emblemáticos compositores brasileiros, já promovia na década de 1970 reflexões de um tema que hoje tem maiores estudos e reflexões. O envelhecimento remete mais do que apenas uma fase da vida, mas toda uma filosofia entorno da experiência, sabedoria, e modo de vida.

Confira abaixo a Canção:
Envelhecer é uma Arte
Compositor/Cantor: Adoniram Barbosa.

Velho amigo não chore
Pra que chorar
Por alguém te chamar de velho
Não decola, não esquente a cachola

Quando alguém lhe chamar de velho
Sorria cantando assim:
Sou velho e sou feliz
Mas velho é quem me diz

Comigo também acontece
Gente que nem me conhece
Gente que nunca me viu
Quando passa por mim:
- alô velho! alô tio!

Eu não perco a estribeira
Levo na brincadeira
Saber envelhecer é uma arte
Isso eu sei, modéstia à parte

Interpretes do Brasil: Milton Santos.


Baseando no portal Interpretes do Brasil, pretendo aqui além dos grandes nomes considerados pelo portal, como grandes intelectuais brasileiros, trazer outras personalidades que representaram e representam estes interpretes da realidade social, política, econômica e cultural do Brasil. Como interprete da realidade brasileira de hoje, Milton Santos, o baiano, negro, doutor em Geografia.

Milton Santos
No dia 03 de maio de 1926, no município de Brotas de Macaúbas, Chapada Diamantina, Bahia, Brasil, nascia Milton Almeida dos Santos, que migrou por algumas cidades baianas, até chegar junto com sua família até a capital Salvador. E desde pequeno já demonstrava sua intelectualidade.
Graduado na Universidade Federal da Bahia, em Direito, no ano de 1948, Milton Santos, acabou seguindo seus estudos para geografia, começando com aulas de geografia no ensino médio, até o seu doutorado na Universidade de Strasbourg na França em 1958. Onde começava ali a sua carreira acadêmica em grandes universidades brasileiras e dos países onde passou.
Se tornou um dos grandes nomes da pesquisa implicada na realidade social nos anos de 1960. Como sua tese de doutorado O Centro da Cidade de Salvador (1959), o geografo buscou refletir as transformações da cidade diante efeitos da modernização e da urbanização.
Milton Santos professor de geografia humana na Universidade Federal da Bahia, como muitos intelectuais de sua época, sofreu com a intervenção militar nos anos de 1964. Diante o golpe de Estado, Milton foi forçado a deixar o país diante sua posição política. Mas teve diante este cenário, a oportunidade de desenvolver suas pesquisas dentro de grandes centros de pesquisas e universidade renomadas.
Suas primeiras experiências internacionais foram na França, nas Universidades de Toulouse, Bordeaux, Paris-Sorbonne, e no IEDES (Institutode Estudos de Desenvolvimento Econômico e Social). Entre 1971 a 1977, passou por outros países, e teve assim experiências acadêmicas que contribuíram para seu desenvolvimento teórico. Nos Estados Unidos passou pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology) em Boston, Columbia University em Nova Iorque, também passou pelas Universidade de Toronto – Canadá, Caracas – Venezuela, Dar-es-Salam, Tanzânia.
Em 1977 retornou para o Brasil, mas só em 1979 ingressou novamente o ofício de professor na Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde ficou até o ano de 1983. Foi quando ingressou por concurso na Universidade de São Paulo, onde se tornou o professor de geografia humana até o final de sua carreira, se tornando em 1997 professor emérito.
Ao logo de sua vida, Milton Santos foi contemplado dezenove vezes com o título de Doutor Honoris Causa, prêmio máximo cedido por uma instituição de ensino superior, a pessoas que fizeram a diferença para a sociedade. Mas o prêmio mais importante para Milton Santos foi o Prêmio Internacional de Geografia Vautrin Lud, em 1994, pela sua obra Por uma Geografia Nova, da crítica da geografia a uma geografia crítica (1978).
Por uma Geografia Nova - Milton Santos
Milton Santos se torna um dos grandes nomes dos estudos científicos da Geografia, por retratar desde os estudos micros aos macros, dentro de uma reflexão crítica da realidade social analisada. Sua idealização de provocar dentro dos estudos da geociência o papel de uma Geografia Nova, é elevar o papel dos estudos dentro da geografia, para uma reflexão mais ampla da realidade em nossa volta.
Milton traz em sua obra, uma reflexão do fator ideológico da disciplina Geografia surgiu para os interesses dos grupos dominantes. Onde o sistema capitalista a utilizou para suas expansões. E diante este ponto, como a Geografia precisava ser revista e provocar a reflexão crítica da realidade, diante as mudanças do espaço dentro do fenômeno da globalização, efeitos promovidos pelo sistema. Para isto o geógrafo deve buscar nesta Geografia Nova, um outro viés:
Os geógrafos, ao lado de outros cientistas sociais, devem se preparar para colocar os fundamentos de um espaço verdadeiramente humano, um espaço que uma os homens por e para seu trabalho, mas não para em seguida os separar entre classes, entre exploradores e explorados; um espaço matéria inerte trabalhando pelo homem, mas não para se voltar contra ele; um espaço, natureza social aberta à contemplação direta dos seres humanos, e não um artifício; um espaço instrumento de reprodução da vida, e não uma mercadoria trabalhada por uma outra mercadoria, o homem artificializado. (SANTOS, p. 266, 2004).

Em 1994, também veio seu grande desafio, diagnosticado com câncer, Milton Santos, lutou contra a doença até dia 24 de junho de 2001, quando em dia de São João comemorado no interior da Bahia, um dos maiores nomes da geografia humana, crítica, faleceu. Deixando grandes obras e novas reflexões para os estudos da realidade social.

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