12 de mai. de 2018

A Parteira: uma representação da vinda ao mundo.

A parteira foi por muito tempo, uma representação de grande importância para a sociedade. Não que perdeu esta relevância social, mas não tem hoje um papel social tão atuante como tempos passados. E fala de parteiras no município de Taiobeiras, e lembrar de Dona Edith Parteira, uma das diversas mulheres que ajudou a trazer para o mundo várias vidas. 

Curso de Parteiras realizado por Dr. Silvo Americano mendes.
Dona Edith é a segunda da esquerda para direita, sentada. 
A profissão de parteira é uma das profissões mais antigas do mundo. Hoje com os avanços da medicina, a profissão acabou se transformando e perdendo suas características tradicionais, e sendo reconhecida hoje como obstetra. Mas o reconhecimento desta profissão trouxe para os tempos atuais, um olhar mais humano (que se perdeu nos partos realizados em clinicas hospitalares), além de entender ainda a necessidade de pessoas qualificadas para realização de partos em casos específicos.
E como descartar uma profissão que fez parte da sociedade e da construção dela, ao logo de séculos. Hoje muitos buscam a antiga profissão, junto como a modernização da saúde, para promover um parto mais humano e saudável. Reconhecendo esta profissão em 05 de maio 1991, mês das mães, pela Organização Mundial da Saúde, sendo comemorado internacionalmente como o Dia das Parteiras, que se tornou um símbolo de segunda mãe. Como Dona Edith Parteira.   
Dona Edith Ferreira da Silva, nascida na região de Itaobim, Vale do Jequitinhonha em Minas Gerais, em 04 de janeiro de 1925, mudou ainda criança para a cidade de Salinas, no norte mineiro. Criada por seus familiares, casou-se com Januário Dias Corrêa, no qual teve 07 filhos (conhecidos como os Pé de Bode, famosos sanfoneiros), onde morou por muito tempo, na comunidade rural de Matrona, no município de Salinas.  
Já nesta época Dona Edith desenvolveu o dom de trazer vidas ao mundo, sendo conhecida como Edith Parteira. Foi quando na década de 1960, o médico taiobeirense, Silvio Americano Mendes, diante a necessidade de ter um quadro maior de pessoas capacitadas para realização de partos na região, promoveu uma formação para parteiras. Já que na época não tinha estrutura para realização de tal ato, e além de muitas pessoas estarem em longas distâncias, sem comunicação e sem acesso com facilidade.
Dona Edith, seus filhos e neto.
Dona Edith então a convite de Dr. Silvio, se mudou para Taiobeiras – MG no ano de 1965, para facilitar o acesso a outras localidades, para realização de partos. Foram muitos anos nesta profissão, deslocando para várias localidades. As vezes ficando meses longe de casa, para acompanhar gestantes que moravam em fazendas e comunidades afastadas. E nem sempre as pessoas tinham condições a pagar, mas deixa o maior dos pagamentos, a gratidão.
Seu deslocamento variava, em caminhas, garupas de bicicleta, no lombo de um cavalo, e veículos automotivos, que na época era de difícil acesso. Assim Dona Edith foi trazendo várias pessoas ao mundo, e deixando seu reconhecimento a muitos na região, como relata o escrito taiobeirense, Zazau, em seu livro Taiobeiras, eu te conheço, “vou falar de uma saudosa mulher que deixou a sua marca na vida de muitos taiobeirenses. Estou falando de uma mulher maravilhosa, Dona Edith parteira... que com suas mãos ajudou a trazer para este mundo diversas vidas. ” (p.40, 2016). Dona Edith faleceu em 28 de março de 1995, deixando uma história importante na construção do município de Taiobeiras.

1 de mai. de 2018

Espaço Musical: Trabalhador.

O 1º de maio marca a luta operária no mundo. O Dia do Trabalhador Operário surgiu no final do século XIX para o inicio do século XX, diante a luta de classe entre proletariado e burguesia, por direitos trabalhistas, e contra a exploração do trabalho. E mais de um século depois, o trabalhador ainda é explorado. 

Os Operário, Tarsila do Amaral, 1933
O movimento operário surgiu diante o contexto de urbanização de grandes polos industriais na Europa, e nos Estados Unidos. Diante a exploração na relação patrão e trabalhador. Dentro um olhar marxista, a luta da classe operária via diante uma conscientização desta exploração, onde o proletariado vende sua força de trabalho para garantir um salário, mas nesta relação de produção, a burguesia, que detém os meios de produção, explora desta força de trabalho, para obter a mais valia, ou seja, o lucro.
Assim diante a consciência da classe, os movimentos de trabalhadores surgem no final do século XIX, com proposta de garantir direitos, como redução de jornada de trabalho (no qual não se existia tempo regulamentar), para oito horas de jornada/dia, garantia de um piso salarial, garantia de condições mais dignas do trabalho, entre outras situações.
O 1º de maio teve como origem, as manifestações anárquicas dos trabalhadores na cidade de Chicago nos Estados Unidos, no ano de 1886. Onde milhares de trabalhadores, se reunirão em manifestações durante o inicio de maio daquele ano, tendo como consequência atos contra os manifestantes como uma explosão de uma bomba na Praça Haynarket, e com a prisão e morte de membros do movimento anarcossidicalista, que ficou conhecido como Mártires de Chicago. Mas a data de 1º de maio foi oficializada pela primeira vez, como momento da luta trabalhista no mundo, na França em 1919, com a diminuição da jornada de trabalho para 8h dia. Logo em seguida na Rússia em 1920, e assim sendo reconhecida em outros lugares.
No Brasil, as manifestações trabalhistas começam a tomar força no ano de 1917, com a Greve Geral, partindo de movimentos operários de ideologias socialistas e anarcossidicalistas, onde parou a cidade de São Paulo, que já começava um processo de industrialização. Esta manifestação começou a ser praticada todo 1º de maio, até que em 1925, com decreto do presidente Artur Bernardes, se tornou feriado nacional, representando o dia da classe trabalhadora.
Mas foi durante o governo do presidente Getúlio Vargas, que a data e as manifestações ganharam forças, diante a aproximação do governo com as linhas sindicais. E na década de 1940, o governo Vargas junto com os sindicatos, aproveitaram da data para promover a propaganda do governo, de posição nacionalista, tendo o 1º de maio como data festiva e com proposta de aflorar o sentimento patriota.
 Foi no 1º de maio de 1943, que Getúlio Vargas decretou a Consolidação das Leis do Trabalho no Brasil. Como grande marco do governo Vargas, e dos sindicatos da época, na conquista dos direitos trabalhistas. Apesar de grandes críticas dos ideais do governo Vargas da época, a CLT se torna uma grande ferramenta para garantia dos direitos a classe trabalhadora no Brasil.
A partir do Estado Novo, o Primeiro de Maio, se tornou uma data festiva, com apresentações artísticas e de espaço de lazer, talvez perde o sentido da luta trabalhista, da crítica e da posição ideológica. Momento de reflexão dos problemas a classe trabalhadora, e mesmo com conquistas como a CLT, uma compreensão crítica dos problemas da não garantia de direitos aos trabalhadores brasileiros.
Seu Jorge

Na canção de Seu Jorge, Trabalhador, do álbum América Brasil lançado em 2007, fica um olhar da realidade do trabalho no Brasil. Com uma reflexão crítica social dos problemas a classe trabalhadora, mas também como uma valorização de quem sustenta o sistema de produção no país. 



Confira abaixo a Canção:
Trabalhador
Compositor: Seu Jorge

Está na luta, no corre-corre, no dia-a-dia
Marmita é fria mas se precisa ir trabalhar
Essa rotina em toda firma começa às sete da manhã
Patrão reclama e manda embora quem atrasar

Trabalhador
Trabalhador brasileiro
Dentista, frentista, polícia, bombeiro
Trabalhador brasileiro
Tem gari por aí que é formado engenheiro
Trabalhador brasileiro
Trabalhador

E sem dinheiro vai dar um jeito
Vai pro serviço
É compromisso, vai ter problema se ele faltar
Salário é pouco, não dá pra nada
Desempregado também não dá
E desse jeito a vida segue sem melhorar

Trabalhador
Trabalhador brasileiro
Garçom, garçonete, jurista, pedreiro
Trabalhador brasileiro
Trabalha igual burro e não ganha dinheiro
Trabalhador brasileiro
Trabalhador

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